segunda-feira, setembro 01, 2008

O destino de duas mulheres

Completam-se hoje precisamente 39 anos que o chamado “affaire Gabrielle Russier” teve um desfecho trágico!

Gabrielle Russier, uma jovem professora divorciada de 32 anos apaixonara-se por um seu aluno, Christian, de apenas 16 anos.

Os pais do adolescente, dando-se conta do envolvimento amoroso dos dois, participaram o caso à Polícia e Gabrielle foi detida em Abril de 1969.

Julgada em Julho desse mesmo ano e condenada a doze meses de cadeia, apontada a dedo pela sociedade, e liminarmente afastada do lugar de assistente a que se candidatara na Universidade de Aix-en- Provence, Gabrielle, humilhada, mergulhada no desgosto e vergada pela vergonha perante a sociedade e especialmente perante os seus dois pequenos filhos, suicida-se em 1 de Setembro de 1969.


Gabrielle Russier


Apesar do caso ter escandalizado e dividido a França e ter constituído motivo de acesos debates, o suicídio de Gabrielle foi praticamente silenciado na comunicação social, como se de algo irrelevante se tratasse.
No entanto, dois anos depois, o realizador de cinema André Cayatte inspira-se neste caso e, adaptando a história, faz um filme, em que a personagem da infeliz professora seria representada por Annie Girardot.




Annie Girardot


O filme a que Cayatte deu o nome de “MOURIR D’AIMER” foi um sucesso extraordinário em toda a parte. Tal como a canção de Aznavour sobre o mesmo tema e com o mesmo título!

A aura de escândalo deste dramático caso da vida real, deu-lhe também em Portugal um enorme sucesso e, recordo-me bem, de ouvir soluços e choros contidos na sala onde assisti à sua projecção!

Annie Girardot, uma das mais prestigiadas e premiadas actrizes francesas de sempre, esteve notável e conseguiu tocar profundamente os espectadores de todo o mundo.



A carreira de sucesso de Annie continuou mas, tal como tem acontecido com muitas actrizes, devido ao avançar da idade, passou a ter papeis cada vez menos interessantes (recordo-me apesar de tudo de a ver ainda magnifica 3 anos depois em Chove em Santiago de Helvio Soto).
A sua paixão de sempre, o Teatro, foi por isso uma opção compreensível e inevitável.

Mulher de causas e sem medos, no principio dos anos 80, não quis deixar que a velhinha, mas prestigiada sala do Casino de Paris, fosse transformada num silo de automóveis e, associando-se à cantora Catherine Lara, embarcou na aventura de produzir uma comédia musical chamada “Revue et Corrigée”.

Foi um fracasso total!
Após cinco apresentações, tiveram que fechar as portas e, enquanto Lara se refugiava em casa durante quase um ano, abatida numa depressão profunda, Annie, que perdeu com esta aventura o que tinha e o que não tinha, embrenhou-se cada vez mais no trabalho:
Pequenos papéis no cinema e o Teatro… sempre e sobretudo o Teatro!

Pegando numa extraordinária peça brasileira chamada “Apareceu Margarida” de Roberto Athayde, que em 1973 catapultara Marília Pêra para a galeria das melhores actrizes do Brasil, Annie transformou este texto na sua peça talismã, dando-lhe um sucesso tal que de Praga a Montevideu era chamada para representar a sua “Madame Margueritte”.


Esta peça é um monólogo brilhante, que mostra uma professora louca e tirânica que, perante os seus discípulos, serve-se da sedução à chantagem e da demagogia à pura repressão, maltratando os alunos e envolvendo-os no seu mundo demencial! Uma peça para grandes actrizes!

Ora, foi precisamente numa das digressões de Madame Margueritte, em Montevideu no ano de 2001, que algo correu mal a Annie Girardot. Cansaço e falhas de memória levaram à interrupção da peça e ao cancelamento das suas apresentações!

Os jornais sul-americanos disseram então que Annie Girardot estava com problemas de saúde devido a esgotamento provocado por constantes e longas viagens.

A imprensa francesa, contudo, foi mais agressiva e afirmou, com todas as letras, que o problema de Girardot se devia ao consumo excessivo de álcool e drogas e que portanto as suas crescentes dificuldades em palco nada teriam que ver com simples cansaços de viagens.

Nos anos que se seguiram essas acusações foram-se repetindo e tomando proporções tais que levaram a que, em Setembro de 2006, o seu advogado Emmanuel Asmar fizesse uma declaração pública que espantou toda a gente:

Há vários anos que Annie Girardot se encontrava a lutar contra a doença de Alzheimer!


No dia seguinte a edição da revista Paris-Match trazia uma entrevista com a neta e com a filha de Annie, em que se percebeu como vivia e como conseguia trabalhar essa mulher afectada por tão terrível doença.

Os primeiros sintomas foram detectados pela filha Giulia Salvatori, durante umas férias na Sardenha, em que Annie a confundiu com a avó já falecida.

A partir daí, a mente confusa e a perda de memória tornaram-se mais evidentes e o mal foi diagnosticado.

Annie entrou então num estado de intermitência entre a apatia e a lucidez, percebendo-se desde logo que a sua melhor terapia seria a continuação do trabalho.

Os seus grandes olhos expressivos que entretanto começaram a ficar mortiços e fixados no vazio, ganhavam vida e um brilho novo, sempre que ouvia o comando de ACÇÃO dos realizadores.

Nesses breves momentos parecia que a doença de Annie deixava de existir e ela representava, como sempre o fizera, brilhantemente!

Os pequenos papéis que foi fazendo, sempre sentada e com o menor número de movimentos possível, implicavam horas e horas de leitura conjunta com a sua filha, apesar de as suas falas se limitarem a frases curtas e simples.

Frases que precisavam ser revistas e relidas centenas e centenas de vezes, tendo Annie que trazer sempre consigo um auricular através do qual a sua filha lhe ia transmitindo o texto!

Filha e neta contam como Annie Girardot vive agora num mundo imaginário, no qual seu marido Renato Salvatori e sua mãe, ambos já falecidos se encontram para ela vivos e sempre presentes.

O facto de ela trabalhar, mesmo nestas impossíveis condições, deve-se ao facto de que a família saber que é isso que ainda lhe alimenta e prolonga a vida.

O apoio de amigos, como o do realizador alemão Michael Haneke, que fora muito criticado por apresentar uma Annie Girardot excessivamente devastada, no seu filme “A Pianista” com Isabelle Huppert, tem sido decisivo para isso.

Annie Girardot com Isabelle Huppert em A PIANISTA
Na verdade, mais do que crueldade ou desrespeito, por não se inibir de apresentar o aspecto envelhecido de uma grande actriz, Haneke teve com ela uma paciência infinita para que as cenas se pudessem realizar.

Desbaratado o seu património com fracassos teatrais imprevistos e com a necessidade de apoio à sua doença Annie Girardot vive agora dos direitos autorais dos seus livros e de uma pensão de 900 Euros mensais.

Os dois empregados que apoiavam a Annie foram já substituídos por familiares que se revezam nesta difícil tarefa, já que qualquer instituição capaz de receber pessoas nestas condições custa, em França, no mínimo, 3000 Euros mensais.

A sua filha entretanto, no final de 2007 publicou um livro com as memórias de sua mãe.
Em MEMOIRES DE MA MÉRE, mais do que pormenores infelizes destes últimos anos de Annie, esta biografia fala de uma existência, rica, cheia de coisas interessantes e de peripécias que fazem já parte da História.
Ficou, por exemplo, finalmente, desvendada a identidade do amante de Annie, que para não ser apanhado com ela na cama por um inoportuno visitante, se viu obrigado a fugir em cuecas pelas traseiras da casa.
Esse seu amante, soube-se agora, dava pelo nome de.... François Mitterrrand!

Depois de uma carreira espantosa, a família não quis que a imagem prevalecente da belissima Annie Girardot, que deslumbrou o mundo em Rocco e Seus Irmãos de Visconti, ficasse afinal a ser marcada pela da pobre velhinha doente.
Annie Girardot em ROCCO E SEUS IRMÂOS de Visconti
Infelizmente, pelo que se sabe da evolução da sua doença, Annie, que já mal se movimentava, hoje em dia, quase a completar 77 anos, também já praticamente não fala.


Recordo, quase a terminar, a frase que André Cayatte utilizou, quando questionado sobre as razões da escolha de Annie Girardot para a protagonista de Mourir d’Aimer: “souffrir avec énergie lui va bien”.

segunda-feira, agosto 25, 2008

A discreta Roslyn

Venho hoje falar um pouco de Roslyn Kind.

E faço-o não só a propósito do seu “novo” disco, recentemente posto à venda nos Estados Unidos e Reino Unido, mas também porque ela concretizou recentemente o seu maior sonho de sempre: Fazer um espectáculo na famosa sala do Carnegie Hall!




Aos 57 anos, possui uma carreira artística já com cerca de 40 anos, feita como cantora e como actriz, quer na televisão quer no cinema.

Roslyn tem uma carreira que apesar de discreta, é bastante respeitada!

Mas… como muitas vezes acontece, há um MAS:

E esse MAS tem que ver com o que referiu muito maliciosamente um crítico de Los Angeles sobre a artista:

Se conseguíssemos olhar apenas para Roslyn, para o seu talento e para as suas capacidades, tal como para outro artista qualquer, diríamos que estávamos na presença de uma artista muito razoável… Contudo, sempre que a vemos, parece estarmos perante uma cópia de série B da sua irmã… E disso, ela nunca se conseguirá livrar!

E na verdade, o que acontece é que Roslyn Kind tem uma irmã com imenso sucesso no mesmo meio artístico onde se move!

Roslyn é a irmã mais nova de Barbra Streisand!



Roslyn ao centro, entre a mãe Diane e a irmã Barbra


Penso que independente do talento ou da falta dele, muitas vezes um artista não consegue chegar ao topo, porque não apareceu “aquela” canção especial ou “aquele” filme ou “aquela” série.

No início da sua carreira, enquanto a sua irmã já brilhava na Broadway e no cinema, Roslyn oferecia, como ponto alto do seu repertório uma versão pouco conseguida de Mon Credo de Mireille Mathieu.





Numa altura em que Mireille andava, ela própria, a gravar versões dos êxitos do musical Funny Girl, esta opção de Roslyn não foi bem compreendida pela crítica americana, acabando em consequência por passar pouco nas rádios e por raramente chegar ao público!

Roslyn, entretanto, querendo subir pelos seus próprios meios, fez o mesmo que milhares de outros artistas que nos Estados Unidos enfrentam uma acesa competição diária, nas centenas de cadeias de televisão e rádio… foi fazendo pela vida, sem nunca desistir!

Manteve, uma presença assídua, embora modesta, na Televisão e uma regularidade persistente na apresentação pública dos seus espectáculos em Teatros, Casinos e Night-Clubs.

Se, na verdade, quanto à carreira de cantora, ela procurou um propositado distanciamento do estilo de Barbra, quanto aos seus desempenhos como actriz, as semelhanças com a irmã, na voz, nos gestos, na mímica, ficam tão evidentes, que nunca acabou por conseguir afirmar uma personalidade própria, que é, como se sabe, absolutamente necessária à obtenção de um lugar de primeiro plano.




Do mesmo modo, a falta de polémicas públicas com a irmã, não a tem trazido para os jornais com a frequência que, hoje em dia, ajuda muito qualquer desconhecido a tornar-se uma celebridade.

Uma única vez os jornais noticiaram que as duas estariam zangadas, lançando o boato de que Barbra não teria comparecido ao casamento de Roslyn, por achar que tinha coisas mais importantes a fazer!

Como o boato foi desfeito rapidamente pela noiva, por a cerimónia ter sido feita, discretamente, em casa da própria Barbra e oferecida por esta à irmã! Roslyn, que se viu pela primeira vez nos cabeçalhos da Imprensa, afastou a partir daí a boa-vontade dos colunistas de Hollywood, que perceberam que ela não sabia, ou não queria jogar o tipo de jogos a que o mundo artístico está habituado naquelas paragens!

Apesar, de desde o principio ser alvo de comparação com a irmã Barbra, da descrição e da sobriedade com que tem gerido a sua carreira, parece agora, quase aos 60 anos, estar finalmente, a ganhar uma notoriedade que até aqui não obtivera.



Contudo, o mais curioso de tudo, é que depois de andar toda uma vida a tentar demonstrar que nada tinha que a confundisse com a irmã, acaba por neste seu mais recente disco dar a impressão exactamente oposta!

É uma pequena amostra do seu estilo actual, vertido para o seu novo CD, que hoje trago aqui, através de uma belíssima canção romântica "You Can Read My Mind", esperando, para os que não a conhecem, que constitua uma agradável surpresa.

segunda-feira, agosto 18, 2008

A Dolce Anna

Houve quem já lhe tivesse chamado a “Audrey Hepburn com voz”.



Houve quem já tivesse dito que é a “nova Callas”



Talvez sejam exageros, talvez haja alguma ponta de verdade em tudo isso.

O certo, é que o começo de carreira, desta ainda jovem artista, é tão incomum, que já se tornou lendário na história do bel-canto e, talvez por isso mesmo, acabe por influenciar toda a adjectivação que lhe colocam.

Natural da cidade de Krasnodar, esta anteriormente promissora ginasta, veio a tornar-se estudante de canto no Conservatório de São Petersburgo, e precisando naturalmente de arranjar emprego para subsistir, encontrou-o! Exactamente no Teatro Marinsky (sede da Ópera de Kirov) de São Petersburgo como... empregada de limpeza, com a tarefa específica de lavar o chão.



Por isso, quando certo dia, a jovem mulher da limpeza apareceu no Mariinsky, não para esfregar os soalhos, mas em dia de audição, causou um enorme espanto ao maestro Valery Gergiev, que reconheceu de imediato aquela bonita Anna, com quem até então se tinha cruzado inúmeras vezes nos corredores, vendo-a sempre de balde e esfregona na mão!

Depois de a ouvir, passou da curiosidade à surpresa e rendeu-se completamente à sua potentissima voz de soprano e à sua espantosa aptidão para o palco. Fez então questão de acompanhar pessoalmente o seu aperfeiçoamento vocal, que previa ser extremamente auspicioso!



Pouco depois de acabado o Conservatório, com pouco mais de 20 anos, Anna estreia-se precisamente no Mariinsky, dirigida por Gergiev, como Suzana das Bodas de Figaro.

De então para cá, a carreira da belíssima Anna Netrebko tem sido vertiginosa. Actualmente, com 36 anos, é já uma das cantoras mais requisitadas do mundo, tendo actualmente como mentora e mestra, a célebre cantora Renata Scotto!

Anna é uma mulher belíssima, e apesar da sua voz magnifica e da sua expressividade notável, muita gente sugere que não fora a sua beleza e talvez não tivesse conseguido tão rapidamente o sucesso que tem alcançado! Críticos e público estão excitada e completamente divididos a esse respeito!

Deixando São Petersburgo para passar a residir em Viena, passou também de um quotidiano de bata, empunhando detergentes para ser um dos rostos mais prestigiados da marca Dolce & Gabana!



Fala-se da sua história, fala-se da sua voz, fala-se dos seus sucessos, fala-se do excesso com que é adorada por uns e criticada por outros, fala-se da sua imagem, fala-se da emotividade com que pisa o palco e enfrenta o público…. Fala-se dela!

Protagonista em todas as principais salas de Ópera e de Concerto do mundo, esta russa de nascimento, há pouco mais de um ano naturalizada austríaca foi, em 2007, a estrela da última noite dos célebres concertos Promenade e fez, mais uma vez, uma enorme sensação, neste caso, particularmente, entre o público masculino!

São imagens desse momento extraordinário de festa e sensualidade que proporcionou ao público do Royal Albert Hall com Meine Lippen sie Kussen so heiss de Franz Lehar, que hoje deixo aqui:

terça-feira, agosto 12, 2008

Uma memória musical! Qualidade ou lucro?

Volto hoje à música, como uma canção de expressão francesa de que gosto muito!

E volto por um caminho que gosto de percorrer. O das recordações da EUROVISÃO





Volto também com uma pequena reflexão mais genérica, partindo da seguinte questão:

Porque é que os meios de comunicação, nomeadamente rádios e televisões, não procuram educar o gosto dos mais jovens e, pelo contrário, transmitem sobretudo a mediocridade?

Creio que a resposta é simples:

É o interesse financeiro que conta! Na verdade por cada bom autor, há decerto muitas dezenas de medíocres, e se educássemos os mais jovens apenas a gostar do que é bom, o número de músicas vendáveis diminuiria, pois seria a qualidade a comandar as opções das pessoas.

E quando a quantidade do que é vendável diminui, os lucros das companhias discográficas reduz-se…

Seria uma desgraça para editoras, rádios e televisões que as pessoas começassem a querer apenas o que é bom! A exigir qualidade!



E esse é o problema.

O Festival da Eurovisão traduziu sempre muito bem essa luta entre qualidade e interesses comerciais, mostrando que, infelizmente, se encontram demasiadas vezes em campos opostos.

O ano de 1978, por exemplo, deu-nos, na minha modesta opinião, um interessante exemplo disto mesmo!

Nesse ano a canção vencedora deu pelo nome de A-ba-ni-bi, e era cantada pelos israelitas Izhar Cohen and Alphabeta.

Foi uma canção que passou nas rádios até à exaustão e que depois se eclipsou, como aliás seria previsível!



Contudo, nesse Festival surgiu uma canção, que sem ser excepcional, era bem mais interessante e que, após a luta de que falei acima, acabou convenientemente relegada para o 2º lugar.

Após o concurso euroviseiro, enquanto que a vencedora nos era "impingida" de segundo a segundo, a outra quase que ficou sequestrada nas gavetas das estações radiofónicas, acabando inevitavelmente por ser remetida para um quase total esquecimento.

Por não prestar? Na minha opinião, não terá sido obviamente o caso! Isso, aliás, nunca foi motivo para que uma música não passasse na rádio!






Por ser de expressão francesa? Poderá ser, uma das razões!

Por não se enquadrar na moda do momento? Pode ser outra razão!

O certo, é que o tema central de ambas as canções é o AMOR e cada uma trata-o à sua maneira. As opções editoriais preferiram a isrealita.

A tal canção de expressão francesa que referi no início deste post e que, 30 anos depois, ainda me dá muito prazer ouvir, chama-se L'Amour ça fait chanter la vie, foi a representante da Bélgica nesse já distante festival eurovisivo!

É com o maior gosto que, à simples medida de um pequeno blog, a desejo retirar do ostracismo a que foi votada e recordá-la aqui, na voz do seu excelente interprete, Jean Valleé, esperando que gostem tanto dela quanto eu!



L'amour, ça vous met dans le cœur Des crayons de couleurs pour dessiner le monde
L'amour, on devient musicien
De vrais petits Chopin, rien que pour une blonde
L'amour, c'est tellement fantastique Ça met le bonheur en musique
Ça rit de toute sa symphonie L'amour, ça fait changer la vie L'amour, ça vous met dans les yeux Un regard fabuleux qui vous change un visage
L'amour, ça vous donne des ailes Pour monter dans le ciel jusqu'au septième étage
L'amour, c'est tellement fantastique Ça met le bonheur en musique
Ça rit de toute sa symphonie L'amour, ça fait changer la vie L'amour, c'est un grand magicien Qui vous change un chagrin en moins d'une seconde
L'amour, en un mot comme en cent Ça vous donne vingt ans dans tous les coins du monde
L'amour, c'est tellement fantastique Ça met le bonheur en musique
Ça rit de toute sa symphonie L'amour, ça fait chanter la vie

quarta-feira, agosto 06, 2008

Devo estar errado!!!!





Todos os anos, há sempre na minha vizinhança, um ou outro condomínio que resolve fazer as indispensáveis obras de manutenção no seu edifício.

Todos os anos se verifica também que, poucos dias após o prédio estar pintadinho, lá aparecem uns rabiscos ininteligíveis das mais variadas cores e tamanhos, com ou sem desenhos.

Há de tudo nestas sacrificadas paredes!

Confesso também que, apesar de tudo e da raiva que esta situação me transmite, por se tratar do sítio onde vivo, há locais bem mais sacrificados. O Bairro Alto, em Lisboa, por exemplo.

Foto retirada do Blog Round Stone



Foto retirada do Blog Cavaleiro Templário


Ao ver estas fotos, de um dos locais mais emblemáticos e visitados da nossa Capital, apenas vejo como lado positivo o sinal de transparência sobre a qualidade da nossa gestão autárquica e política.

Ver a degradação, o desleixo, o mau gosto, a sujidade e a porcaria que se encontra e amontoada naquele local traduz exactamente o nível de interesse, de preocupações e de amor que os nossos políticos autárquicos têm pela sua cidade. É um espelho magnífico deles e diz-nos exactamente o que deles podemos esperar.

O graffiti é hoje em dia matéria de debate, sobre se se trata de arte ou de vandalismo.

Confesso, que sobre este tema tenho tudo menos uma mente aberta e, de acordo com a minha opinião muito pessoal, permito-me reduzir as coisas a uma forma muito simples:

Num espaço que é público ou numa propriedade que é privada ninguém deveria ter o direito de pintar fosse o que fosse, só porque lhe apetece. Ainda que se trate de Arte!

Nasci em 1956, vivi 18 anos em ditadura e percebo muito bem a necessidade de num regime sem liberdades se ter de recorrer às mensagens murais para transmitir ideias, dar conhecimento de factos, manifestar apoios ou revoltas!

Quando os nacionalistas italianos queriam mostrar aos austríacos a sua presença, escreviam nas paredes VIVA VERDI, frase de duplo sentido: Homenagem ao grande compositor e ao que viria a ser o Rei da Itália unificada: Vítor Emanuel Rei De Itália.



Ou quando os cubanos querem dizer ao regime que não há unanimidade e que desejam ser livres, entende-se a lógica das suas inscrições murais.



No entanto qual será a justificação social, política e estética para algo como isto, que se encontrou numa estação de comboios do nosso País:



Vi algures, como definição de Graffiti, tratar-se de um movimento organizado nas artes plásticas, em que o "artista" aproveita os espaços públicos, criando uma linguagem intencional para interferir na cidade.

Mas quem lhe concedeu esse direito de interferência, na cidade que é de todos nós?

Apesar do Graffiti se tratar de algo que hoje pode ser encontrado em Museus, isso só por si não é passaporte nem credencial para nada.

A intervenção visual desordenada, avulsa, descontrolada feita no espaço público é para mim, absolutamente condenável e deveria ser firmemente combatida!




Se olharmos um pouco à nossa volta acabamos por perceber que quem dá esse direito de interferência, ainda que se possa considerar de forma indirecta, acabam por ser as próprias autoridades ao promoverem com os dinheiros públicos concursos de graffiti de norte a sul do País.

Deixo a seguir alguns exemplos e anúncios e regulamentos de concursos de Graffitis de Câmaras e Juntas de Norte a Sul do País (para ver mais em detalhe, fazer click sobre cada imagem):

Concurso de Graffiti - Câmara de Trofa


Concurso de Graffiti - Câmara de Santarém


Concurso de Graffiti - Câmara de Sintra


Concurso de Graffiti - Junta de Freguesia da Pena - Lisboa


Concurso de Graffiti - Câmara Municipal de Oeiras


Concurso de Graffiti - Câmara Municipal de Faro

Se de uma forma estrita se poderá dizer que aquilo que estas autoridades fazem é apelar ao sentido artístico tentando canalizar esse movimento para momentos e zonas específicas da cidade, de um ponto de vista mais geral a mensagem que acabam por passar é a de que a feitura de graffitis não tem nada de negativo, é legitima e até socialmente aceite.

Ora isso é exactamente o contrário do que eu penso como o adequado numa sociedade normal e civilizada!

Resta-me acrescentar que, como eu sou apenas um simples cidadão, o que eu acho ou deixo de achar decerto não valerá nada para os nossos dirigentes municipais!

Mas não será por isso que eu deixarei de me pronunciar contra estas atitudes de dirigentes e políticos de todas as cores que, ainda por cima, nunca se dão ao trabalho de dizer o que pensam destas coisas concretas da vida da cidade, quando se propõem conquistar votos!

Resta saber se eles sequer pensam... e se têm a noção de todos os efeitos e consequências que as acções que promovem acabam por produzir?

Admitindo que não é por por desleixo, incúria e incompetência que a autarquia lisboeta não faz nada para preservar o Bairro Alto destes "ataques artísticos", só poderei concluir que é porque entende que esta forma de "arte" valoriza aquela zona turistica e típica da cidade.

E se assim for, será que os nossos autarcas pensarão que, com o aspecto que apresenta resultante da "arte" com que profusamente se encontra decorado, este bairro antigo de Lisboa se transformou num especialissimo Museu a céu aberto?

Bom, é que face ao panorama terrível daquela importante zona histórica de Lisboa ou estamos perante incompetência, desleixo e a falta de amor pela cidade, ou estamos perante uma visão de estética urbana de pura bandalheira em que cada um faz o que quer e onde quer!

Qualquer das hipóteses é muito má! Mas é o que temos! Até quando?

Foto "Flick" do utilizador Sopra Mais - Rua do Bairro Alto

segunda-feira, julho 28, 2008

Talento

Encontra-se a gravar o seu primeiro disco, que sairá nos Estados Unidos no final do Verão.

Chama-se Melinda Doolittle, faz coros de apoio e tem 31 anos.

Foi com extraordinária surpresa que se deu o aparecimento de alguém com tanta qualidade como Melinda, no concurso televisivo American Idol e foi com maior surpresa ainda que se deu o seu afastamento da final desse concurso.

Foi preterida pelo televoto adolescente, em favor de uma moça de 16 anos e de um jovem louro que fazia sonhar as teenagers americanas, ambos com qualidades vocais, é certo, mas ambos aquém do nível artístico de Melinda…

De facto, Melinda já não é uma adolescente, é um pouco gordinha, não se encaixa propriamente nos padrões de beleza impostos pela moda, é fora do palco algo reservada e, para muitos jovens, tem o defeito de possuir um estilo musical diferente do que se ouve actualmente na rádio, um estilo de música que estará, supostamente, mais ligado à geração dos seus pais.

Apesar de todos esses "defeitos" a sua presença em palco, tal como a sua voz, é avassaladora. Um autêntico animal de palco, dotado de uma voz extraordinária!

A bem da verdade, deve-se dizer que, para este tipo de concursos a música é apenas um pretexto, o que conta efectivamente são os lucros das operadoras telefónicas e das cadeias de televisão com o chamado televoto e com a publicidade.

Por isso muitas vezes, o que acaba por imperar é a moda, ficando os verdadeiros talentos relegados para segundo plano e para o esquecimento.

Com Melinda no entanto, o esquecimento seria talvez um pouco difícil, dadas a sua óbvia qualidade. Mesmo assim, foi preciso mais de um ano para que uma editora a pusesse a gravar.

Deixo pois um alerta para esse seu primeiro trabalho discográfico e deixo aqui algumas imagens da passagem de Melinda pelo concurso americano.








quinta-feira, julho 24, 2008

Vontade de mais férias

Vim de umas férias, muito agradáveis na zona do vale do Tejo.

Durante as férias fiquei a saber que o processo Maddie foi arquivado… Entretanto, ligo hoje a televisão e dou com a entrevista do ex-inspector da PJ, Dr. Gonçalo Amaral à RTP.

De acordo com a sua teoria sobre este caso:

1- Maddie morreu em casa, eventualmente por acidente, estando os pais envolvidos na ocultação do o cadáver da menina.

2 - Kate e Gerry, momentos após a morte da criança, teriam concertado à mesa do restaurante, com os sete amigos, com quem jantaram alegremente, a versão a dar à polícia.

3 - O casal teria encontrado, ainda durante aquela madrugada, apoios locais que lhes teriam proporcionado uma arca frigorifica, onde o cadáver teria ficado algumas semanas.

4 - Do mesmo modo teriam tido o “jeito” de um laboratório inglês que não validou cientificamente os dados obtidos a partir dos vestigios biológicos encontrados na Praia da Luz.

5 - A nível diplomático, os McCann teriam obtido o favor de uma visita do embaixador britânico, o que segundo o Sr. Inspector constituíu uma pressão sobre a polícia.

6 - A nível político, os governos português e britânico, aquando da preparação da Cimeira de Lisboa, teriam metido também o seu dedinho a favor dos McCann neste processo.




Considera também que é estranho a Polícia, ter que dar informações regulares à família de uma criança desaparecida sobre o andamento das investigações.

Confessa ainda que durante o período em que foi responsável pela investigação, apesar de ter encontrado indícios suspeitos e visiveis contradições entre os vários testemunhos, relativamente aos pais de Maddie:

a) Não se fizeram todas as perguntas que deveriam ter sido feitas.
b) Não se passaram a seguir os seus movimentos.
c) Não se colocaram os seus telefones sobre escuta…

Confessou igualmente que, na noite do desaparecimento da criança “os colegas” que chegaram primeiro ao local não fizeram tudo o que deveriam ter feito, não classificando esse facto como um erro,… mas sim como compreensível efeito de alguma inexperiência!!!!!!

Obviamente que não sei, tal como parece que ninguém sabe, o que realmente se passou com a pequena Maddie, contudo quando perante elementos contraditórios e factos suspeitos, se aposta numa determinada teoria convém divulgá-la apenas quando ela se possa afirmar como suficientemente credível, não se baseando unicamente em construções subjectivas a partir de uma certa escolha de “indícios” derivada de algumas convicções pessoais.
Terá sido isso mesmo que o antigo director da PJ concluíu quando afirmou haver precipitação neste caso.

Sinceramente tenho de confessar que ao saber que o Dr. Gonçalo Amaral iria colocar à venda um livro, baseado em elementos tirados de um processo que é pertença da instituição para a qual trabalhou, me surgiu a suspeita de que a prudência não fosse o seu forte....
Ao ver esta triste entrevista, creio que a imagem da PJ, que já não estava boa, ficará agora alarmantemente de rastos!
Meio atordoado ainda com este triste caso, surge de imediato o programa seguinte, um concurso televisivo, em que logo no início, um licenciado em economia dá como exemplo de palavra em que o X tem o som "CS", o vocábulo ....XAILE…

Não aguentei mais... apaguei a televisão.... não só porque tinha bem mais que fazer, mas também porque me veio uma enorme vontade em ir de férias de novo… Desta vez para bem longe….


E assim farei dentro de dois meses... confessando, que apesar destes maus-humores trazidos via TV, me considero um homem de sorte neste estranho País onde, da triste infelicidade de uma pobre criança, se alimentam tantos oportunismos e se revelam tantas incompetências.

segunda-feira, junho 23, 2008

Destino incerto



Em 2002 desapareceram em Portugal 734 pessoas com menos de 30 anos e só de 260 é que se veio a conhecer o seu paradeiro.


O número é assustador, muito embora se saiba que, no que se refere a jovens adultos, o desaparecimento resulta muitas vezes de vontade própria, devido a divergências familiares.

Seja como fôr, a verdade é que os desaparecimentos vão continuando e, se é certo que, no que se refere a crianças, a maior parte dos casos registados tem que ver com disputas do poder paternal, mais do que com crimes pedófilos, a verdade é que há inúmeros casos por resolver e sobre os quais se tem que temer o pior, não sendo demais os esforços para combater o crime e os criminosos.




Quando se consulta a página de pessoas desaparecidas da Polícia Judiciária, fica-se entretanto com a ideia de que há um número anormalmente elevado de pessoas idosas cujo paradeiro é desconhecido.

Nestes casos, a maior parte das situações ocorrerá devido a problemas psíquicos e acabam por ser resolvidos, mas o certo é que subsistem sempre bastantes ocorrências em que essas pessoas não mais são encontradas, o que para mim é fonte de enorme perplexidade!

Sem querer especular com um assunto que me parece tão grave e melindroso, realço apenas que há a necessidade premente e permanente de não deixar esquecidos esses casos.

Tanto os das crianças, que são normalmente foco de atenção de toda a comunicação social, como os dos mais velhos que tendem a ficar na obscuridade.

Por isso e como ultimo post antes de férias, resolvo recolocar o tema dos desaparecimentos acrescentando mais alguns aos que referi já no mês transacto.
Para mais informações consultar a página da Polícia judiciária em http://www.pj.pt/htm/pessoas.htm

Pamela Matias Santos, desaparecida aos 16 anos em 23 de Setembro de 2007


Sara Raquel Pinho Reis, desaparecida com 16 anos em 7 de Março de 2007



Luís Tavares Neves, desaparecido aos 88 anos em 26 de Janeiro de 2007


Maria Isaura Ferrreira, desaparecida com 73 anos em 8 de Novembro de 2006



Luís Manuel Carrapato, desaparecido aos 81 anos em 3 de Abril de 2008



José Fernandes, desaparecido aos 90 anos em 19 de Agosto de 2007



João da Encarnação Tomé, desaparecido aos 70 anos em 17 de Março de 2007



Gerda Charlotte Danielowski desaparecida aos 74 anos em 18 de Julho de 2007


Mais jovens e mais velhos, são de facto os mais vulneráveis e embora este contributo possa ser muito modesto e inócuo, não quis deixar de marcar novamente presença neste espaço com este tema.

Deixo-vos com ele e com um abraço a todos os amigos e amigas que visitam regularmente este espaço e….Até ao final de Julho.

Boas férias para todos e votos de coragem e sorte para todas as famílias que neste momento vivem a angústia de um ente querido desaparecido
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sábado, junho 14, 2008

SALVEM O LARGO DO RATO

Caros amigos e amigas

Há um novo projecto para o Largo do Rato, que já vem do mandato de Santana Lopes e que, segundo parece, pouco falta, para que tenha aprovação para o começo das obras:

O que é actualmente assim:


Foto retirada do blog Lesma Morta

De acordo com esse projecto e segundo uma fotomontagem do EXPRESSO ficará assim;




Já tinha ouvido falar nesta questão, mas depois de ler o post do BLOG Lesma Morta
http://lesmamorta.blogspot.com/2008/02/fotomontagem-expresso-respeitando-as.html

fiquei perplexo com a enormidade que alguém pensou fazer naquele largo de Lisboa.


Na minha modesta opinião, aquele local deveria ser mantido, tal como está!


As opiniões que são atribuídas ao actual responsável do urbanismo, arquitecto Manuel Salgado, no entanto, deixam-me bastante preocupado, pela compreensão que mostra por este projecto.


Seria bom que se começasse a pensar que a cidade é de todos nós e não pode apenas ser objecto de decisão por técnicos camarários, ainda que sejam pessoas com bom nome na praça!


Em meu entender, se querem construir aquele edifício deveriam escolher um outro local onde se harmonizasse com o que já está construído!


No blog acima referido encontra-se uma petição on-line:

http://www.petitiononline.com/lgrato/petition.html

Face a esta ameaça contra a cidade de Lisboa, peço a todos os visitantes deste modesto espaço, que deêm a conhecer este caso e esta petição.


Todas as vozes são importantes para que se mostre aos responsáveis autarquicos, que os cidadãos estão atentos e não pactuam com loucuras destas.


Termino dizendo que em meu entender alguém com o mínimo sentido de responsabilidade e AMOR pela cidade deveria de imediato chumbar projectos destes, aquando da sua apresentação.... E estranho muito que uma cidade como Lisboa, não possua regras e regulamentos que impeçam este tipo de ofensas à cidade!

Repito pois o meu apelo a todos os amigos e amigas que possuem espaços bloguisticos e que visitam este modesto local.

Por favor divulguem este caso e esta petição, para que o movimento de opinião pública que se formar tenha a força suficiente para impedir mais esta monstruosidade que se prepara para a nossa Capital.