domingo, setembro 17, 2006

Hildgard

Foto de Bingen

Passam hoje 827 anos da morte de Hildegard de Bingen. Uma mulher diferente, de inteligência, cultura e sabedoria excepcionais, cuja vida e obra chegaram até aos nossos dias.
Escritora, compositora, visionária, religiosa, mas por vezes em forte confronto com a Igreja, atingiu um estatuto social que raramente as mulheres tiveram na Época medieval.
Embora oficialmente o seu processo de cananozição não tenha chegado ao fim, a devoção popular por esta figura histórica é tão grande que a partir do Século XVI começou a ser designada por Santa.
Para os amantes da polifonia é imprescindível ouvir a sua obra, ficando aqui um excerto de "O Virtus Sapientiae"

http://humanneuro.physiol.umu.se/GW/5mp3/O_Virtus_Sapientiae5.mp3

Com ele ter-se-á uma pequenina amostra de música... verdadeiramente celestial!

Para melhor conhecer a sua vida (uma biografia um pouco ficcionada, digamos assim) aconselho vivamente o livro da escritora americana Joan Ohanneson chamado Música Escarlate.

Como disse dela Maria Teresa Horta " Para uns era uma Santa, mas para outros uma verdadeira praga. Tolerância e ameaça ao mesmo tempo". Alguém a revisitar... ou a descobrir.



sábado, setembro 16, 2006

O MÉTODO DA REFORMA


Quando falamos de Reforma da Segurança Social estamos a falar de quê?

Em primeiro lugar, estamos a falar de algo de uma seriedade tal que merece todo o respeito e cuidado no seu tratamento. Estamos a falar da segurança do nosso futuro!

Devido exactamente ao respeito e ao cuidado que merece esta matéria, qualquer Reforma da Segurança Social, deve estar para além de qualquer maioria conjuntural e deveria ser algo mais abrangente e mais sólido!
Nessa medida, entendo perfeitamente a afirmação do Presidente da República, de que é necessário que não se fique na situação de que, por cada vez que muda o Governo, se alterem as perspectivas de futuro da Segurança Social.
No entanto, existe já uma base mínima, relativamente à qual, qualquer força política tem que assegurar respeito! É a definida pela Constituição! Mas será que chega?
Penso que não! Pelo que se vê hoje em dia, um conjunto de expectativas que os cidadãos possuem face às leis que estão em vigor, pode vir a ser completamente espezinhado por um Governo se assim lhe "der na telha".
Mas aí, está exactamente o papel de intervenção do Presidente da República, através da persuasão e até mesmo do veto, para não deixar que isso aconteça!
Por isso, em meu entender, em matéria que comporta tantas diferenças ideológicas, não serão os partidos que deverão passar por cima das suas próprias identidades em favor de um novo projecto de Segurança Social comum, deverá ser o Presidente a zelar para que as alterações que surjam, venham sempre em benefício dos cidadãos e se mantenha a decência na gestão do Sistema existente!
E isto significa que o Presidente da República deve agir como guardião deste Templo, impedindo tanto a retirada de direitos por economicismo, como a sua atribuição por simples oportunismo eleitoral!
No entanto, e para além do papel presidencial , deveria existir um mecanismo constitucional que nos salvaguardasse das sucessivas tropelias governamentais, e para isso, os partidos deveriam, de facto, entender-se.
De acordo com as expressões mais comummente ouvidas aos responsáveis políticos, ao falarmos de Reforma do Sistema estamos a falar de “garantir a sustentabilidade futura do Sistema de Segurança Social”.

De uma forma mais abreviada, o que eles querem dizer é que se pretende um ajustamento das saídas de fluxos de financeiros às respectivas entradas. O que quer dizer que infelizmente, não estamos a falar de direitos sociais, estamos, apenas e só, a falar de gestão financeira!

Ou, ainda de uma forma mais directa, o que esses responsáveis querem dizer com essas expressões metafóricas, é que se irão cortar benefícios, já que a questão da Reforma da Segurança Social, surge apenas porque parece faltar dinheiro para os manter ao nível a que estão!

Bom, sendo assim, há algumas perguntas que inevitavelmente surgem e que esses responsáveis deveriam responder:

1 - Qual é o patamar mínimo de benefícios que o Sistema Público deve garantir?

2 - E o que deve ser definido primeiro? Esse nível de benefícios ou os mecanismos financeiros para os obter?

3 - Será que Governo e Oposição entendem que os benefícios que a Segurança Social atribui aos portugueses são excessivos e que por isso devem ser reduzidos?

4 - Ou será que apenas são cortados porque há poucos meios, independentemente de se poder considerar um aumento do esforço nacional para que esses benefícios se mantenham?

5 - Não deveriam os actuais responsáveis políticos, dizer com clareza qual padrão mínimo de benefícios que propõem, como adequado a uma sociedade justa e feliz?

6 - Será que, para os actuais responsáveis, a definição de um patamar mínimo é um princípio inegociável, ou é uma mera proposta, susceptível até de negociação, com quem entende que esse mínimo ainda deve ser reduzido?

7 - Será que o Conselho de Concertação Social, composto por patrões e sindicalistas, pode substituir a decisão dos cidadãos, que maioritariamente são trabalhadores por conta de outrem não sindicalizados?

9 - Não seria obrigação de todos os partidos políticos apresentar-nos as suas propostas, de forma a ser-nos colocado à consideração um conjunto de hipóteses, ou alternativas para que nos pronunciássemos?

Confesso, que a mim, pessoalmente, me assusta a ideia de uma velhice empobrecida e de um final de vida sem meios para aproveitar minimamente os anos que me faltarem!

Assusta-me a ideia de após uma vida de trabalho, ter um tempo de escassez, numa fase da vida em que mais precisarei de apoio!

Assusta-me que essa fase da minha vida esteja a ser decidida, partindo-se de um pressuposto económico-financeiro e não de um pressuposto social!

Assusta-me que esta “Reforma” esteja a ser pensada e tratada por uma classe política que tem tratamento privilegiado em termos de Segurança Social e que em muitos casos já tem o seu problema pessoal resolvido, ao fim de 12 anos de actividade!

Assusta-me que a irresponsabilidade, que nos trouxe à situação actual, prossiga e nunca mais tenhamos garantia de coisa nenhuma, relativamente ao nosso futuro!
Chegados ao ponto em que há uma sensação generalizada de incerteza, quanto ao futuro das nossas reformas, em que não se sabe se dentro de 5 anos não voltaremos a estar confrontados com nova necessidade de reformulação dos mecanismos que as regulam, eu desejaria que aparecessem propostas politicas claras e consistentes.
Prospostas alternativas, com bases técnicas fiáveis, validadas devidamente (pelo B.P. ou por comissão técnica presidencial, p.e.) e a sua apresentação a Referendo.

Penso sinceramente que no estado em que as coisas chegaram, esta é uma questão que tem que ser apreciada e decidida pelos cidadãos, por todos nós!
E pese embora a responsabilidade política de que estão investidos todos os Governos para fazer Reformas, quando essas Reformas se começam a suceder, em zigue-zag, aparecendo umas após outras com sentidos contraditórios, quando aquilo que deveria ser absolutamente seguro, se torna obviamente incerto , talvez seja tempo de se dizer aos Governos, que eles terão que fazer a gestão, mas que a decisão é nossa. Sempre nossa!

Nós é que somos os donos da quinta, os Governos são apenas os caseiros, e quando eles, um após outro, começam irresponsavelmente a pensar e a actuar como se a propriedade fosse deles, o melhor é deixarmos de ser absentistas e tomarmos as rédeas do poder nas nossas mãos, pois caso contrário, corremos o sério risco de ficarmos sem a nossa propriedade e sem o nosso futuro!
Sem essa exigência da nossa parte, acabaremos por deixar aos nossos filhos e netos a terrível imagem histórica de uma geração de fracos, que foi incapaz de manter a herança de direitos e conquistas que gerações anteriores já haviam alcançado!

quinta-feira, setembro 14, 2006

O Espelho da Nação


Na página oficial da Marinha Portuguesa encontra-se uma explicação, resumida em vários pontos, da importância das Forças Armadas para Portugal.

http://www.marinha.pt/Marinha/PT/Extra/FAQs/Geral/Qual_importancia_FA_para+_Portugal.htm

Um deles, passo a transcrever:

«São um elemento fundamental de negociação e pressão na esfera diplomática actual, com reflexos muito importantes do posicionamento nacional no contexto Europeu e Internacional, com enormes reflexos político-económicos. Uma vez que são o "espelho da Nação", desenvolvem, assim, um importante papel no estabelecimento e manutenção das relações internacionais.»

Ora vem isto a propósito de se saber que os militares portugueses no Kosovo estão a ser alvo de investigações devido a insubordinação, saídas nocturnas não autorizadas, alcoolismo e recebimento de luvas na aquisição de materiais.

Pois bem, aqui temos a prova provada de que os nossos militares são mesmo o Espelho da Nação!

quarta-feira, setembro 13, 2006

Chove hoje em Lisboa


Chove hoje em Lisboa!

Esta foto de 1981, mostra crianças do Lesoto, ansiosas por água! Sequiosas e possivelmente famintas!

As zonas deserticas não são uma novidade em África. E não podemos dizer que todas elas se devam ao consumo de hidrocarbonetos!

No entanto as condições de seca vêm-se agravando de ano para ano naquele continente.

A fome e a morte fazem parte do dia a dia de populações esquecidas e desenraízadas do mundo de hoje que lhes traz apenas as consequencias de um desenvolvimento que não é o seu.

Tal como como é dito em "UMA VERDADE INCONVENIENTE", é preciso MUDAR JÁ!
E isso passa tanto pela moderação no uso de combustíveis fósseis, como pela proibição da importação de madeiras exóticas!

Essa mudança pode ser pedida aos Governos e às Instituições! Mas também pode começar por nós próprios, preferindo o transporte público não poluente, recusando a compra de mognos, sendo racionais no consumo da água...

Em Lisboa chove e a nossa preocupação hoje volta-se para um regresso a casa, eventualmente molhado e mais lento, devido aos problemas de transito!

Ao mesmo tempo no Lesoto continua a seca e a ausência de futuro para as crianças, pois de acordo com as estatisticas, mais de metade das crianças que vimos na foto não terá sequer chegado à idade adulta!

Chove hoje em Lisboa!

terça-feira, setembro 12, 2006

Uma verdade inconveniente


A partir de hoje poderemos ver também em Portugal o documentário "Uma verdade inconveniente", apresentado por Al Gore.
O homem que diz de si próprio que já foi "o próximo presidente norte-americano", e a quem os seus inimigos políticos chamam o "homem ozono" ou o "feijão verde", tem-se empenhado nos últimos quatro anos numa cruzada em favor da conscienlização dos efeitos da poluição no ambiente.
Esta opção de vida, não terá sido apenas uma retirada a favor da sua natural vocação de defensor das causas ambientais. Na verdade ela faz parte igualmente de uma preparação para uma eventual candidatura presidencial em 2008.
Um sinal disso mesmo, que nos pode dar já pistas para umas previsíveis primárias do campo Democrático, é que a própria senhora Clinton começou a marcar terreno, nas matérias ambientais, tendo já começado a fazer, ela própria, conferências sobre a matéria (tão bem preparadas e interessantes, quão venenosas para Gore).
Mas com objectivos mais ou menos difusos, o importante é que a mensagem relativa aos efeitos do aquecimento global comece finalmente a passar, e por isso o senhor Gore está naturalmente de parabéns.
Em Lisboa pode ser visto no Amoreiras e no Porto no Norte Shopping.
Para já uma pequena apresentação em

segunda-feira, setembro 11, 2006

Em nome de Deus?

11 de Setembro


"Coração orgulhoso, tens pressa de confessar tua derrota
e adiar para outro século a felicidade coletiva.
Aceitar a chuva, a guerra, o desemprego e a injusta distribuição
porque não podes, sozinho, dinamitar a ilha de Manhattan."
Carlos Drummond de Andrade, 1938.

domingo, setembro 10, 2006

10 de Setembro de 2006

Esta é a minha estreia como "bloguista".

Neste blog desejaria que coubesse tudo! Tal como na vida!

Por isso todos os amigos são bem vindos! Os antigos e os que quiserem aparecer...

Música, política, viagens... São exemplos de assuntos que pretendo abordar.

Música, no meu papel de simples ouvinte.

Política, no meu papel de simples cidadão.

Viagens, na condensação das minhas alegrias e descobertas, feitas ao longo destes meus 50 anos de vida.

Bem vindos pois.

Um abraço