segunda-feira, maio 04, 2009

DRESDEN

Foi posto à venda no final da passada semana o DVD com a mini-série alemã DRESDEN.



Trata-se de uma série bastante interessante pois dá-nos a visão da Guerra a partir do ponto de vista de quem a perdeu.

Interessante ainda porque, para além de uma complexa história amorosa, foca um dos casos mais controversos da II Guerra Mundial, o bombardeamento de Dresden.

Dresden, que é a capital do Estado da Saxónia, era conhecida como a Florença do Elba


Dresden - gravura do Palácio e Jardins Zwinger:



Os seus monumentos e tesouros artísticos faziam desta cidade uma das mais belas da Europa.


Dresden no início do séc XX:



Entre 13 e 15 de Fevereiro de 1945, já com a Alemanha perfeitamente derrotada (apesar de ainda não rendida), os aliados ingleses e americanos lançaram milhares de toneladas de bombas, que destruíram mais de 90% de toda a cidade, matando centenas de milhares de pessoas.

Deixo aqui algumas imagens da série sobre o momento dos bombardeamentos sobre a cidade de Dresden:



Vagas sucessivas de centenas de bombardeiros despejaram sobre Dresden, já sem capacidade de defesa anti aérea, um verdadeiro inferno de fogo, fazendo nesta cidade aquilo que os alemães já tinham feito em Varsóvia e que por pouco não aconteceu a Paris, que foi salva devido à desobediência do General Dietrich von Choltitz, o qual se recusou a cumprir as ordens directas de Hitler para que destruísse totalmente a capital francesa.

Foto de Dietrich von Choltitz:



Estando já a Guerra decidida e feita a partilha da Europa pelas potências vencedoras, Dresden ficaria sob domínio soviético e há hoje o convencimento de que, para Churchill e Roosevelt parecia mais interessante que os russos ficassem a braços com uma montanha de destroços, do que lhes entregar de mão beijada uma cidade que era um autêntico tesouro artístico.


Dresden em ruínas (1945):




Dresden tornou-se pois num símbolo do que de pior a Humanidade é capaz, para depois se tornar num simbolo civilizacional de amor à História e à Arte, pois os que sobreviveram a esta hecatombe conseguiram rua a rua, monumento a monumento, reerguer Dresden das cinzas, tornando hoje esta magnifica cidade numa verdadeira jóia do património histórico da Humanidade, tal como é classificada pela UNESCO.


Aspecto de Dresden na actualidade (Zwinger):



Aspecto do centro de Dresden na actualidade:



Claro que o seu processo de reconstrução teve algumas vicissitudes.

No após-guerra, o líder comunista alemão Walter Ulbricht chegou a pensar fazer de Dresden, que se situava na República Democrática Alemã, uma cidade modelo do urbanismo socialista, com edificios inspirados no modelo habitacional e institucional soviético, em avenidas largas que permitissem a realização de grandes manifestações públicas.

No entanto as vozes dos defensores da herança cultural da Saxónia falaram mais alto, apelando à reconstrução da cidade barroca o que, em parte, foi conseguido!

E assim, três meses após o final da Guerra, começou a reconstrução de alguns dos principais monumentos.

O conjunto de edifícios do Palácio Zwinger e o Teatro Schauspielhaus foram dos primeiros. Seguiram-se o Palácio Real e a Ópera (Semperoper).!


Semperoper antes da Guerra




Semperoper destruída




Semperoper (exterior reconstruído)




Semperoper (interior reconstruído)



Mais tarde (já após a queda do comunismo) foi a vez da reconstrução do monumento mais célebre e querido da cidade a Frauenkirche, reerguida com dinheiros públicos, mas também com contribuições privadas, criando-se movimentos públicos para angariar os cerca de 130 milhões de euros que custou a sua reconstrução.

Por ironia da História, à frente de uma das principais organizações de recolha de fundos estavam os membros da família real inglesa, o que revela por um lado algum peso na consciência britânica face à destruição de Dresden e, por outro, o apelo do sangue Saxe- Coburgo da Casa Real Britânica, cujos laços afectivos não terminaram só pelo simples facto de terem mudado de nome de Wettin para Windsor, pela mão de Jorge V, avô de Isabel II, aquando da Primeira Guerra Mundial.

Frauenkirche antes da Guerra:




Frauenkirche destruída:




Frauenkirche reconstruída (exterior):




Frauenkirche reconstruída (interior):




Com esta reconstrução, que deveria fazer corar de vergonha os políticos e autarcas portugueses, que por acção e omissão vão destruindo as marcas históricas das nossas cidades (nomeadamente Lisboa), os principais prédios do centro antigo de Dresden, que compunham a famosa silhueta da cidade estão novamente de pé.



Apesar de muitas peças de arte se terem perdido para sempre, muitas foram salvas e valem a pena ser visitadas, nos belos e reconstruídos museus.

Como curiosidade final refiro que igualmente valerá a pena uma visita a um dos poucos edifícios que conseguiram sobreviver aos bombardeamentos, onde se situa a que é considerada a mais bela leitaria do mundo




No entanto, apesar de milagrosamente não ter sido afectada pelos bombardeamentos, a leitaria Dresdener Molkerei Gebrüder Pfund , por pouco não se livrou de ter sofrido uma "redecoração socializante" ao estilo standard das leitarias comunais, após a sua nacionalização no inicio dos anos 70.

Nessé projecto de decoração previa-se a utilização de alumínios e plásticos em substituição dos belos painéis de azulejos que a forram de alto a baixo…. Felizmente tal ideia absurda não foi para a frente…




Gostaria de terminar dizendo o seguinte:

QUANDO NO NOSSO PAÍS SE DIZ QUE UM BELO EDIFICIO OU MONUMENTO, POR MÁ CONSERVAÇÃO OU INCÊNDIO, SE PERDEU PARA SEMPRE, ESTÁ-SE A DIZER UMA MENTIRA!

O PATRIMÓNIO EDIFICADO SÓ SE PERDERÁ PARA SEMPRE SE NÓS E OS NOSSOS REPERESENTANTES ELEITOS NAS CÂMARAS MUNICIPAIS, QUISERMOS QUE ASSIM SEJA.

POR ISSO DEIXO, NESTE ANO DE AUTÁRQUICAS UM VÍDEO SOBRE DRESDEN, QUE ACONSELHO A CERTOS GRUPOS DE PESSOAS.

ACONSELHO-O A TODOS OS QUE SE PROPÕEM DIRIGIR AUTARQUIAS SEM AS CONHECER, SEM AS AMAR, SEM RESPEITAR A SUA HISTÓRIA E O SIGNIFICADO DAS SUAS PEDRAS.

ACONSELHO-O A TODOS OS QUE SE PROPÕEM GERIR CIDADES APENAS PENSANDO EM CONCURSOS PARA NOVAS URBANIZAÇÕES, APENAS PENSANDO AS URBES COMO LOCAIS DE PERNOITA E CIRCULAÇÃO, DANDO MAIS IMPORTÂNCIA AOS CARROS DO QUE ÀS PESSOAS.

ACONSELHO-O A TODOS OS QUE, TENDO PODER NAS AUTARQUIAS, VÃO SUBSTITUINDO OS "TEATROS MONUMENTAIS" POR "CENTROS COMERCIAIS", IGNORANDO QUALQUER PREOCUPAÇÃO ESTÉTICA E FAZENDO COM QUE DIA APÓS DIA, AS MEMÓRIAS DO LEGADO HISTÓRICO QUE É PATRIMÓNIO DE TODOS NÓS, VÃO DESAPARECENDO!

ACONSELHO-O A TODOS OS QUE SE PROPÕEM DECIDIR SOBRE O DESTINO DOS MUNICÍPIOS, SOBREPONDO A GESTÃO FINANCEIRA À QUALIDADE DE VIDA, COMO SE AS CÂMARAS FOSSEM EMPRESAS E AS CIDADES MEROS CENTROS DE NEGÓCIO!

ACONSELHO-O FINALMENTE A TODOS OS PODEROSOS DE OCASIÃO QUE DESPREZAM A HISTÓRIA, A ARTE E A MEMÓRIA E QUE INFELIZMENTE CONTAM COM A IGNORÂNCIA E COM A PERMANENTE COMPLACÊNCIA DE ELEITORES POUCO EXIGENTES E POUCO INTERESSADOS NO SEU PAÍS.

ACONSELHO-O POIS A TODA ESTA GENTE, ESPERANDO QUE SE ALGUM DESSAS PESSOAS O VIR, REFLICTA SOBRE O QUE PODE E DEVE FAZER COM O PODER QUE LHE FOI OUTORGADO PELO POVO E QUE, PORTANTO, APRENDA ALGUMA COISA ...SE FOR CAPAZ!



sábado, abril 25, 2009

25 de Abril

Em 25 de Abril de 1974 vivi o dia mais emotivo e festivo da minha vida.

Tive a felicidade de poder percorrer nesse dia os principais pontos da Baixa e do Chiado, incluindo o Largo do Carmo e havia, em toda a gente, uma alegria incontida e uma esperança profunda de que a Ditadura iria terminar.

Eu e a minha geração fomos testemunhas de momentos que só acontecem uma vez na vida!

Tinha 18 anos e pude desde logo perceber que o destino do País e o meu próprio destino iriam decerto mudar. Iriamos finalmente ser livres, não teriamos mais que falar baixinho e olhar para o lado para ver se algum informador da Pide estava por perto. O fim da guerra seria inevitável, todos o sabiam, todos o sentiam!

Que alegria maior poderia haver!

quarta-feira, abril 22, 2009

O Preço



Como foi noticiado por vários órgãos de comunicação social, a Câmara de Santa Comba Dão resolveu incluir no seu programa comemorativo do 25 de Abril a “Inauguração da Requalificação do Largo António de Oliveira Salazar….”




O senhor Presidente da Câmara de Santa Comba Dão diz que se trata de um acto sem qualquer significado político, havendo apenas uma mera coincidência de datas.

Trata-se obviamente de uma patetice feita claramente com intuitos provocatórios!

Talvez convenha então lembrar duas coisas bem simples:

A primeira é que se quiséssemos encontrar um exemplo de tolerância e superioridade cívica do regime democrático saído do 25 de Abril, a simples possibilidade de realização deste acto, em que está implícita uma homenagem a Salazar, seria decerto uma escolha evidente. Uma escolha triste, mas significativa do respeito que a Democracia tem, até pelos seus maiores adversários!

Decerto que o senhor Presidente da Câmara de Santa Comba Dão saberá bem que tipo de “homenagens” Salazar reservava aos seus adversários políticos!

A segunda, é que um político, um qualquer político, seja de esquerda ou de direita, deve ter uma atitude adulta e responsabilizar-se pelos actos que pratica. Se quer marcar uma posição contrária ao 25 de Abril que o faça frontalmente e tenha a coragem de assumir as suas ideias e os seus objectivos. É isso que o povo, que elege um político, espera dele e não provocações infantilmente encobertas que só desprestigiam e menorizam a política.

Isto é demasiado pequenino, pateta e patético, mas é simultaneamente revelador da qualidade do poder local que temos

E infelizmente esta falta de qualidade está espelhada de norte a sul do País, e espalhada de um lado ao outro do espectro político.

Recordo um outro facto, que na altura em que ocorreu não tomei conhecimento e só resolvo falar dele agora, porque me parece igualmente grave e... mais vale tarde do que nunca.

Em Fevereiro de 2008 passaram 100 anos do regicídio. A Câmara Municipal de Castro Verde achou por bem, para assinalar o facto, homenagear um dos regicidas, natural desse concelho.

Homenagear um assassino? Será que a Câmara Municipal de Castro Verde se deu conta do sinal que transmitiu com essa atitude? Será que para a Câmara Municipal de Castro Verde o assassinato é um instrumento político válido? Será que para este município alentejano a distância histórica valida o princípio de que os fins justificam os meios?



A Democracia, com a Liberdade que comporta, tem a virtude de revelar a nossa verdadeira natureza. Neste caso a verdadeira qualidade dos nossos autarcas!

Da patetice à perfeita inconsciência, parece que temos de tudo nas autarquias do nosso país. Este é, afinal, o preço que temos de pagar para hoje podermos falar à vontade, para podermos manifestar livremente as nossas opiniões, para podermos escolher (mal ou bem) o nosso destino colectivo!

Creio que, apesar de tudo, é um custo que vale a pena suportar. Pois só a Liberdade dá a completa dignidade a que qualquer ser humano, a que qualquer povo tem direito! E a nossa dignidade não tem preço!

Só por isso o 25 de Abril já valeria a pena!

domingo, abril 19, 2009

vencer o preconceito

Hoje vou falar de algo que possivelmente toda a gente já viu e comentou mas de que eu, como ando desatento, só anteontem me dei conta.

Embora ache magnifico que se procurem novos talentos, nunca fui apreciador do formato de alguns programas de televisão que sob o pretexto de darem a oportunidade a amadores para mostrarem as suas capacidades, fazem espectáculo da humilhação pública dos que têm menos vocação, ou até a falta da lucidez necessária para perceber que não a têm…

Entretanto ao fazer a minha ronda habitual por dois blogues excelentes, que são exemplos notáveis de intervenção cívica – o “Luís Marques da Silva, Arquitectura” e o “Lesma Morta” encontrei algo que se passou na última quinta-feira na televisão britânica.

Num desses programas Britain’s Got Talent, apareceu uma senhora que foge a todos os padrões habituais, em que se esperam encaixar as aspirantes a “artista”, e a reacção do júri e do público ao vê-la foi, a que é habitual nestes casos.

O vídeo que se encontra disponível no youtube (clicar aqui) dá-nos então uma visão das atitudes que uma situação dessas comporta e dá-nos também uma excelente lição de vida. Dá-nos até bem mais do que isso….



Claro que o que se encontra nesse vídeo não deixou ninguém indiferente. O vídeo foi colocado na internet e em 24 horas já tinha sido visto por 12 milhões de pessoas, Susan Boyle foi hoje entrevistada, via satélite, por Larry King na CNN e Oprah Winfrey também já solicitou a sua presença.

Boyle que está desempregada e que vive numa pequena povoação escocesa em casa de seus falecidos pais, de quem cuidou até à morte, passou do anonimato a notícia de primeira página, quer pelo que aconteceu no programa, quer por depois ter sido divulgado que é virgem e que nunca havia sido beijada por um homem.

Esta mulher, que com toda a simplicidade conseguiu passar a mensagem de que é mais importante o conteúdo do que a embalagem, apenas quis cumprir um sonho que a vida até então a tinha impedido de viver.



Espero que finalmente o consiga!

quarta-feira, abril 15, 2009

Novidades do Brasil

Venho hoje dar nota que iremos ter na capital portuguesa, entre outros, três espectáculos vindos do país irmão e que merecem alguma atenção:

O primeiro a chegar será a peça “O Homem Inesperado” da já consagrada autora francesa Yasmina Reza.

De hoje até 3 de Maio o casal de actores Nicete Bruno e Paulo Goulart estarão entre nós no Teatro Tivoli representando uma peça que foi já sucesso nos palcos das principais cidades do mundo.



A peça traz-nos a história de uma mulher que inesperadamente tem, numa viagem de comboio entre Paris e Frankfurt, como companheiro de viagem, o seu escritor predilecto.

Apesar de sozinhos no mesmo compartimento, nenhum se atreve a entabular conversa com o outro e apenas vamos sabendo o que o vai fluindo no pensamento de cada um.

Pensam na vida, nos sonhos realizados e desfeitos e das alegrias e tristezas que a existência comporta e pensam no companheiro de viagem, tentando desvendar que pessoa verdadeiramente estará na sua frente.

Vamos percorrendo, com as personagens, os anseios de dois seres, já com muitos anos de vida, e que se encontram ambos à beira da solidão.



Segundo rezam as crónicas de São Paulo e do Rio de Janeiro as interpretações dos actores estão à altura da sensibilidade e da qualidade do texto.

Trata-se de uma tarefa algo complicada, pois este é um texto que serviu já grandes actores: Alan Bates protogonizou-o em Londres e Nova Iorque e Phillipe Noiret em Paris.

Veremos o que nos traz este nosso conhecido casal de simpáticos actores, que aos 76 anos vêm fazer uma aposta arriscada a Lisboa, já que não está a haver qualquer promoção publicitária do seu espectáculo.



Com grande curiosidade também aguarda-se a chegada do musical de Chico Buarque Gota d’Água, que percorrerá o país, apresentando-se no CCB de 6 a 9 de Maio.

Gota D'Água" tem a actriz Izabella Bicalho como protagonista.

O nome Izabella Bicalho pode não dizer muito aos espectadores portugueses, mas aos que eram criança nos idos anos 80 lembrar-se-ao dela como a Narizinho do Sítio do Picapau Amarelo.




Entretanto Izabella cresceu e tornou-se, segundo as criticas do lado de lá do Atlântico, numa actriz magnifica e numa excelente cantora.

Cito agora o JN de 16 de Março último:

A origem deste musical remonta a 1975, quando Chico Buarque e Paulo Pontes adaptaram a tragédia "Medeia", de Eurípedes, à realidade brasileira, dominada pela censura federal e repressão ideológica.

Com uma grande carga poética, o espectáculo emocionou na altura a crítica e o público, tornando-se um grande sucesso no Brasil.

Passados 30 anos, o espectáculo foi apresentado numa abordagem contemporânea, com novos arranjos musicais, tendo recebido vários prémios no país, tendo estreado no Rio de Janeiro em 2007.

Nesta nova versão, a personagem feminina, Joana, é uma mulher batalhadora que vive nos subúrbios de uma grande cidade brasileira, a Vila do Meio-Dia, e que um dia é abandonada pelo marido, que a troca por uma mulher muito mais jovem e rica, filha de Creonte.

Enquanto a mulher fica destroçada pela dor da traição, Jasão, o ex-marido, vive dias de felicidade ao lado de Alma, desfrutando do sucesso do samba "Gota D'Água", que não pára de passar nas rádios da cidade”


Entretanto para quem conhece Medeia, é sabido que a história acabará por ter um final extremamente dramático. Final que se repete nesta Gota d’Água.

Em 1975 a peça foi protagonizada pela grande Bibi Ferreira. Agora teremos Izabella Bicalho, e ao deixar aqui algumas imagens do espectáculo, perceber-se-á que a escolha da antiga “Narizinho” foi igualmente notável, apesar do som e da imagem obtidos por telemóvel serem infelizmente pouco adequados.



Por último gostaria de assinalar o regresso a Lisboa de Edson Cordeiro, que no próximo dia 14 de Maio estará de novo em Lisboa, desta vez no auditório dos Oceanos.

Cordeiro que continua a ser um sucesso em todas as suas apresentações terá desta vez como acompanhantes o terceto de jazz Klazz Brothers.

Para quem não conhece este contratenor brasileiro, direi que ele é perfeitamente eclético, indo da canção popular brasileira à Ópera, passando pelo Jazz.

Raramente Edson Cordeiro deixa os espectadores indiferentes.

Deixo aqui uma sua interpretação de uma ária da Ópera Rei Artur de Purcell, filmada o ano passado num espectáculo realizado em Berlim. Espero que gostem!

terça-feira, abril 14, 2009

Lisboa 2009



Ontem surgiu um Apelo para a Convergência da Esquerda em Lisboa, tendo em vista as próximas eleições autárquicas.

Nada mais natural, dado existir já uma convergência dos partidos mais à direita para este mesmo efeito!

Penso que seria útil para a democracia que desta vez houvesse a possibilidade de uma escolha muito clara entre dois modelos de governação da cidade, entre duas formas de ver Lisboa.

Permito-me citar de cor as palavras do Arquitecto Aquilino Ribeiro Machado, um dos porta-vozes desse Apelo, quando diz que mais do que construção Lisboa precisa de recuperação e de reconstrução.

A Lisboa que eu conheci em criança, tem sido, ao longo de décadas, paulatinamente destruída por efeito da especulação imobiliária.








Zonas inteiras da cidade encontram-se perfeitamente descaracterizadas e antes que desapareça o pouco que ainda resta da beleza e do romantismo que os nossos antepassados imprimiram nas pedras de Lisboa, é tempo dos seus cidadãos intervirem e seja nos partidos, seja em movimentos cívicos, lutarem em favor daquilo em que acreditam.

A apatia dos cidadãos leva a que os oportunistas e os especuladores ocupem todo o espaço.

No meu caso concreto apoio sem reservas este Apelo, pelo que deixo aqui o respectivo link para quem igualmente o desejar subscrever.

http://www.petitiononline.com/porlx/petition.html

António Borges ontem disse na RTP que este apelo é um acto de desespero da Esquerda, pois já percebeu que Santana Lopes pode ganhar em Lisboa.

E isso não será motivo para desesperar, não apenas a Esquerda, mas todo e qualquer cidadão sensato e amante desta cidade?

Termino com o desejo que, da Direita à Esquerda, o apego à competência, ao rigor e aos interesses da capital não seja estranho ao Amor e ao Respeito que devem ter pela cidade de Lisboa e não repitam estes tristes exemplos que nas últimas autárquicas deixaram espalhados pela nossa capital, desfigurando as suas praças.





terça-feira, abril 07, 2009

L'Aquila

L'Aquila era, até ontem, uma das muitas belas e tranquilas cidades italianas.

Fundada no séc. XIII por Frederico II, um dos mais cultos e reformadores monarcas que dirigiram o Sacro Imperio, viu com o terramoto de ontem, destruído muito do seu património e desaparecer tragicamente muitos dos seus habitantes.



Esta cidade foi, pode-se dizer, uma verdadeira criação daquele monarca, que fez deslocar as populações de 99 lugares diferentes para a povoar.



Como esteio edificador da cidade e simultaneamente como elemento de respeito pelas naturais diferenças, cada um dos 99 grupos populacionais construiu a sua própria Igreja e as suas proprias habitações, e por isso mesmo, durante muito tempo L'Aquila foi conhecida como a cidade das 99 Igrejas.



Apesar de muitos desses templos terem entretanto desaparecido, L’Aquila ("a águia" de Frederico) manteve-se uma cidade repleta de monumentos magnificos e preservou uma zona histórica medieval muito bela.



Ontem infelizmente, muitas marcas da história desse passado grandioso desapareceram e muitas vidas de pacatos habitantes que nela viviam foram ceifadas.



Perante esta calamidade, resta a manifestação solidária de tristeza e pesar por uma perda que não é apenas de Itália, mas sim de toda a Humanidade!

sexta-feira, abril 03, 2009

Um título de um filme

Depois de uma ausência prolongada, volto hoje aqui, e de uma forma um pouco mais pessoalizada do que é habitual!

Como saberão os meus caros amigos deste percurso bloguistico, são questões do foro familiar que inibem a minha vinda regular a este espaço.

Entretanto, resolvi hoje vir até aqui matar saudades e em jeito de desabafo, falar de algo que, de algum modo, hoje ou amanhã pode vir a afectar cada um de nós.

Todos sabemos que a idade ao avançar pode trazer consigo problemas sérios. Infelizmente, nem todos têm a sorte de “morrer cheios de saúde” aos 100 anos, pacificamente, durante o sono.



Muitos, na verdade, começam a partir aos poucos, perdendo a lucidez, ficando sem mobilidade e vivendo os seus dias entre a apatia e o crescente sofrimento físico.

É de uma forma genérica, o que se passa com os meus pais, ambos já octogenários e foi portanto, esta situação, que ao surgir de forma repentina, veio mudar radicalmente a minha vida, como seu filho único.

Esta situação inesperada que refiro aconteceu de uma forma que eu, como leigo em Medicina, desconhecia existir.

Ao ser diagnosticada à minha mãe a doença de Alzheimer, cujos sintomas mais fortes eram esquecimentos e dificuldades em certos raciocínios foi-lhe passada uma medicação específica para o problema. Até aqui tudo bem!



O facto é que, não só os efeitos secundários desse medicamento foram extremamente debilitantes, mas também lhe provocaram o chamado “efeito paradoxal”, efeito cuja existência ignorava por completo.

Este efeito caracteriza-se pelo facto de uma determinada medicação poder fazer exactamente o oposto do que deveria. E foi o que aconteceu!



No espaço de 15 dias a minha mãe, que apesar dos esquecimentos e confusões era autónoma na sua higiene pessoal e conseguia desempenhar pequenas tarefas diárias, tornou-se totalmente dependente, perdeu a noção do tempo e do espaço, ficou quase sem mobilidade e perdeu inclusive a capacidade de mastigar alimentos.

Uma transformação tão profunda levou naturalmente a uma nova acção médica, para que pudesse ser revertida, e foi o que se tentou e parcialmente se conseguiu.

O resultado final, contudo, foi que apesar de recuperar um pouco da lucidez e a capacidade de comer sozinha, perdeu definitivamente muita da sua mobilidade, tornou-se incontinente e ficou completamente dependente para quase todos os actos da sua vida quotidiana.

Quando um filho (no meu caso único) vê um panorama destes com a sua mãe, agravado pelo facto do seu pai padecer de um linfoma há largos anos, terá necessariamente que procurar com rapidez soluções práticas de ajuda e apoio.



Na sequência dessa procura e de alguns meses de uma vida completamente baralhada, o que aqui gostaria de deixar hoje, como registo, não são as minhas atribulações pessoais, que felizmente vou resolvendo, mas sim afirmar que vivemos num mundo que não se encontra minimamente preparado para ajudar os idosos relativamente a situações naturais e que se sabe, serem para muitos, inevitáveis!

A debilidade, a doença, a impotência perante a decadência física, a perda da independência, são o que de mais dramático pode suceder a qualquer um de nós, e quando a idade transporta consigo estes problemas, cabe a alguém resolvê-los!

Às familias naturalmente! Mas se elas não existirem? Ou se elas não tiverem meios para o fazer?

Não caberia ao Estado um papel na resolução deste problema?

Como o Estado não ajuda, ou o destino, ou alguém de família terá que se encarregar de resolver as questões.

Mas face aos meios que existem e face à impreparação prática que todos temos nestas questões, dificilmente se tem a certeza de que a solução encontrada é a melhor!

O que fazer? Manter os idosos em casa, ou institucionalizá-los? E quando ambos os membros do casal de idosos ainda estão vivos, como agir face aos meios disponíveis?



Depois de ter visitado muitos lares e instituições, vi lugares terríveis e vi lugares óptimos, com todas as condições.

Claro que os preços eram bastante diferentes.

Para um casal, pode-se esperar que nos peçam entre os 2000 e os 5000 Euros! Sendo que devo confessar que, pelo que vi, nem sempre há uma relação directa entre a qualidade e o preço!

Pergunto, entretanto a mim mesmo, quantas pessoas em Portugal terão a disponibilidade, face a um problema como o meu, de avançar para encargos em lares onde haja o mínimo de qualidade e dignidade?

Como resolverão o problema, os honestos trabalhadores deste país, com salários baixíssimos, cujos pais idosos recebem reformas miseráveis?

No meu caso concreto, a opção foi ainda manter os meus pais na sua residência, levando-me a mudar-me de armas e bagagens para a sua casa e tendo um encargo adicional mensal, digamos que algo volumoso, para vários tipos de apoios domiciliários.

E embora o mais duro de tudo, seja saber que o resultado final deste esforço, não irá trazer-lhes de volta a saúde, interrogo-me diariamente sobre o que fazer caso a situação deixe de ser gerível em casa?

Graças a Deus não me posso queixar muito do que vida me deu e dos meios que possuo, mas a vida, com estes contornos, tornou-se algo assustadora e a percepção de que ser rico neste pais faz a diferença entre a tranquilidade e o sofrimento, dá-me a imagem de um triste e obsceno obstáculo, cujo direito a ultrapassar me é, como à maioria, negado .



Num dos últimos internamentos do meu pai, devido à sua doença oncológica, estava na mesma enfermaria um idoso, que a família “abandonara” no hospital!

Sinceramente não me vejo a tomar uma atitude dessas, mas será correcto que um sistema público de solidariedade social, de um país europeu no séc. XXI, repleto de auto-estradas e qualquer dia de linhas de TGV, empurre para cima de familiares pobres e sem capacidade de resolver os problemas, doentes em estado terminal, ou com dependências gravíssimas?

Desgraçadamente nenhum dos governos que tivemos teve a decência de se preocupar com estes problemas.

E pelo que se vê, nenhum dos governos possiveis para vir no futuro proximo o irá fazer também.



Há cerca de 15 anos trabalhei em serviços públicos ligados à problemática da habitação social e não me consigo esquecer dos rostos de algumas senhoras de sessenta e muitos anos, que lá iam desesperadas à procura de casa.

Eram mulheres sós, que viveram largos anos tomando conta de idosos. Mulheres sem família que após o falecimento das pessoas que tiveram a seu cargo ficavam abandonadas à sua sorte e sem um tecto!



Recordo-me do rosto delas, primeiro ansioso, depois desesperado quando percebiam que não havia qualquer solução habitacional para elas.

Recordo-me que voltavam, que insistiam e que à força do desespero e da desesperança que crescera dentro delas, os sinais de perda da lucidez começavam a aparecer.

Algumas, após esgotarem os seus modestos pés-de-meia em pensões baratas ou quartos alugados, o melhor que conseguiam eram alojamentos disponíveis para sem-abrigo. Entretanto deixavam de aparecer… O processo ficava definitivamente arquivado!

Mas havia sempre outra e mais outra e a história voltava a repetir-se.

Olhando para os problemas que defronto e recordando muito do que já vi, ironicamente vem-me muita vez à memória o título de um filme relativamente recente:

terça-feira, dezembro 23, 2008

FELIZ NATAL


Adoração do Menino de Josefa de Obidos


Se eu alguma vez tivesse tido dúvidas, teria ficado, nesta minha incursão pela blogosfera, com a certeza de que vivemos num mundo onde se encontram ainda muitas pessoas generosas, amigas e com muita qualidade.

A todos os que com os seus blogs me têm tornado mais rico e mais conhecedor da vida e do mundo, a minha gratidão!

A todas as amigas e amigos que por aqui têm passado ao longo deste ano e têm tido a paciência de espreitar para os meus pequenos textos os meus sinceros agradecimentos.

A todos os que, não só me visitam, mas também têm tido a amabilidade de deixar os seus comentários e, mais importante que tudo, palavras amigas, eu deixo o meu mais sentido reconhecimento.

A todos sem excepção, os meus sinceros votos de Boas Festas.

Com os meus desejos de que passem com os vossos entes mais queridos um Santo e Feliz Natal, deixo-vos com uma canção tradicional desta época cuja autoria é atribuída ao nosso Rei músico D. João IV.

Essa canção é aqui interpretada pelos Pequenos Cantores de Bratislava, tendo como convidado o tenor Miroslav Dvorsky.



segunda-feira, novembro 24, 2008

Uma pausa necessária com uma canção inevitável


O tempo voa. Passaram dois meses desde o meu último post. 60 dias em que a vida e mundo nos reservaram muitas surpresas.

Enquanto em meados de Setembro, fazia umas magnificas férias em Budapeste, aqui em Lisboa, um familiar muito chegado via o seu estado de saúde deteriorar-se de forma quase galopante e praticamente irreversível!

De então para cá a minha vida alterou-se profundamente e a falta de momentos disponíveis e o meu próprio estado de espírito não me têm permitido vir até este espaço.

Confesso, no entanto, que tenho sentido saudades da blogosfera!

Saudades de escrever e também de visitar os blogs magníficos onde bebia diariamente textos e imagens que tanto me enriqueciam.

Pela amizade e generosidade, com que os meus pequenos textos foram sempre olhados pelos companheiros do mundo bloguistico, venho hoje deixar aqui um abraço a todos os que têm passado por este espaço e uma simples e curta mensagem:

A de que não desisti deste espaço e de que tenciono regressar a este meio, logo que a paz de espírito regresse e que volte o tempo disponível.

Mas porque os velhos hábitos não se esquecem facilmente, aproveito também para falar brevemente de uma música e de alguns dos seus intérpretes.

Uma música especial, que nesta altura da minha vida tenho recordado com bastante frequência e nostalgia, pois transporta-me a memórias muito queridas, tendo ainda por cima, por ela própria, um sentido muito particular!



Em 1945, Rodgers e Hammerstein estrearam o musical Caroussel, e como a vida pode ser surpreendente, uma simples canção desta peça, viria a tornar-se inesperadamente um hino popular, cantado tanto fervorosamente em Igrejas, como respeitosamente em cerimónias cívicas, como ainda entusiástica e freneticamente pelas multidões em estádios de futebol.

Na verdade You’ll never walk alone, que é como se chama esta canção, é um verdadeiro hino de solidariedade, para todos os que passam por momentos difíceis e precisam vencê-los.

You’ll never walk alone, tornou-se parte integrante das liturgias de muitas das igrejas cristãs, mas também no hino do Liverpool, do Celtic, do Borussia de Dortmund e de muitos outros clubes da Europa, dos Estados Unidos e até da Coreia e do Japão.









Esta canção acabou por se tornar, à escala mundial, num hino de incentivo e de esperança, que eu recordo como arrepiante em duas ocasiões diversas, quando o escutei pela televisão, uma primeira vez num coro de milhares de vozes que receberam João Paulo II na Escócia em 1982, e depois na cerimónia de homenagem póstuma às vitimas do 11 de Setembro, pela voz de Barbra Streisand, poucos dias depois do atentado de 2001!


O seu texto é simples, muito claro e muito belo:

When you walk through a storm hold your head up high,
And don't be afraid of the dark.
At the end of a storm is a golden sky
And the sweet silver song of a lark.

Walk on through the wind,
Walk on through the rain,
Tho' your dreams be tossed and blown.

Walk on, walk on with hope in your heart
And you'll never walk alone,
You'll never, ever walk alone


Por isso, mais do que escolher uma música, como é habitual neste espaço, a verdade é que esta canção se me impôs, pensando necessariamente em alguém que me está próximo e que está tão precisada de esperança, como de apoio.

Cantada por imensos cantores, desde 1945 até aos dias de hoje, de Plácido Domingo a René Fleming, de Sinatra a Alicia Keys, ouvi-a dezenas de vezes na voz de Mário Lanza, um dos cantores preferidos da minha mãe, num disco bem velhinho, que penso ter sido comprado pelos meus pais no final da década de 50, aquando do desaparecimento deste jovem cantor.






Contudo a primeira versão que conheci desta canção foi a da cantora Jane Froman que o meu pai me deu a conhecer, também numa gravação bem antiga.

Jane Froman, uma popular cantora da Broadway, tivera uma ligação muito especial a Portugal, ao ter sido uma das poucas sobreviventes de um trágico acidente de aviação ocorrido no Tejo no ano de 1943.

Um dos tripulantes do hidroavião apesar de muito ferido, conseguiu salvar a cantora, que se encontrava inconsciente, de morrer afogada, permitindo que apesar dos graves traumatismos que sofreu, ela sobrevivesse.



Para rematar este acto heróico, os dois vieram a apaixonar-se no hospital onde ficaram internados vindo pouco tempo depois a casar-se, retomando Froman a sua actividade de entertainer dos soldados americanos, mesmo de muletas e cadeira de rodas, o que a obrigou posteriormente a mais de 38 operações às pernas até conseguir recuperar.

Estes factos romanescos em plena 2ª Guerra Mundial tocaram na altura profundamente os corações dos portugueses e tornaram-se numa das primeiras histórias sobre o mundo artístico, que os meus pais e os meus avós me contaram na minha infância.

Deu também esta história origem a um filme de Hollywood que fez um enorme sucesso na época: With a song in my heart e que valeu a Susan Hayward uma nomeação para os Óscars desse ano!

Por todas as razões, que se prendem com afectos e gostos ligados aos melhores momentos da minha infância e juventude, esta é uma canção muito especial para mim!


Contudo hoje, não escolhi nem Lanza nem Froman para trazer aqui esta canção.


Trago uma voz que sempre me fascinou e que incompreensivelmente passou despercebida em Portugal, apesar de noutros países europeus ter alcançado grande popularidade, à semelhança do que acontecia nos Estados Unidos.


Falo da cantora norte-americana Timi Yuro, e a explicação mais plausível que encontro para pouco ter sido ouvida no nosso país, é talvez a de que ela apenas possuía qualidade vocal, sem ter propriamente os atributos de escândalo ou de sensualidade que lhe dariam decerto maior notoriedade entre nós.


Timi Yuro,foi uma cantora fantástica que infelizmente perdeu a voz prematura e dramaticamente em 1984, com pouco mais de 40 anos, devido a um cancro na garganta.

Timi que viria a padecer para o resto da vida das sequelas desta doença, veio a falecer em 2004 aos 63 anos e é considerada por muitos críticos como uma das melhores vozes brancas de sempre de R&B, tendo sido referida como a cantora preferida de muitos dos seus colegas!

Elvis e Morrissey, explicitamente assim a consideraram e até mesmo Sinatra, durante muitos anos não prescindia da sua presença, como primeira parte dos seus espectáculos.

É com o hino de esperança que é You’ll never walk alone, que tantas memórias me traz nestes dias difíceis, e com a preciosa voz de Timi Yuro que vos deixo por hoje, acrescentando apenas, com amizade, um simples “até breve”!


domingo, setembro 21, 2008

Porque Feltin rima com Dahan

Quem se lembrará de Maurice Feltin, hoje em dia?

Alguns decerto! Maurice Feltin foi, nas décadas de 50 e 60, Bispo de várias dioceses francesas, Arcebispo de Bordéus e de Paris e Presidente da Conferência Episcopal Francesa


Arcebispo de Paris Maurice Feltin

Este prelado começou por ter notoriedade pública ao ter organizado na década de 50 uma revisitação dos Autos de Fé à porta da Catedral de Dijon.

Fê-lo para proceder à queima de um Pai Natal gigante de quase 4 metros de altura, como meio de chamar a atenção para a crescente paganização do Natal.

O que conseguiu principalmente foram sorrisos, foi ver o seu nome nos jornais ao fazer recordar o passado inquisitorial da Igreja Católica e foi, de imediato, obrigar os bombeiros a apagar uma enorme fogueira.

Embora quisesse ser original na forma de colocar as suas razões, não teve nem uma ideia feliz, nem dela resultou algo de positivo!

Mas o acto que o tornou mais falado, foi a decisão de proibir, na qualidade de Arcebispo de Paris, e portanto em nome da Igreja Católica, a realização de uma missa fúnebre aquando do falecimento de Edith Piaf, alegando que o estilo de vida da cantora não era compatível com a celebração desse acto religioso.

Maurice Feltin chegou a Cardeal!


Claro que a decisão da Hierarquia da Igreja francesa, tomada logo após a morte de Piaf, a 10 de Outubro de 1963, não conseguiu influenciar os admiradores da cantora, nem mesmo os mais católicos, que passaram aos milhares, durante 3 dias, frente ao nº 67 do Boulevard Lannes, onde Edith residia, em Paris, cobrindo com flores os passeios da Avenida.

A comoção popular foi tal, que fez com que o seu funeral, a 14 de Outubro de 1963, se tornasse na maior manifestação pública a que Paris assistiu, só comparável à ocorrida aquando do final da 2ª Guerra Mundial.

Segundo recorda Charles Aznavour, o trânsito, em toda a cidade de Paris parou, literalmente, nesse dia 14 de Outubro de 1963!

Os comerciantes colocaram cartazes com faixas negras nas suas montras e centenas de milhares de pessoas encheram as ruas ao longo de todo o percurso do féretro.

Impedidas de lhe prestar a sua última homenagem num Templo, como estavam à espera, uma multidão de cerca de 40 mil pessoas forçou a entrada e invadiu o cemitério Pére Lachaise para passar junto à campa e tocar no caixão de Edith.

Foi um momento de enorme emoção colectiva, mas também de completa anarquia, que as autoridades foram incapazes de controlar.




Na verdade, ficaram a subsistir dúvidas quanto às razões do Arcebispo de Paris. Possivelmente elas tiveram que ver apenas com a sua visão muito pessoal do papel da Igreja na sociedade!

Um pouco mais de um ano antes, em 25 de Setembro de 1962, um acontecimento cinematográfico ocorrido na capital francesa, tivera honras diplomáticas sem precedentes.

O filme “O Dia Mais Longo”, um dos mais interessantes trabalhos cinematográficos sobre o final da Segunda Guerra Mundial, teve a sua estreia mundial em Paris.

Nessa altura a França de De Gaulle, aproveitou a ocasião para fazer esquecer o desastre ocorrido na Argélia, cuja independência era proclamada exactamente nesse mesmo dia pela Assembleia Nacional argelina.

Para isso, preparou um cerimonial especial, que teve honras de Chefes de Estado e de Governo de quase todos os países aliados.

Deu-se assim, a propósito da estreia daquele filme, uma verdadeira cimeira internacional, repleta de todo o tipo de celebridades, que teve o seu ponto mais alto, precisamente no cimo da Torre Eiffel, onde foi colocado um palco e onde, perante um grupo das mais conhecidas figuras mundiais, Edith Piaf, terá tido, talvez, a apresentação mais extraordinária da sua vida!

Piaf cantou o tema do filme (que nunca viria a gravar, sendo depois Dalida a registá-lo em disco), cantou ainda algumas das canções mais emblemáticas da sua carreira e por fim o Hino Nacional Francês, a Marselhesa!




A França consagrava assim definitivamente Edith Piaf, aos olhos de todo o mundo, como símbolo de uma Nação e de uma Era!

Contudo, essa pequena mulher, de pouco mais de um metro e quarenta, sentida como património nacional pelo povo e pelo Estado Francês, não se eximiu, dias depois da sua consagração na Torre Eiffel, a 9 de Outubro, de casar com o jovem grego Theophanis Lamboukas, 20 anos mais novo que ela, segundo o rito ortodoxo grego, religião do noivo…

As opções da cantora, anteriormente divorciada, não terão sido, obviamente, do agrado da Igreja Católica!

E o facto é que a explicação oficial do Arcebispo Maurice Feltin, para a proibição da missa, não refere a existência de qualquer questão religiosa, que o casamento poderia ter originado, mencionando apenas o estilo vida de Piaf como inapropriado.

Esta posição eclesiástica, mesmo face aos padrões da época, foi considerada incompreensível, para além de que, perante a circunstância da morte, constituiu um ataque desnecessário e grosseiro à memória de uma figura muito querida do público.

E mais uma vez, apesar da notoriedade que conseguiu com isto nos jornais, Feltin obteve apenas os resultados opostos aos que eventualmente desejaria!

Entretanto, a explicação não oficial que circulava nas ruas, tinha que ver com o romance público que Piaf mantivera muitos anos antes, com o pugilista Marcel Cerdan, que era casado e pai de três filhos e que morrera num acidente aéreo nos Açores, quando ía a caminho de Nova York, exactamente para se encontrar com Piaf.


Edith Piaf e Marcel Cerdan


Curiosamente, até a própria família de Cerdan, cujo casamento já estava abalado mesmo antes de Piaf aparecer, acabou por compreender a situação, ao aceitar o apoio financeiro que Piaf lhes disponibilizou na altura do acidente!

Finalmente, Edith acabou por ter no Pére Lachaise acompanhamento religioso, feito por um sacerdote da Igreja Ortodoxa Grega!




Edith Piaf é pois a figura que eu gostaria de abordar neste post.

E sinceramente, não tinha pensado falar no episódio Feltin, não fora algo que inesperadamente me fez recordar esse momento de humilhação póstuma da cantora.

Tendo já alinhavado mentalmente o que pretendia escrever aqui sobre Piaf, resolvi que seria oportuno ver finalmente o filme realizado por Olivier Dahan “ La Vie en Rose”, que valeu este ano à actriz Marion Cottilard o Óscar para melhor actriz.


Pretendia, vendo o filme “La Môme- La vie en rose”, limar do meu post tudo o que se parecesse com um mero eco do conteúdo da fita.

Sendo um filme recente e tão visto, seria absurdo pôr-me repetir o que lá se encontrava!

No entanto, ao ver as imagens desta película, ao mesmo tempo que ia ficando preso àquela voz magnífica, ia ficando também constrangido com a imagem que estava a ser passada da cantora.

Percebe-se claramente que Olivier Dahan leu e pesquisou muito sobre toda a vida da Môme e fez as suas opções, sobre o que colocar no filme.

Opções que para mim só são explicáveis à luz do interesse comercial, de forma a tornar o filme um produto facilmente apetecido pelas grandes massas, um filme que desse portanto o devido retorno aos investidores.

Contudo essas opções de Dahan, no meu entender, desfocam a imagem de Edith e não constituem, como aliás o realizador reconhece, uma verdadeira biografia da artista!




Mulher com origens no bas-fond parisiense, habituada desde sempre a beber e a ter uma vida livre, amando quem queria e quando queria, Edith foi um ser humano muito para além da imagem que o filme acaba por transmitir!

Quem se lembra de Edith ainda viva, quem conhece os testemunhos dos que com ela privaram, quem viu os filmes caseiros da sua intimidade, nomeadamente os feitos pelo casal Bonel, não pode deixar de se entristecer com ideia de que, para as gerações mais jovens, a imagem que fica de Edith através deste filme, corresponde à de uma mulher com um talento extraordinário, mas cuja vida foi apenas um mar de desgraças, minada pelo álcool e pelas drogas, que a envelheceram precocemente e que a tornaram amarga, caprichosa e rude.

Uma imagem de Piaf, que este filme nos dá, talvez tivesse agradado a Maurice Feltin, mas é tristemente incompleta!

Há um outro lado do ser humano Edith, que teria sido bom que fosse também colocado no filme, e decerto com esse equilíbrio o resultado seria mais justo para com a sua memória!




O responsável pela distribuição do filme nos Estados Unidos, afirmou que não precisou sequer de 5 minutos, para perceber que o filme tinha todos os condimentos necessários a ser um sucesso.
Alguém que vence, começando na lama, sendo a sua vida um coctail de droga, álcool e sexo, amores proibidos e doenças fatais!

Marion Cottilard que interpretou o papel de Piaf, disse que o que lhe fora pedido, não fora uma imitação de Edith, mas sim a acentuação de alguns traços do seu carácter.

Cottilard crê que ficou nos limites da caricatura.

Eu, sinceramente, não negando o seu imenso talento, creio que em muitos momentos ultrapassou esses limites.

Fosse como fosse, o produto final foi um sucesso estrondoso e eu acabo ficar num pequeno grupo daqueles que consideram, que mais uma vez, a memória de Edith Piaf não foi respeitada, e que o lado mais triste da sua existência serve agora para encher os cofres de algumas produtoras e distribuidoras.


Olivier Dahan e Marion Cottilard


Um amigo, que havia visto o filme, referiu-me que a ideia com que ficou foi a de que Edith tinha um fantástico dom natural, mas que se limitou a usá-lo, no meio de uma vida dramática, desregrada e de algum modo auto-destrutiva.

Resumindo, para além da sua voz, pouco mais teria oferecido ao Mundo!

Não sei se muitos que viram o filme, principalmente os mais jovens também partilharão da opinião desse meu amigo! Temo bem que sim!

Por isso, sem querer ser pretensioso, quero dizer hoje algo mais sobre Piaf, que Olivier Dahan também poderia ter dito, para que uma imagem mais equilibrada desta extraordinária cantora fosse transmitida.

Piaf e Jean Cocteau


Dahan omitiu completamente importantes partes da vida de Edith, nomeadamente a sua faceta de autora de mais de 100 canções, entres as quais a célebre La Vie En Rose, a sua faceta de actriz de teatro sempre bem sucedida e as suas interpretações no cinema.

Omitindo isso, omitiu também a sua grande amizade com Jean Cocteau, que escreveu para ela a peça Le Bel Indefferent, e sua relação próxima com os círculos mais criativos da intelectualidade parisiense dos anos 50.



Cocteau também bastante doente, com um edema pulmonar, acabou por morrer com uma sincope poucas horas depois de Edith, logo depois saber da morte da amiga, dizendo: “Ah, se ela partiu, então também já posso ir também!”



Dahan omitiu igualmente o papel de Piaf no apoio a um elevado número de judeus, durante a ocupação alemã! Michel Emer, seu músico e compositor de muitas canções entre as quais L’Accordeoniste, foi um dos que Piaf conseguiu levar para a zona de França não ocupada e manter lá até ao final da Guerra



Omitindo isso, omitiu o controverso bom relacionamento que Edith tinha com as chefias militares alemãs, o que depois se veio a verificar que lhe dava a cobertura necessária para poder ter na sua orquestra os músicos que quisesse, ainda que fossem judeus. A dada altura a orquestra ficou apenas composta por judeus que, sem a sua protecção, teriam sido deportados para os campos de concentração.

Omitiu ainda, a sua colaboração com a Resistência, que facilitou a fuga de vários prisioneiros de guerra dos campos alemães.

O papel de Edith era bastante simples: Ela, tal como outros cantores ía actuar a esses campos, por imposição dos ocupantes nazis. Guardas e prisioneiros assistiam!
Claro que os prisioneiros franceses eram os que sentiam mais a presença da cantora, então ela pedia para ser fotografada ao lado de alguns dos cativos, mas um a um, conforme o previamente combinado com a Resistência.

Uma cópia da foto era depois enviada para o detido, como recordação do momento e outra era cortada e usada a parte do rosto do prisioneiro para forjar documentos de identificação falsos, a ser usados após a fuga.

Piaf com Charles Dumont

No filme La Vie en Rose, Dahan descreve, carregando no dramatismo da situação física de Piaf, o seu encontro com Charles Dumont. Na verdade, Piaf estava adoentada, recebeu-o em roupão e com muito pouca vontade.

Dahan omitiu no entanto, as razões da pouca vontade de Edith!
Charles Dumont vinha afirmando há anos e publicamente que não gostava de Edith e que nunca lhe entregaria uma canção.

Contudo, todos os amigos de Dumont diziam que a melhor voz para as canções que ele compunha era a de Edith, e quando ele escreveu Non, Je ne regrette rien, todos perceberam que só Edith lhe poderia dar a interpretação necessária.
Talvez por isso, Dumont manteve esta canção na gaveta cerca de 3 anos!

A custo, amigos comuns convenceram os dois a marcar um encontro de trabalho, e apesar das circunstâncias da reunião na qual nenhum deles tinha à partida especial interesse, Edith ouviu a canção e ficou absolutamente extasiada, pelo seu lado Dumont percebeu finalmente que Edith era a "sua" voz!

"Non Je ne regrette rien" tornou-se assim a canção de abertura do seu próximo espectáculo no Olympia!



Também aqui Dahan omite as razões pelas quais esse espectáculo se realizou, mostrando apenas que, em alguns momentos, ela pensou em desistir do compromisso que tinha com Coquatrix!

Com efeito, estando Edith já a sentir os efeitos do seu problema oncológico, em 1960 Bruno Coquatrix, empresário da prestigiada sala Olympia, lançou um apelo a Piaf: o Olympia estava falido, as dívidas eram enormes e não havia dinheiro para pagar ao pessoal.

A única hipótese que havia de salvar aquela sala e proteger os seus trabalhadores, seria uma série de espectáculos que fossem garantidamente dinheiro em caixa. E para isso Coquatrix só tinha uma solução segura: recorrer a Piaf!

Piaf, amiga de Coquatrix, e sentimentalmente ligada à sala e a todos os que lá trabalhavam, aceitou o desafio, contra todos os conselhos médicos!
Piaf e Coquatrix

Em alguns momentos a sua saúde fê-la hesitar, mas levou o compromisso até ao fim e deu cem espectáculos em 12 semanas, nalguns dos dias mais do que um espectáculo!

Os cofres do Olympia encheram-se de novo e a sala foi salva do encerramento! Para Edith no entanto, o excesso de trabalho ía-a aproximando do fim!

A verdade, no entanto é que o êxito foi extraordinário. Aquando da primeira apresentação de "Non Je Regrette Rien" no seu primeiro espectáculo, o público aplaudiu-a de pé durante 6 minutos. A notícia de uma nova canção de Piaf espalhou-se e, em cada sessão, a reacção do público repetia-se!

Para Charles Dumont, que já escrevera dezenas de canções para outros artistas, veio finalmente a consagração e a amizade e a colaboração entre os dois não cessaria até à morte da artista.

Num pequeno aparte, refiro que Edith Piaf dedicou a gravação de "Non Je ne Regrette Rien" à Legião Estrangeira, então envolvida nos combates da Guerra da Argélia.

Quando um batalhão desta força expedicionária, se viu encurralado e teve que se render, os militares à medida que saiam do aquartelamento íam cantando em uníssono esta canção, num coro impressionante e emotivo que ficou para história desse conflito!

"Non Je Ne Regrette Rien" tornou-se uma canção de honra da própria Legião, passando a ser cantada a partir de então em todas as paradas militares deste Corpo Militar.


Semana das Barricadas em Argel
Para surpresa de todos, Edith mesmo bastante doente e fraca parecia, no palco, ganhar nova vida, e para além dos espectáculos do Olympia iniciou uma maratona de concertos que ficaria conhecida pela Tournée suicida!

Mas quais eram as doenças de Edith?

Piaf, excepto nos últimos cinco anos de vida em que não tocou em álcool, sempre bebera e às vezes bastante! Aproveitando esse facto real, a película de Dahan não dá ao espectador muitas mais pistas, para além dos excessos de bebida e de drogas, para explicar a decadência física da artista.
A realidade, contudo, era bem mais complexa!

Antes de completar 30 anos, Edith já padecia de problemas de origem reumática. Foram-lhe diagnosticados poliartrite e um reumatismo deformante que lhe atacava braços e mãos, pernas e pés e também o rosto!

Para o seu tratamento, que se iniciou na década de 40, foi-lhe ministrado um novo medicamento, a cortisona, cujos efeitos secundários, não tinham sido até ao momento suficientemente avaliados, principalmente para quem os tomava em doses excessivas, como foi o seu caso.

Problemas gástricos, perda de massa muscular, deterioração do sistema imunitário, osteoporose, inchaços do rosto e do abdómen, entre outros foram os resultados da medicação, enquanto, apesar de tudo, a doença não deixava de progredir.

Aliado a este quadro, três violentos acidentes de automóvel, o primeiro com Charles Aznavour que foi seu motorista e secretário, e o último com George Moustaky com quem viveu algum tempo, provocaram-lhe fracturas diversas, cuja convalescença nunca conseguia completar, devido aos seus compromissos profissionais.

As dores permanentes que sentia levaram-na ao uso continuado da droga que era usada nos hospitais para combater o sofrimento: a morfina!

Dahan aborda de passagem estas questões, mas elas aparecem descontextualizadas!

Vê-se que Piaf recorre às injecções de morfina com muita frequência, mas sem a explicação da origem fica, quanto a mim, criado um equívoco, relativamente à verdadeira natureza da sua dependência face àquela droga!

Dahan, tem no filme um objectivo claro: dramatizar ao máximo o espectáculo da degradação fisica da cantora, para suscitar a emoção do público e, quanto a mim, claramente exagera.

Na cena em que Edith aparece nos bastidores, antes do início do primeiro espectáculo do Olympia de 1960, Dahan dá-nos uma Piaf de tal forma frágil, que só amparada por duas pessoas consegue manter-se de pé.

Sabe-se que Edith estava já doente, contudo nas imagens reais do espectáculo que se encontram a seguir, com a canção La Foule pode-se avaliar, o quanto de rigoroso ou de caricatural, é a encenação de Dahan.



Penso que por hoje já me alonguei em demasia, para um só post, mas a culpa é de Dahan, cuja visão de Piaf, por muito desnorteada, desregrada e desgraçada que fosse a sua vida, me levou a não reconhecê-la no seu filme e, por isso mesmo me obrigou a escrever muito mais do que pretendia inicialmente.

Se houve alguém com a resistência suficiente para chegar até aqui, direi ainda que penso, no próximo post falar, sobre mais alguns aspectos da vida e da carreira de PIAF, tema que muito me agrada e que é quase inesgotável!

Só não sei se o conseguirei fazer ainda esta semana!
Se não o conseguir despeço-me até meio de Outubro!
A partir do final desta semana, Budapeste espera-me e, não querendo abusar da boa vontade dos meus amigos, se alguém tiver algumas dicas sobre restaurantes ou algo de interessante fora dos habituais roteiros turísticos agradeço imenso.


Até lá deixo em paz Piaf, cujo maior vício, para além de cantar, era fazer tricot, deixando aqui uma das suas canções de que mais gosto, criada em 1962, já no final da sua carreira´

Chama-se "Emporte-moi" e vêmo-la, no vídeo abaixo, numa interpretação ao vivo na televisão francesa a menos de um ano antes do seu falecimento.