É um nome conhecido e respeitado em todo o Brasil. E não só!!!!
Vive em São Paulo e é uma das romancistas e dramaturgas de maior sucesso, tanto junto da critica literária e teatral, como junto do público.
Escreveu e já viu levadas à cena 20 peças de Teatro. Publicou 5 romances e uma biografia.
Traduziu, entre outras, obras de Samuel Becket, Jean-Paul Sartre, Ingmar Bergman, Edward Albee, Peter Shafer.
É autora de séries, mini-series e novelas para a Televisão, como Os Maias, A Muralha, A Casa das Sete Mulheres.
Por 21 vezes recebeu prémios de melhor obra.
Tem 65 anos e… é portuguesa!
Chama-se Maria Adelaide Amaral, nasceu em Valongo e encontra-se no Brasil desde os 12 anos.
Quem teve a felicidade de assistir em Lisboa, no final de 2006, à peça Mademoiselle Channel, brilhantemente interpretada pela Marília Pêra sabe bem da qualidade extraordinária desta autora.
Aliás, esta peça, que representada em Paris na Cómedie des Champs Elysées, pela mesma actriz, deixou espantados críticos e público parisiense pela qualidade e reconhecimento histórico do texto, entusiasmou de tal forma a própria Casa Channel e Karl Lagarfeld, que fizeram questão de ceder à produção do espectáculo 9 modelos originais para serem usados em todas as récitas.
Quem viu na televisão séries como a “A Muralha” ou “A Casa das Sete Mulheres”, sabe bem da riqueza e intensidade dramática das suas obras.
Quem viu a inteligência, o rigor e o sentido dramático das adaptações de “Os Maias” para a Globo ou do “Evangelho Segundo Jesus Cristo” para os palcos, percebe bem a razão de ser de tantos prémios que foram atribuídos a esta nortenha radicada em São Paulo.
Quando no inicio dos anos 90 foi condecorada pelo Estado Português numa cerimónia solene que decorreu num jantar oficial no Convento do Beato, perante a nata política e intelectual nacional, Adelaide Amaral, ao usar da palavra disse que, embora agradecesse a condecoração recebida, a maior homenagem que poderia ter da sua pátria seria ver aqui representadas as suas peças. Até hoje as suas palavras tiveram pouco eco.
Quando em comentário ao meu anterior post um dos visitantes referiu que o Teatro Nacional não prestigia suficientemente os autores portugueses, lembrei-me desta cerimónia e das palavras de Maria Adelaide.
Tirando Maria do Céu Guerra que em 1993 levou à cena a peça “De Braços Abertos” e a Seiva Trupe no Porto que encenou “Para tão longo Amor”, creio bem que mais nenhuma das peças desta autora foram representadas em Portugal, por portugueses.
Num país onde a qualidade e quantidade de dramaturgia é tão reduzida, talvez não fosse má ideia, que as nossas principais companhias se lembrassem, com alguma frequência, desta nossa compatriota de Valongo, dando a conhecer ao nosso público as suas obras, não apenas porque se trata de uma escritora portuguesa, mas porque as suas obras têm qualidade!
Espero, sinceramente, que não exista uma qualquer “Muralha”, de qualquer natureza, a impedir a, mais que necessária, divulgação de obras de uma portuguesa em Portugal.
Encontra-se em cena no Teatro D. Maria II a peça de David Mamet, The Water Engine, que aqui é designada por Um Conto Americano.
Fui vê-la no passado sábado!
Trata-se de uma peça originalmente escrita para a rádio e que portanto necessita de adaptações, obrigando o encenador a uma série de opções difíceis.
Difíceis não só por isso, mas também porque a linguagem de David Mamet é, no texto original, toda ela simbólica, feita de pequenas frases, quando não monossílabos, fazendo-as assemelhar-se a um percurso difícil, que reflecte acima de tudo os elementos caracterizadores da personagem.
As falas do protagonista no texto original, como assinalou o New York Times, a propósito de uma encenação efectuada em 1999, seriam no mundo real frases próprias de alguém que sofreu uma lobotomia ou que se encontra hipnotizado. No mundo de Mamet, porém, serão frases de pureza e ingenuidade, num mundo adulto e obcecado por interesses mesquinhos e jogos sujos de poder.
Apesar de toda esta complexidade, a peça tem passado por vários teatros de todo o mundo e dado origem às mais diferenciadas concepções cénicas.
Numa das suas duas últimas produções, a de Minneapolis (Dezembro de 2007), o minimalismo da encenação foi levado ao extremo, limitando-se a reproduzir em palco uma emissão radiodifundida da peça.
A solução do encenador foi, simplesmente, a de colocar microfones espalhados pelo palco e pôr os actores a ler a peça e deitando em seguida, para o chão as páginas de texto já lidas.
Em Boston (Outubro de 2007), uma outra encenação desta peça, teve igualmente um início “radiofónico”, "saltando" depois as personagens do estúdio de rádio para um ambiente mais realista. Em ambos os casos a peça não durava mais de hora e meia.
E em Lisboa? Bom aqui a peça teve uma encenção bastante complexa que a faz durar cerca de duas horas e meia!!!
E esse excesso, imaginado como um dos seus trunfos, é afinal um dos seus principais problemas! Mas já lá irei!
Em Lisboa, o espectáculo tem tudo menos de minimalista. Trata-se de um espectáculo que revela um empenho muito forte de toda uma equipa e em que o cenário acaba por assumir o lugar mais importante da peça!
Penso que a opção da encenadora portuguesa foi não poupar meios, nem actores. Foi dar-nos uma visão o mais alargada possível de todas as mensagens que Mamet quis transmitir, dar-nos todas as palavras, todos os gestos, todos os sons, dar-nos o principal fio condutor e todos os fios paralelos e afluentes. Foi dar-nos um espectáculo grandioso.
Agora, se me perguntarem se eu acho que do enorme esforço da encenadora e dos actores, que de todo o empenho nos pormenores, que de toda a imponência e perfeição do cenário, que de toda a complexidade cénica resultou um espectáculo agradável, entusiasmante e apelativo terei que dizer, na minha modesta opinião que, infelizmente, não!
As razões desta minha desconsolada visão da peça, sintetizarei mais adiante, refiro agora, apenas, que no final da récita a que assisti, a frieza e escassez de aplausos da plateia, revelavam que não era apenas eu que iria sair do teatro frustrado.
Para já abordemos o tema da peça! Trata-se de um tema muito aliciante.
Em 1934, ano da Exposição Universal de Chicago, um jovem inventor desta cidade, descobre um meio de usar o hidrogénio da água, para fazer trabalhar um motor.
Querendo patenteá-lo, acaba por ser impedido pelo verdadeiro poder que domina a cidade e o mundo: o poder económico.
Partindo daqui desenvolve-se a acção que abrange um conjunto variado de personagens.
O inventor, a sua irmã, os seus amigos, os advogados, o jornalista, as “bailarinas”, os “políticos”, os operários e o povo em geral.
Chegados aqui, após esta longuíssima introdução, gostaria de dizer o que achei bem na peça e o que não gostei:
Pontos positivos:
- A qualidade visual do espectáculo e todo o funcionamento do cenário. Logo de inicio é-nos dada uma visão do mundo, muito à semelhança das imagens de Metropolis de Lang, com uma movimentação de actores e figurantes encadeada num cenário industrial, que ele próprio, tal como em no filme de Lang é a razão de ser da vida daquela sociedade. Esteticamente o cenário e a movimentação de actores, do principio ao fim, é de grande beleza, como raramente se vê em palcos nacionais.
- A atenção a quase todos os detalhes físicos dos elementos de cena, seja o guarda-roupa, sejam os adereços (excepto os planos da máquina, que são absolutamente risíveis).
- O cuidado na justeza dos suportes musicais, com canções de época perfeitamente enquadradas no espectáculo.
Aspectos negativos:
- Referenciações de época algo confusas. Na verdade, pelo meio da acção principal, ocorriam quadros paralelos, que nos remetiam para algo, que deduzo serem evoluções político-sociais que aconteciam mundo fora, nomeadamente a ascensão do nazismo e do fascismo! Mas, será que era isso? Nem eu, nem as restantes pessoas que comigo assistiram ao espectáculo, ficaram com uma ideia clara do que se passou!
-Lentidão na acção. Uma peça com um texto que nos conduz a uma meta-realidade e em que as personagens são mais arquétipos do que gente comum, fica excessivamente cansativa se recheada de elementos de dispersão, por muito interessantes e cuidados que sejam. Antes do intervalo já se via uma ou outra pessoa a dormir e no final do espectáculo o cansaço parecia já ser generalizado.
-Desequilíbrio nas interpretações. Esta é um velho problema do nosso Teatro, que aqui mais uma vez aconteceu. Não só não se viu nenhuma interpretação excepcional, como algumas foram mesmo bastante más! Estiveram bem Luis Gaspar ( Lang, o protagonista), Rui Quintas, Mário Jacques, Paula Mora e Maria Emília Correia (que também encenou o espectáculo).
Estiveram mal Paula Neves (a irmã cega de Lang) e Mané Ribeiro (secretária da personagem desempenhada por Rui Quintas).
Infelizmente ambas as actrizes estiveram em permanente over-acting, gritando o tempo todo. No caso de Paula Neves, penso que sobretudo por dificuldades na colocação da voz. O certo é que, no que se refere a estas duas deficientes representações, aquilo que se pretendia como paradigmas de um dado tipo de pessoa, acabou por transformar em verdadeiras caricaturas, desajustadas do contexto e da ambiência da peça.
Refiro ainda o caso do excelente actor Manuel Coelho, que fez o melhor que pôde no papel de um “inventor” à procura de uma entrevista, mas que viu os seus esforços completamente inutilizados por uma encenação que nesse ponto foi bastante infeliz e por contra-cenas de Mané Ribeiro tão forçadas, que pareciam quase de amadora.
Finalmente, do saldo dos pontos positivos e negativos, vem uma sensação de algum tédio, de uma desagradável frustração e de estarmos perante uma aposta importante do D. Maria II, que terá ficado aquém do desejável.
Saí-se do D. Maria II com a noção de que sob a aparência de um espectáculo, estivemos a observar um longo exercício intelectual, umas vezes interessante, outras vezes confuso, em que o que mais se destaca são alguns aspectos cénicos perfeitamente notáveis.
Não me arrependo de o ter ido ver, mas não posso deixar de colocar algumas reservas se me perguntarem se valerá a pena a deslocação!
Depois de há uns dias atrás ter trazido ao blog algumas canções da Madalena Iglésias, resolvi hoje falar um pouco de duas cançonetistas que deixaram há muito de se ouvir…
E lembrei-me delas porquê? Porque ontem a RTP1 estreou ontem uma rubrica no final do Telejornal, em que abordou a problemática do cancro da mama, tendo entrevistado algumas figuras públicas que tiveram este problema.
Entrevistaram Simone de Oliveira, tendo posto uma canção sua, como música de fundo. Chamava-se essa canção Fúria de Viver.
Entrevistaram também Tonicha e fizeram o mesmo, colocaram como fundo musical uma canção criada por Tonicha, chamada Fui ter com a Madrugada, contudo a voz não era a de Tonicha… Essa voz era de Mirene Cardinalli.
Tratava-se de uma canção que valeu a Tonicha o 2º lugar no Festival da Canção de 1968, a escassos 2 pontos de Verão de Carlos Mendes.
Penso que terá sido uma gaffe da edição do programa, repetindo o erro que aliás já vi há algum tempo em alguns blogs.
Bom, o certo é que com isto a voz de Mirene voltou felizmente a ouvir-se na televisão portuguesa.
E ao lembrar-me de Mirene, recordei igualmente Marina Neves.
Ambas morreram muito jovens e ambas, curiosamente, tinham um estilo e um timbre muito semelhante, que na altura, alguns críticos consideravam pouco original, dado que ambas se assemelhavam, talvez em demasia, a Simone de Oliveira, que na época era a voz feminina mais conceituada
Mirene Cardinalli (da família dos proprietários do Circo Cardinalli) nunca negou as semelhanças com a criadora da Desfolhada, mas recordava ter começado a cantar muito jovem, ainda antes de Simone, e de ter tido sempre o mesmo estilo.
Fez parte da sua carreira em Angola, para onde havia partido no início dos anos 60 e onde teve enorme sucesso. Quando regressou, em 1967, conseguiu rapidamente impor-se na “Metrópole”, sendo as suas canções: Mal de Amor, Julgamento, Livro Sem Ter Fim, Adeus ao Verão e Canção do Novo Sol, repetidas diariamente nas rádios.
Esta notoriedade permitiu-lhe participar no ano seguinte, a par de Tonicha e Simone, no Festival RTP com a canção Vento Não Vou Contigo.
Infelizmente a sua carreira não durou muito mais, no dia 19 de Dezembro de 1969, a caminho de Évora, um acidente trágico tirou a vida a Mirene Cardinalli e a outros colegas que a acompanhavam (salvou-se apenas, apesar de ter ficado muito ferida, Maria de Lourdes Resende). Mirene tinha 27 anos.
A carreira de Marina Neves ainda foi mais curta.
Tendo-se iniciado no Centro de Preparação dos Artistas da Rádio, no inicio dos anos 60, tornou-se particularmente notada, quando a editora Alvorada, resolveu em 1964 editar as canções do Festival desse ano, por vozes diferentes das dos criadores.
Marina Neves foi escolhida para cantar Olhos nos Olhos, e fê-lo numa colagem tão precisa à versão original de Simone de Oliveira, que foi com um misto de surpresa e de crítica que foi recebida a sua interpretação. A polémica daí resultante foi quanto bastou para que se tornasse de imediato uma cantora requisitada.
Marina Neves, jovem muito bonita e bastante simpática, tornou-se figura indispensável dos Serões para Trabalhadores , tendo feito sucesso nesses e em todos os outros espectáculos em que participou.
A sua voz e expressividade em palco tinha potencialidades que infelizmente não pode desenvolver.
Uma doença oncológica, poucos meses depois, afastá-la-ía dos palcos e tirar-lhe-ia a vida.
As canções que deixou gravadas testemunham a sua qualidade vocal, apesar de, no entanto, estarem muito aquém do que ela merecia. A sua morte, prematura, com pouco mais de 20 anos provocou na altura, uma verdadeira comoção nacional.
Tal como sempre acontece, tão forte foi a comoção, quão rápido foi o esquecimento.
Mas tudo isto veio a propósito de uma canção de Tonicha e de uma gaffe (espero não estar a ser injusto) da RTP.
Terminemos pois com esta canção quer originou estas minhas recordações. É do Festival de 1968 e nela teremos Tonicha vestida com um fato curiosamente parecido com o que Cliff Richards usaria poucas semanas depois no Festival da Eurovisão:
Ser filha de quem é e irmã de Liza Minnelli significa carregar consigo sombras demasiado pesadas para conseguir sair delas com facilidade e ganhar o Sol.
Essa dificuldade acresce quando quer no cinema, quer no teatro, quer na televisão nunca teve a sorte de obter grandes papéis, ou as produções em que entrou não terem tido a notoriedade desejada.
Falo, de Lorna Luft, de 56 anos, que depois de 40 anos de uma carreira de centenas de concertos, dezenas de filmes e séries e de inúmeras participações em musicais, lança agora o seu primeiro grande trabalho discográfico
Lorna, que reparte o seu tempo entre Londres e Los Angeles, tem colaborado nos últimos anos com o jovem cantor Rufus Wainwright, na apresentação do seu espectáculo Rufus does Judy live…, um show exclusivamente dedicado às canções de Judy Garland,
Ao mesmo tempo que ela própria, desde 2003 vem apresentando espectáculo de teor idêntico, chamado “Songs my mother taught me”
Depois de ter produzido documentários sobre a vida da mãe, de ter escrito um livro de memórias sobre as suas vivências com Judy e de ter produzido um filme baseado nesse livro, sai agora o seu primeiro CD a solo baseado no espectáculo que tem vindo a apresentar nos últimos anos.
Se Judy é um filão para tantos, por que não o poderia ser para a sua própria filha?
Trata-se de um CD corajoso, onde Lorna, com uma voz já a demonstrar alguns sinais de desgaste, parece apostar tudo!
Neste trabalho, onde até mesmo os arranjos orquestrais são idênticos aos que a mãe utilizou nas suas apresentações a comparação é inevitável. Aliás sê-la-ia sempre!
E esse é talvez, desde o começo da sua carreira, o maior problema de Lorna.
O que faltou pois a Lorna, para ter a notoriedade da mãe e da irmã? Não é capacidade vocal! Pois revelou-a logo aos 11 anos num programa televisivo especial de Natal, na presença da mãe e da irmã.
Nem domínio de palco, como se pode ver já adulta, no início dos anos 80, cantando I've Got Rhythm
O que lhe faltou e penso que falta, é algo que só muito poucos possuem. Uma magia e um magnetismo que está para além do muito bom.
Sinto pena que Lorna possa não ter tido os papéis apropriados e as canções adequadas para poder demonstrar essa capacidade. Ou, se calhar teve a oportunidade, mas faltou-lhe a centelha que transforma uma música ou uma representação num momento de magia como sua mãe Judy e a sua irmã Liza bem demonstraram!
Trago aqui, o que para mim, constituem dois exemplos de genialidade, quer de Judy, quer de Liza:
Judy, estava a preparar o seu show televisivo, quando foi assassinado o seu grande amigo pessoal, John Kennedy.
Emocionalmente abalada pediu à NBC para cancelar a transmissão, o que aquela emissora não aceitou, tendo exigido que se cumprisse o contrato, como previsto.
Judy propôs então incluir no programa algo que até aí não era habitual no seu repertório, um hino patriótico, do tempo da Guerra Civil, chamado The Battle Hymn of the Republic, em homenagem ao Presidente assassinado.
Os produtores contrariados, pois não lhes agradava a ideia de uma homenagem política com hino com mais de 100 anos, num espectáculo de variedades para a família, acabaram por concordar e a emotiva interpretação de Judy, poucos dias após o assassinato do seu amigo, ficou para a história da televisão.
Com tal impacto, diga-se aliás, que viria, passado um ano, ser repetida em Londres nos funerais de estado de Winston Churchill e utilizada, como homenagem musical no funeral da própria Judy Garland, 5 anos depois.
Quanto a Liza, repare-se nesta interpretação “especial” de New York, New York, ao vivo aquando do espectáculo comemorativo dos 100 anos da Estátua da Liberdade 1986), em que ao tradicional final da canção, Liza acrescenta um novo final, subindo ainda mais na escala musical.
A melhor gravação sonora desta “versão especial” pode ser encontrada (em cd e vinil) do espectáculo de 1987 no Carnegie Hall, havendo registo desta versão "especial" no espectáculo realizado em Paris com Aznavour em 1992 (cd e Dvd).
Ora, perante estes dois exemplos, o que pode fazer Lorna para que desta família venham ainda mais surpresas? É esse o seu problema!
Lorna, sendo eventualmente melhor do que a maioria das cantoras da sua geração, tem contra si uma expectativa permanentemente alta, esperando-se dela o milagre de superar o insuperável.
Um milagre que até hoje ainda não conseguiu e que, apesar de todo o seu esforço, todo o seu talento, dificilmente aos 56 anos irá conseguir!
Po fim, deixo aqui uma das faixas deste seu CD, que eu há muito esperava, mas que, sinceramente, agora, poderá não a conseguir fazer recuperar o tempo perdido.
No passado sábado completaram-se 21 anos sobre a morte de Dalida (1933-1987)
Poucas personalidades do mundo artístico nos anos 60, 70 e 80 provocaram tanta emoção ao público, como aconteceu com esta cantora.
Mais de 30 biografias, já foram publicadas sobre ela e a sua vida já deu origem a obras de ficção escrita, canções e filmes.
Talvez mais do que por ser uma personalidade artística incomum, toda esta atenção se deva ao facto de ter tido uma vida tão gloriosa quanto romanticamente trágica.
De ascendência italiana, de seu nome Yolanda Gigliotti, nasceu no Egipto, onde viria a tornar-se tornar-se rainha de beleza.
Com o título de Miss Egipto na bagagem, parte para Paris em 1955, onde de imediato inicia uma carreira artística que será de sucesso ininterrupto.
Contudo, a sua vida privada foi um mar de problemas e de sofrimento, sempre sob os olhares ávidos do público.
Tendo-se ligado muito jovem ao director de rádio Lucien Morisse, veio a divorciar-se ao fim de 5 anos de vida em comum.
Lucien Morisse viria a suicidar-se poucos anos depois, no que foi um dos sucessivos acontecimentos trágicos que marcariam a sua vida.
Dalida, entretanto, passados dois anos do seu divórcio, viria a apaixonar-se pelo talentoso, mas perturbado, cantor italiano Luigi Tenco.
Depois de muitos esforços, Dalida convence-o a entrar no certame musical mais famoso de Itália, o Festival de San Remo.
Na noite de 27 de Janeiro de 1967, após a divulgação dos resultados, Tenco não conseguiu aguentar a frustração por a sua canção Ciao Amore, Ciao, não se ter classificado!
Enquanto Dalida e a sua equipe o esperavam num restaurante, ele punha termo à vida no quarto do hotel onde se encontravam hospedados.
Acaba por ser Dalida, poucos minutos depois, a encontrá-lo morto no quarto. Um mês mais tarde será a vez de Dalida tentar o suícidio.
Uma semana depois ao sair do coma, ficou patente, para todos os seus mais próximos, que ela nunca mais viria a ser a mesma pessoa.
Com este acontecimento e com esta canção o público de Dalida veio demonstrar o quanto a admiração por um artista pode ser egoista e até mesmo cruel! Daí em diante, a canção que levou Tenco à morte, tornou-se numa obrigação contratual incontornável para todos os espectáculos de Dalida.
Nessas alturas, o olhar triste e vazio da cantora, e as lágrimas que muitas vezes não conseguia reprimir eram, para o público, o ponto mais alto de todo o espectáculo. O público que adorava a cantora, gostava em simultâneo de assistir ao espectáculo do seu sofrimento.
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Nos últimos anos de vida, Dalida tentou fugir à solidão em que vivia, tendo encontrado um novo companheiro em Richard Chanfray.
Infelizmente para ela, este seu envolvimento não viria a ser menos problemático que os anteriores, dado que quando se conheceram ele estava a entrar num processo psicológico que o conduziria posteriormente a comportamentos violentos e à loucura.
Após alguns anos de casamento com este homem, que afirmava ter 17.000 anos e ser capaz de transformar metal vulgar em ouro e água em vinho, Dalida conseguiu o divórcio. E poucos meses depois Chanfray viria também a suicidar-se.
Apesar de toda a sucessão de dramas que viveu, Dalida conseguiu sempre manter inalterados o ritmo e o sucesso da sua carreira tanto em França, como no resto da Europa e nos Estados Unidos.
Mas esse sucesso nunca lhe conseguiu dar o suplemento de alma de que necessitava para querer continuar a viver.
Um mês antes de morrer, disse a um amigo, que se ninguém pode escolher o momento em que nasce, ela poderia, no entanto, vir a escolher o momento da sua partida.
E, na verdade, em 3 de Maio de 1987, Dalida, mulher bela, rica, famosa e admirada por milhões de pessoas, recusa-se a continuar prisioneira da solidão e da tristeza que o destino lhe impôs, e suicida-se com uma dose excessiva de barbitúricos.
Deixa um pequeno bilhete, onde estava escrito:“A vida para mim é insuportável… perdoem-me”
A sua voz e as suas capacidades interpretativas, tinham a marca profunda da sua vida conturbada. Com Dalida, a dor transfigurou-se também numa forma de arte, fazendo-nos sentir que alguns dos seus momentos mais terríveis eram, simultaneamente momentos passados para o público de forma artisticamente inesquecível.
A sua interpretação de Je suis Malade no Olympia, em 1981, é disso um exemplo perfeito, pelo que tem de visceralmente emotiva e interpretativamente sublime.
Dalida, pelo seu contributo excepcional para a canção francesa e pela relação de afecto que estabeleceu com a nação gaulesa recebeu, em vida, a mais alta das condecorações do Estado francês e, vinte anos após a sua morte, em recente estudo de opinião, foi considerada a segunda personalidade mais importante do século XX, em França, logo a seguir ao General De Gaulle.
Dalida, está pois bem presente na memória de todos os seus admiradores. O ano passado, ao completarem-se vinte anos da sua morte, França rendeu-lhe um conjunto vasto de homenagens, com a inauguração de estátuas e atribuição do seu nome a ruas e praças. A Câmara Municipal de Paris dedicou-lhe uma exposição recordatória que esteve 5 meses patente ao público…
No entanto, apesar da memória, ficou para além da saudade, um imenso e profundo vazio...
Reproduzo aqui uma notícia do Expresso, que me pareceu curiosa:
Um violinista norte-americano que se esqueceu do Stradivarius, no valor de quatro milhões de dólares, num táxi nova-iorquino vai dar hoje um concerto gratuito num aeroporto de Nova Iorque, em honra do taxista que lhe restituiu o precioso instrumento.
O músico de origem russa Philippe Quint deixou na semana passada num táxi o seu violino "Ex-Keisewetter", feito em 1723 pelo célebre fabricante e restaurador de instrumentos de cordas italiano Antonio Stradivari ou Stradivarius, como era mais conhecido.
O instrumento ficou no banco de trás do veículo de Mohammed Khalil, que apanhou o violinista no aeroporto de Newark, Nova Jérsia, quando este regressava de Houston, Texas, indicou a representante do músico, Diane Blackman, citada pela AFP.
Philippe Quint, de 34 anos, deu ao motorista cem dólares - "tudo o que então tinha na carteira" - depois de ter recuperado o precioso violino, mas como gesto adicional, propôs-se dar hoje um concerto de meia-hora para os taxistas do aeroporto de Newark.
O violinista convidou ainda Khalil e a família para um concerto que dará no Carnegie Hall, em Nova Iorque, em Setembro próximo.
Deixo aqui a interpretação de Quint da Meditação de Thais de Massenet, num concerto na Cidade do México.
Há sites que valorizam a imagem das instituições e há outros cujo contributo é... digamos assim... demasiado pequeno!
Há por isso, que não se misturar as coisas. Uma instituição vale pelo faz, pelos seus objectivos e concretizações e não pela maior ou menor felicidade, ou menor ou maior quantidade de informação que circunstancialmente produz!
Faço esta ressalva prévia, tendo em vista o que a seguir vou dizer:
Ontem, numa passagem pelo supermercado, dei conta de mais uma campanha do Banco Alimentar Contra a Fome. Fiz a minha contribuição habitual e resolvi, quando regressei a casa, tirar algumas dúvidas sobre a instituição e a sua actividade. Para isso fui ver o site!
A primeira das dúvidas tinha, aliás, procurado, em vão, esclarecer logo no Supermercado.
É que, com tanta gente a fazer doações, em géneros, para o Banco Alimentar, pagando por eles exactamente o mesmo que pagaria, se comprasse esses bens para consumo próprio, o que acontece é que o primeiro a ganhar com esta acção de beneficência a favor dos mais pobres é mesmo…. o Supermercado!
Procurei pois, verificar no site, se existiria alguma informação sobre possíveis contribuições, dos grupos a que pertencem os super e hipermercados! Não existia!!!
E é pena, pois não me admiro que haja contribuições em géneros, ou de outra índole, por parte dessas Empresas! Mas, estando nós em Portugal, será que o contrário também surpreenderia alguém?
O site diz genericamente, e passo a citar: “O Banco Alimentar recebe toda a qualidade de géneros alimentares, ofertas de empresas e particulares, em muitos casos excedentes de produção da indústria agroalimentar, excedentes agrícolas e da grande distribuição, e ainda produtos de intervenção da União Europeia”.
Verifico aqui que o site se limita a uma descrição genérica, com uma breve referência à grande distribuição.
No entanto, dado que a contribuição popular é realizada através de aquisições nos supermercados, com vantagem imediata para esses estabelecimentos, a doação, dos grupos económicos a que eles pertencem, terão naturalmente um carácter e uma importância diferentes das dos outros contribuidores!
Daí,que seria muito interessante que essas contribuições fossem divulgadas. Se eu possuísse essa informação, o local da minha futura doação levaria decerto em conta esse factor! E a minha forma de olhar esse grupo seria decerto mais ajustada!
Outra dúvida: Quais são os rostos do Banco Alimentar? Quem são os responsáveis pelo seu funcionamento?
Uma obra, como esta, em favor dos mais desprotegidos da comunidade, deveria ter o reconhecimento público da sociedade. Já é tempo de os meios de comunicação deixarem de dar importância a pessoas que apenas passam a vida em festas e a desfilar roupa.
Pessoas que se dedicam a causas deste tipo, que as impulsionam, que lutam por elas, são as que merecem verdadeiramente a notoriedade pública!
Acredito, que sejam pessoas de enorme generosidade e que muitas até gastem a maior parte do seu tempo graciosamente a colaborar com a Instituição e que queiram até manter o anonimato. O site entretanto refere:
Os Bancos Alimentares possuem uma organização logística profissional para: a recolha e o encaminhamento de produtos alimentares; a sua triagem e armazenagem; o controlo de qualidade; rede de frio….
De facto, mesmo as Instituições de benemerência, para serem verdadeiramente úteis, com este nível intenso de actividade, precisam de organização e profissionalismo, para além, é claro, das boas vontades!
Mas, será que neste caso apenas haverá profissionalização da parte logística. Não haverá outros sectores profissionalizados? Não haverá um sistema hierárquico de funcionamento? Com emprego para quantas pessoas? Com que custos?
E como serão financiados esses custos? Apenas por subvenções estatais? Há também doações monetárias particulares? Quais os montantes recebidos? E de despesas fixas e de funcionamento? No site não vi abordado este assunto!
Refere o site: Os Bancos Alimentares são instituições não governamentais, apolíticas e não confessionais. Comprometem-se a praticar uma gestão transparente que obedece a regras estritas, idênticas para todos os Bancos. Possuem contabilidade organizada e as contas são auditadas anualmente por uma empresa exterior, que garante a sua idoneidade.
Trata-se naturalmente de uma informação importante! Mas, e relativamente aos critérios de escolha das instituições, para as quais são canalizados os géneros? Há alguma verificação interna e/ou externa relativamente ao seu cumprimento?
E que critérios são esses? O do reconhecimento pelo Estado? E/ou pela Igreja Católica? E/ou por outras confissões religiosas? Outro critério qualquer? É matéria que igualmente não encontrei no site!
Todas as questões que coloquei até já poderão ter sido objecto de informação por parte do Banco, ou por outra qualquer entidade! Se assim é, muito bem! Óptimo! Desconheço e gostaria de saber a forma de conhecer. No entano, se o Banco Alimentar não fez ainda a divulgação pública deste tipo de dados, acho que o deveria fazer.
Penso ainda que, independentemente de quaisquer relatórios anuais, que possam ser publicados, as informações mais relevantes poderiam ser canalizadas através do site, o qual, hoje em dia, é expectável que constitua um meio privilegiado de divulgação de informação.
Quando assim não acontece, as expectativas de conhecimento da Instituição, ficam prejudicadas para quem naturalmente tem interesse por uma entidade com a notoriedade pública do Banco Alimentar.
Penso, sinceramente, que quando há uma mobilização tão grande da sociedade, durante tanto tempo e uma dimensão tão considerável de meios obtidos por doação, as questões que coloquei terão algum interesse, não podendo por isso um veículo previligiado como a internet limitar-se a pouco mais do que simpáticas generalidades!
Finalmente, desejaria manifestar enquanto cidadão que utilizou o dia de ontem para descansar, o meu reconhecimento pelo empenho e generosidade de todos aqueles que o utilizaram para que se conseguisse efectuar ontem uma recolha tão importante de mantimentos para os mais necessitados!
Tem sobretudo que ver com o enredo do filme “The Jazz Singer”, o primeiro filme sonoro da história do Cinema, de que faz parte.
Talvez esta canção chamada My Mammyvenha hoje a propósito!!! Neste dia dedicado ao Comércio, por interpostas pessoas: As Mães!
A versão que aqui coloco, é ligeiramente diferente da original, criada por Al Jolson, e nos anos imediatamente posteriores à morte de Judy Garland, era regularmente cantada por Minnelli nos seus espectáculos.
Para Minnelli, pela forma como a cantava, seriam decerto momentos de emotividade muito especial, para o público que assistia e que conhecia a ligação forte entre mãe e filha, seria decerto um momento de particular magia!
Ficou, dessa época, esta versão, tirada de um espectáculo feito para a televisão em 1972, na sequência da obtenção do Óscar para Cabaret.
Este espectáculo coreografado por Bob Fosse acabou, ele mesmo, por ser vencedor de um Emmy.
O espectáculo chama-se “Liza with a Z”, e para quem gostar desta canção, aconselho que procurem escutar uma outra interpretação ao vivo, tirada de um espectáculo em Paris, também no começo dos anos 70, ainda mais emotiva e espectacular.
Posteriormente, Minnelli deixou de incluir este tema nos seus espectáculos, mas mais recentemente, numa digressão que realiza desde o final do ano passado pelos Estados Unidos, retomou-a…. E ainda bem!
E já agora, a todas as Mães do mundo, um feliz, um muito Feliz dia!
Passado um ano sobre o desaparecimento de Maddie, penso ser uma altura própria para a recordar aqui e para lembrar também outras crianças ainda desaparecidas.
Infelizmente o tempo acaba por alterar drasticamente as feições infantis, mas a memória de quem vir estas fotos pode eventualmente ajudar.
Mais do que tudo, hoje o que pretendo, é pedir à polícia para que não desista nunca de procurar todas as pessoas desaparecidas, crianças ou adultos. Por elas, pelas famílias, pela sociedade em geral!
Se a Polícia tiver poucos meios, torna-se necessário que o Governo resolva o problema e que esta seja uma questão permanentemente prioritária para qualquer Governo!
Se para o conseguir tivermos que fazer um coro de protesto, façamo-lo!
A propósito ainda do 1º de Maio, enquanto quem manda nos vai tratando como números, o pior que nós podemos fazer a nós próprios é propormo-nos ao combate, vestindo exclusivamente a pele de lutadores, pondo para trás, no dia a dia, afectos e memórias.
Por isso, hoje, neste de dia de luta, deixo aqui algumas imagens que, tal como há algumas décadas atrás me inspiram ainda hoje uma imensa ternura. Lembram-se do filme Melody?
Transcrevo aqui, sem mais comentários uma notícia de hoje do semanário SOL!
Uma menina de oito anos tenta atravessar a fronteira entre o Paquistão e o Afeganistão de forma clandestina por transportar «ilegalmente» dois quilogramas de farinha. Um guarda do Paquistão empurra-a, a criança cai e acaba esmagada por um camião
A situação foi testemunhada pelo presidente da Assistência Médica Internacional (AMI), Fernando Nobre, que hoje a utilizou numa entrevista à agência Lusa para ilustrar o drama da falta de alimentos que tende a aumentar por todo o mundo.
O médico, contactado por telefone em Londres, onde estava em trânsito para Lisboa, manifesta-se chocado pelo drama a que assistiu, causado indirectamente pela proibição imposta pelo Paquistão à exportação de farinha para o Afeganistão, onde aquele alimento básico aumentou 120 por cento nos últimos dez dias.
Nobre foi ao Afeganistão inaugurar uma escola e um centro de saúde, a funcionar já há sete meses numa aldeia dos arredores de Jalalabad, construídos com 250 mil dólares (160.000 euros) em donativos reunidos pela AMI, e que proporcionam já a escolaridade a 600 crianças: rapazes de manhã e raparigas à tarde.
Como a miúda que morreu, muitas outras crianças tentavam iludir a vigilância policial para conseguir atravessar a fronteira na estrada que liga Peshawar (Paquistão) a Jalalabad (Afeganistão), como assistiu o presidente da AMI durante as quatro horas que esteve retido devido ao corte da estrada causado pela morte da criança.
«A situação [de escassez de alimentos] preocupa-nos imenso em termos internacionais», disse Fernando Nobre, que lidera uma organização com representação em 44 países, muitos deles em África e na Ásia, continentes onde o drama causado pelo disparo do aumento dos preços dos alimentos base tem maiores efeitos.
Outro exemplo do drama alimentar: um salário médio no Bangladesh dá para comprar quatro quilos de arroz, o que significa que, feitas as contas, em média, cada elemento da família desse assalariado dispõe de 25 gramas do cereal por dia.
«A comer assim, quanto tempo é que as pessoas sobrevivem», interroga-se Fernando Nobre, para quem o problema vai ganhar «proporções dantescas», «nos próximos meses e nos próximos anos».
Esta realidade acontece enquanto «passam por cima das nossas cabeças [nas redes de telecomunicações internacionais] biliões de dólares por segundo resultantes de actividades especulativas que não pagam um tostão de impostos», considera.
A solução, defende Fernando Nobre, passa pela regulamentação, num «mundo que está desregulamentado» e onde a especulação com alimentos tem que «sofrer uma intervenção rapidamente».
«Os grandes fundos de especulação [que procuram grandes lucros no mínimo de tempo] estão a investir na área alimentar», condena o responsável da AMI.
Ao contrário, o que deve acontecer para inverter a crise crescente é «regulamentar a questão da especulação e criar regras de comércio justo», sustenta.
Outra medida que Fernando Nobre propõe é o perdão da dívida contraída pelos países pobres junto do Ocidente rico, já que «80 por cento dessa verba foi desviada pelos governantes corruptos desses países», pelo que não atingiu os objectivos pretendidos.
Pelo actual caminho, «vamos ficar sob alta pressão» e «os desafios que aí vêm grandes. Não podemos esconder a cabeça como a avestruz», alerta o médico.
É que, assegura, «a massa de descontentes a nível global está a aumentar» e, para «um pai, ver os filhos a morrer à fome ou pegar numa espingarda e fazer alguma coisa» torna-se numa saída possível.
E, para comemorar a ocasião, o Governo apresentou recentemente um conjunto de medidas que, no seu global, reduzem alguns dos direitos dos trabalhadores, consignados na actual legislação.
Aumenta a possibilidade de despedimentos, altera o conceito de horário de trabalho e cria formas de maior arrecadação de receitas sob o pretexto de controlar a precariedade.
E que razões invoca o Governo para justificar estas medidas?
Pois bem, diz que é para tornar as Empresas mais competitivas!
Mas, tudo o que o senhor Primeiro Ministro tem dito nos últimos dois anos, sobre uma aceleração do crescimento da economia, sobre o aumento do investimento e sobre a performance das nossas exportações não revelará então que, as empresas para crescerem, produzirem e obterem lucros, podem consegui-lo perfeitamente no actual quadro legislativo?
Eventualmente, se houvesse em Portugal trabalho escravo, as Empresa ficariam mais fortes e as estatísticas de investimento seriam mais positivas! Será que é esse o objectivo final?
É bom recordar que o 1º de Maio comemora a luta dos operários para obter o horário de 8 horas por dia. E que essa luta se deu em 1886!
Por ela morreram na forca e ficaram em prisão muitos sindicalistas de Chicago. O seu exemplo e a sua determinação serviram para que as condições de trabalho que hoje temos sejam mais humanas e justas. Deu-se aí uma vitória da civilização, com a aprovação pelo Congresso americano em 1890 do horário das 8 horas!
Ora, ao pôr em causa essa conquista, criando o chamado banco de horas, num ambiente empresarial que, mesmo com a actual Lei, não respeita, em muitos casos, o pagamento por trabalho suplementar, está-se, no fundo, a querer voltar a um modelo do século XIX.
É um retrocesso civilizacional que deveria envergonhar quem o propõe!
Para competir? Mas, competir com quem? Com a China e Índia? Com Marrocos e a Indonésia? É para modelos de sociedades que agora estão a fazer a sua Revolução Industrial que os actuais dirigentes deste mundo nos querem levar?
Ao celebrar acordos de comércio livre com estes países, os governantes ocidentais não o fizeram levianamente.
Sabiam muito bem que o faziam em favor da penetração das multinacionais em países que lhes tinham fechado as portas até aí.
Sabiam muito bem que a contrapartida seria a entrada no nosso mercado de bens produzidos com trabalho infantil e quase escravo.
Sabiam muito bem que estavam a criar um pretexto chamado globalização, para retirar aos trabalhadores ocidentais regalias e direitos, por forma a tornar "competitivas" as empresas.
Sabiam muito bem e não se importaram, porque assim as empresas dominantes ganhariam em todas as frentes.
Será de admirar que os políticos ocidentais, tenham tomado estas opções? Nem por isso? Afinal, bem vistas as coisas, não são os detentores do capital que criam e promovem os políticos que hoje governam o mundo?
O resultado final, é o da engorda permanente das grandes Empresas, tendo como contrapartida uma perda de direitos e de rendimentos dos trabalhadores de Cleveland a Manchester, de Liège à Amadora, de Milão a Hamburgo.
Mas será que, por se tratar de um fenómeno global, criado e aceite pelos políticos destes ultimos vinte anos, teremos nós, cidadãos, que ficar parados e conformados?
Não foi essa a atitude dos trabalhadores de Chicago em 1886!
Compete-nos a nós portanto, aqui e agora, honrar a sua herança e tentar mesmo aprofundá-la!
Quanto às grandes Empresas e aos especuladores financeiros, para os quais os governantes neo-liberais estão a trabalhar, desenganemo-nos, as suas investidas não irão ficar por aqui. A sua sede de poder e de dinheiro fá-los-á querer sempre mais e mais e mais.
Em Portugal, pelos vistos, tê-lo-ão alegremente e, ironia do destino, pelas mãos de algumas pessoas que se dizem socialistas!
O disfarce do lobo com a pele de cordeiro, foi sempre o mais astuto, hábil e eficaz método de embuste!
Hoje gostaria de falar um pouco sobre a cantora Milva. É desde sempre uma das minhas vozes preferidas.
Conhecida em Portugal, não possui contudo a notoriedade que merece, o que é uma pena, pois a ausência de informação sobre esta e outras figuras da música mundial empobrece necessariamente as novas gerações.
Aliás, em Portugal, exceptuando o caso recente de Aznavour, os grandes nomes da música vão passando alegremente despercebidos.
A chegada de Mourinho a Lisboa para férias teve direito a directos televisivos, contudo a vinda de uma Bartoli ou de um Venguerov para actuar são acontecimentos que ficam quase ignorados pelo grande público e limitados a um pequeno número de privilegiados.
No próximo dia 2 de Agosto, a cidade de Dresden, tão célebre pela sua beleza, como pela completa destruição que sofreu no final da Segunda Guerra Mundial, vai ser palco de um acontecimento musical raro. Irão actuar nesta cidade e no mesmo espectáculo, três grandes vozes femininas: Monserrat Caballé, Milva e Angelika Milster. Talvez por isso mesmo o espectáculo tenha como denominação Diva Máxima.
A actuação será ao ar livre na Theaterplatz, local simbólico, escolhido pelas três cantoras como o mais adequado à grandeza do espectáculo e à necessária homenagem que desejaram fazer à cidade e à sua reconstrução.
Quem puder assistir decerto que não se irá esquecer desta conjugação memorável destes três nomes do canto europeu e mundial.
Mas permitam-me que fale de uma das cantoras, Milva, cuja voz sempre me impressionou, desde que a ouvi, pela primeira vez em 1966, no Festival de San Remo, cantando Nessuno di Voi.
Uma cantora que no próximo ano celebrará 50 anos de carreira e 70 de idade, mas que se mantém ainda em plena actividade.
Apresentada em 1961 no Festival de San Remo como rival de outra grande cantora italiana Mina (os jornais chamavam-lhe a anti- Mina), procurando a imprensa da época gerar um "motivador" clima de disputa que, mais tarde em Portugal se procuraria copiar fomentando rivalidades entre Simone e Madalena, assim como entre Calvário e Garcia.
Em 1972 a RAI, mostra-nos entretanto um momento excepcional em que as duas grandes vozes italianas femininas percorrem em conjunto um caminho de Jazz.
Contudo, desde cedo esta cantora mostrou ser mais do que uma boa voz da música ligeira, quando em 1962 gravou um disco de canções revolucionárias, tornando-se a partir daí uma referência musical para a esquerda italiana.
Não será de estranhar portanto, que a ruiva (rossa) Milva passasse a ser conhecida, por Milva, La Rossa, jogando esse cognome com o facto de Rossa significar simultaneamente ruiva e… vermelha.
Milva, de timbre grave e de uma extensão vocal extraordinária, mostrou desde sempre uma notável capacidade interpretativa tendo-se tornado para Astor Piazzola a sua interprete favorita, para quem escreveu e dedicou a sua única Ópera, Maria de Buenos Aires.
Aqui vê-la-emos em Rinasceró - Preludio per l'anno 3001 e Balada para un loco acompanhada em palco, como de costume, pelo próprio Piazzola.
Milva, tornou-se igualmente uma interprete de referência de Brecht e Weil, e foi exactamente para os cantar que se deslocou a Lisboa, na década de 80.
Esteve em São Carlos, para um concerto tão pouco anunciado que só dei por ele quando saíram as críticas... pouco entusiasmadas, diga-se de passagem, dado que as ligações da cantora à musica ligeira, faziam notória urticária aos críticos, que além do mais acharam despropositada a escolha do São Carlos para uma récita de Brecht.
Esse tipo de preconceitos não parece ter, no entanto, muitos seguidores no resto da Europa:
O Presidente Alemão concedeu-lhe a mais alta condecoração de mérito, para a que considerou a melhor interprete de Brecht, reconhecendo o seu contributo para o prestigio e divulgação da da língua e poesia alemãs.
Ou o Governo francês, que lhe outorgou equivalente condecoração pela qualidade artística das suas interpretações da música francesa.
E quanto à escolha das Salas, o São Carlos não se enganou, ou então também estarão equivocados o La Scala de Milão, o Royal Albert Hall, a Deutsch Oper, a Ópera de Paris, ou até mesmo o Festival de Edinburgh, que sempre lhe abriram gostosamente as suas portas.
A sua versatilidade, leva-nos de Morricone a Theodorakis, de Vangelis a Francis Lai, de Piaf a Lúcio Berio. Há nesta voz, muito para escolher e para ouvir….
Antes de morrer Piazzola fez a Milva uma última oferta, uma Ave Maria, dizendo-lhe para a cantar quando apenas se sentisse preparada para tal.
Quase aos 70 anos, Milva resolveu cantá-la e deixo aqui o vídeo da apresentação desta belissíma obra de Piazzola,
Entretanto, com um repertório prestigioso e uma carreira notável, se formos averiguar qual o seu maior sucesso popular, teremos uma surpresa. É que não foi nenhuma das interpretações excepcionais que Milva deixou gravada, que suscitou o maior entusiasmo do público, foi uma canção bem popular, que todos conhecemos muitissimo bem.
Pois é verdade. foi exactamente este o seu maior êxito de vendas: Um simpático e bem humorado fado, no estilo habitual de Alberto Janes, chamado É OU NÂO É, originalmente criado por Amália Rodrigues, mas que no resto da Europa, devido a esta recriação de Milva ficou conhecido por LA FILANDA.
Velha, feia, com simpatias comunistas e até mesmo lésbica são algumas das criticas que a campanha política norte-americana vai deixando cair sobre a Senadora Hillary Clinton.
Na política americana vale tudo mesmo. E há tão pouco pudor que há sites escpecializados em coleccionar e mostrar imagens desfavoráveis dos candidatos, mas com especial preferência num deles (vá-se lá saber porquê?) vidé http://www.zombietime.com/really_truly_hillary_gallery/.
Quando não há outros argumentos recorrem-se a estes tristes exemplos, que se lançam na imprensa, para criar sucessivos factos políticos:
O facto, é que a objectividade e a verdade vendem poucos jornais e dão pouca audiência a telejornais. Desconfio mesmo que quanto mais incapazes e tolos forem os governantes, mais felizes ficam os donos dos meios de comunicação:
Para se ter um pouco de equilibrio, tem que se estar atento a todas as propagandas e por isso, neste momento de Obamomania, que parece estar instalado em todo o lado deixo aqui um pequeno video sobre a tal bruxa, como lhe chamamaram já alguns orgãos de comunicação americanos:
Mais do que pelos discursos, o passado diz decerto muito sobre um candidato.
Em 2001, João Soares em Lisboa, estava certo de que o seu trabalho no municipio seria a melhor propaganda possível para demonstrar aos eleitores a vantagem da sua continuidade.
Hillary, tem desde o início, vindo a insistir nessa mesma posição! Receio que tenha o mesmo destino do João!
Se isso acontecer, só espero que não suceda nos Estados Unidos, a mesma catástrofe que aconteceu depois em Lisboa, onde afinal, para os eleitores, a capacidade retórica parece ter mais valor do que a garantia de um passado de trabalho com sucesso!
E Obama, que não tenha dúvidas, se for o vencedor vai ser ele de certeza, a próxima vítima!
Em 2006 um jovem casal, abriu no Monte Estoril, um dos restaurantes que eu considero do melhor que o nosso panorama gastronómico tem para nos oferecer.
Ambos com um curriculum invejável, passaram já pelos melhores restaurantes da zona de Lisboa.
Ele, o chefe João Antunes, recém galardoado pela Academia Portuguesa de Gastronomia, tem a arte de saber criar e de simultaneamente nos devolver os sabores que tinham ficado lá para trás, nas nossas memórias de infância. Perfeito na confecção e na conjugação de sabores.
Ela, a chefe de sala e responsável pelos vinhos Rita Caldas, tem sempre a par da simpatia e elegância de trato, a capacidade de escolher os mais adequados vinhos para cada prato, para cada sabor.
Estive lá há quinze dias, na minha quinta ou sexta visita, e optei pelo menu de degustação da nova Carta de Primavera. Excelente!
Começou-se, após um delicioso amuse bouche, pelas vieiras salteadas! Apareceram-nos de textura muito agradável, acolitadas de uma massa de arroz no ponto certo, deliciosamente apaladada pela citronela (uma planta semelhante à menta e cujas folhas possuem um aroma a limão) acompanhados de cogumelos selvagens salteadamente saborosos!
Ainda no âmbito das entradas provou-se as molejas. E digo provou-se pois foi a primeira vez que tal passou por este gasganete, já eu sou normalmente renitente a aventuras por partes menos conhecidas e mais viscerais dos animaizinhos. Contudo, também aqui a experiência foi positiva, quer pelas próprias molejas, quer pelos sabores adjuvantes das chalotas e dos espinafres!
Seguiu-se a raia, cujo tratamento, tal como em confecções anteriores deste batoíde, revela uma propensão especial do chef para o cartilaginoso espécime! Desta vez vinha escalfado em caldo de peixe e revelou ter uma carninha consitente q.b. e um sabor marítimo perfeito. Os knepfles de mangericão e os grelos de nabo salteados revelaram-se uma excelente companhia.
Seguidamente passou-se ao Carré de borrego, no ponto exacto, com a surpresa dos bolinhos de alho, cremosos no seu interior, que vieram juntamente com umas batatinhas assadas no forno e uns legumes grelhados muito a propósito, acrescente-se.
Terminou-se o repasto, primeiro com um aclarador de paladar à base de alperce, seguido do Fondant de amêndoa e chocolate e gelado de Mandarina. Quase perfeito, neste caso, pois não encontrei suficiente toque da amêndoa, como estava à espera…
Quanto aos vinhos, direi apenas, para que a memória não me atraiçoe e comece a confundir o que não merece ser confundido, que as combinações propostas pela Rita Caldas, foram excelentes e que tiveram várias origens nacionais e uma experiência francesa (um chardonnay Louis Latour 2005) que funcionou muito bem com as ambos os sabores do mar!
Em cena, no Maria Matos, é uma peça onde se vêm potencialidades várias e desajustes múltiplos também!
A morte de uma mãe, promove o reencontro de dois irmãos e suas mulheres, todos entretanto em pleno desencontro afectivo.
Discutem, fumam, bebem e agridem-se verbalmente na moderna sala de estar de um deles e perante as cinzas da progenitora.
Uma ideia, ou como diz o folheto de apresentação, o mote (criado por Edward Albee) descreve o que se passa: O inferno pode ser uma sala confortável e um casal insatisfeito!
Uma ideia interessante! Já pouco original, mas sempre interessante! É sempre apelativo ver-se dramatizações do relacionamento humano, sobretudo quando nos mostram situações extremas e diálogos amargos entre personagens amarguradas. Já muitas peças glosaram esta temática, umas são mais felizes que outras, umas dão origem a melhores espectáculos que outras.
O pior para esta é que, se viermos a estabelecer comparações com a que lhe serve de matriz, fica naturalmente a perder. Refiro-me a “Quem tem medo de Virgínia Woolf”, pois fica muito evidente que nela se inspira: na temática, na localização cénica, no conjunto de personagens (dois casais) e até no uso de palavrões.
O alucinante jogo da verdade que vemos na peça de Albee, aqui aparece numa versão mais modesta de confissões mútuas entre irmãos e entre cunhadas.
No entanto, apesar de exigir, tal como a outra, um esforço imenso dos respectivos interpretes, esta Ronda Nocturna nem nos oferece um texto muito conseguido, nem nos dá um grande espectáculo.
O texto desenvolve-se em círculos, longos e repetitivos. Tão longos e tão repetitivos que ao fim de algum tempo a voz dos actores passa a ter como música de fundo o ranger das cadeiras dos espectadores que entretanto não conseguem disfarçar o cansaço perante um texto infindável e cadeiras pouco confortáveis.
Não conheço o texto original e por isso mesmo não sei se os defeitos que encontrei resultam daí, de uma má tradução ou de uma deficiente adaptação. O que sei é que o espectáculo a partir de certa altura, parece apenas uma sequência de cenas que são meras versões de cenas anteriores. Na última meia-hora do espectáculo a sensação de um déjà vu cansativo é inevitável!
Sugere-se levemente a dado momento que existe algo no passado dos irmãos próximo da pedofilia, mas tal nunca se confirma. Sugere-se vivências que são completamente inverosímeis (um pai que não desliga o telefone para que, do outro lado, a filha, que patina incessantemente pela casa, se sinta mais segura….). Sugerem-se traições conjugais, cujos contornos e dimensão ficam por se entender. Fala-se de camas que se vão pedir, a meio da noite, aos vizinhos… Descobre-se que a filha, patinadora impenitente de 11 anos, é também uma obesa embaraçosamente inapresentável, com uma fixação doentia pela comida.... Um texto que se apresenta portanto, com fragilidades lógicas e debilidades na sequênciação da sua linha condutora, estranhamente óbvias e que requer por isso um esforço adicional dos actores para que se torne credível. Um tipo de peça como esta é sem dúvida uma peça que exige muito dos actores. Quatro actores em palco, em diálogo pernamente, que precisam de um excelente texto para que tudo valha a pena. Se forem óptimos, talvez até nos consigam fazer esquecer algumas debilidades do argumento e dos diálogos. Infelizmente não foi o caso! Sendo uma peça a quatro vozes, um resultado final equilibrado passaria também pelo equilíbrio das respectivas qualidades interpretativas. Também não é o caso! Apesar de todos terem mostrado uma entrega enorme ao seu trabalho!
António Capelo vai melhorando ao longo da peça, mas o seu débito do texto é quase sempre monocórdico. Se nos estivesse a recitar a lista telefónica, decerto que não precisaria fazer diferente. Tem em compensação, uma boa presença física e gestual, imprescindível para o seu papel e, sem dúvida, um cuidado enorme com a sua dicção.
Orlando Costa, mais convincente, mas em muitos momentos com uma má dicção e escusadamente excessivo na projecção de voz e nos gestos.
Custódia Galego, com o papel mais apagado, em muitos momentos quase que parecia pedir desculpa por estar ali! Melhor que nas falas (algo monocórdica também) deu óptimas contra-cenas.
Luísa Cruz, a mais completa, também com um início algo imperfeito, melhorou rapidamente e deu-nos a melhor das quatro interpretações da noite. Revelou-se sem dúvida ser um excelente animal de palco. Na colocação da voz, no desenvoltura do gesto, no registo certo, na postura física. Um nome a reter…
Muito boa a cenografia. Quinta personagem desta peça, o cenário revelou-se muito bem conseguido. Moderno, elegantemente simples, coerente com as personagens. Parabéns a José Barbieri. Mas também a Cristina Costa pelos figurinos acertados para cada uma das personagens, a José Nuno Lima pela iluminação, ora sombria, ora dramática, e a Luis Aly pela sonoplastia.
Apesar dos defeitos apontados, o espectáculo revelou-se digno e quem quiser estar a par do que se vai fazendo em Lisboa, não fará mal em ir até ao Maria Matos. Na noite em que eu estive presente, muitos dos espectadores gostaram e até aplaudiram de pé!
Um cidadão, nascido em 1956, amante de cidades e de uma vivência de cidadania sã!
Adepto da Liberdade, minha e de todos os outros.
Adepto do respeito, para mim e para todos os outros!
Crente que a utopia vale a pena e que lutar por ela é ganhar tempo!