quinta-feira, junho 12, 2008

Que ideia de cidade?


Em que tipo de cidade gostariamos de viver?

Numa cidade romântica e de traços clássicos?





Numa cidade como a que nos propôs Le Corbusier?



Ou numa cidade futurista?



Se é difícil perceber o que cada um dos dez milhões de cidadãos pensa e deseja como modelo de cidade, já não deveria ser difícil conhecer as opiniões dos nossos presidentes de Câmara!

No entanto, alguma vez se ouviu algum candidato autárquico dizer que tipo de edificios quer ver construídos nas diferentes zonas da cidade? Ou o que modelo de cidade quer utilizar quando for construir novas ruas e praças, em novas urbanizações?

Já algum candidato a presidente de Câmara – e falemos de Lisboa, que é onde vivo – disse o que gostaria de fazer, em termos concretos, com as zonas mais nobres da cidade?

Na verdade, aquando da apresentação das candidaturas, nunca nenhum expressou uma ideia que fosse a esse respeito, nem nunca vi nenhum meio de comunicação social assinalar essa omissão!

Em Lisboa, no cruzamento da Avenida da República com a Avenida António Serpa, existiu este edifício!

Edificio que se situava na esquina da Av. da República com a Av. António Serpa




Há quase 10 anos, que apenas está lá um espaço vazio!

Admito que já existam projectos para o local, mas que projectos?

Que aspecto irá ter a Avenida da República nesse local? Vão-se repetir os erros que no passado se cometeram, ou ir-se-á respeitar a história da Avenida? Há uma política camarária a este respeito ou, o que se construir depende das circunstâncias?


Far-se-á a reposição do que existia, fazendo um prédio exactamente igual? Ou algo como o que se encontra em frente a este espaço, do lado oposto da Avenida da República?


O edificio mais alto com a sinalética COSEC é o fronteiro ao edifico demolido na Av. António Serpa




Se eu tivesse algum voto na matéria, eu gostaria que a Avenida da República fosse completamente transformada, repondo-se o carácter e a ambiência que já teve nos anos 20 e 30 do século passado, em que existiam prédios magníficos, dos quais infelizmente só restam alguns!

Repare-se neste belo edifício, prémio Valmor em 1923, e repare-se igualmente nas edificações que estão ao seu lado, que quase o anulam, fazendo-o parecer como que deslocado no seu próprio espaço.



A verdade é que, se felizmente que não houve o atrevimento de destruir alguns dos mais belos edifícios da Avenida da República, o certo é que a classificação de apenas alguns deles, acabou por permitir a substituição dos restantes por "coisas" que transformaram aquela Avenida em algo com um carácter completamente diferente do que existiu. Melhor? Creio que não, infelizmente!

A solução para manter a graciosidade e a elegância daquela Avenida teria sido simples! Bastaria a que a construção de novos edifícios no local fosse feita dentro do mesmo estilo dos edifícios mais importantes que permaneciam. É aliás uma regra de bom senso, que muitas cidades aplicam por esse mundo fora.


Edificio de esquina da Avenida da República com a Avenida João Crisóstemo (foto dos anos 40)




Creio que se tivéssemos obrigado a que as novas construções, seguissem o estilo do anteriormente edificado, como se fez, por exemplo, com a reconstrução do Chiado, teríamos hoje uma Lisboa mais bela, mais humana, mais agradável, e uma Avenida da República extremamente elegante, o que certamente, até em termos de valorização imobiliária da área, não seria de desprezar...

Poder-se-á dizer que voltar atrás é impossível e que os erros acumulados durante décadas não se poderão remediar, pois os custos financeiros seriam insuportáveis.

Bom, muitas cidades na Europa, após a destruição provocada pela Guerra, não pensaram assim!


Admito, contudo, que a realização de um "sonho" deste tipo seria dificil, mas apesar disso, gostaria de deixar as seguintes observações:

Primeira observação:
Ainda não é tarde no que se refere aos espaços que existem na Avenida da República e que se encontram à espera de novas edificações! Se aparentemente há uma unanimidade relativamente ao sentimento de perda do carácter da Avenida, porque não então, obrigar a que as novas construções nesses espaços obedeçam ao respeito pela traça antiga?

Segunda observação, contendo uma sugestão concreta:
Porque não fazer da construção que se irá realizar no local onde se situou a Feira Popular, um quarteirão romântico, utilizando os projectos de edifícios do final do século XIX e principio do século XX, que foram destruídos naquela e noutras Avenidas de Lisboa? Porque não pagar assim uma dívida histórica para com a cidade?

Vejamos alguns exemplos de edificios demolidos:




Prédio da Avenida da República demolido em 1949, deu lugar a prédio de 8 pisos




Prédio na Avenida Duque de Loulé demolido em 1954, substiuido por edificio de 7 pisos


Prédio da Avenida Tomaz Ribeiro demolido em 1954, substituido por edificio de escritórios


Terceira observação:
No que se refere à Avenida da República, os apetites parece que não sossegam, as ideias e a vontade de intervir não faltam e a possibilidade de se arranjar o dinheiro necessário, parece que também não. A este propósito, deixo aqui transcrito o artigo do jornalista Filipe Morais do Diário de Noticias, publicado em 15 de Maio de 2006, sobre um projecto do tempo de Carmona Rodrigues, com o título: A Avenida da República vai ter prédios mais altos - para quem quiser ver o artigo no respectivo site aqui segue o link:

http://dn.sapo.pt/2006/05/15/cidades/avenida_republica_ter_predios_mais_a.html

Independentemente do que se possa pensar sobre este projecto, a verdade é que a hipotese da sua realização pela Câmara de Lisboa, significa que algo pode ser feito para modificar a Avenida da República! Então, se algo pode ser feito, não seria altura de se ponderarem todas as hipoteses de alteração, dando aos cidadãos a palavra sobre o que pretendem para a sua cidade?


Transcrevo agora o referido artigo:



"A Avenida da República vai ter prédios mais altos (Filipe Morais - DN)


Uma avenida mais homogénea, com uma imagem urbana requalificada e que atraia mais pessoas para o centro da cidade, é o objectivo do Plano de Alinhamento e Cérceas para a Avenida da República, que a vereadora do Urbanismo da Câmara Municipal de Lisboa vai apresentar na próxima reunião pública da autarquia.No total, este plano de pormenor, em modalidade simplificada, vai envolver 130 edifícios e deverá resultar numa Avenida da República com um ar renovado.


O plano de Gabriela Seara prevê um acréscimo de edificabilidade de 44%, com mais 77 327 metros quadrados, através do crescimento das cérceas, a dimensão vertical das construções.O objectivo é permitir que alguns dos edifícios daquela artéria possam crescer e construir novos pisos. Gabriela Seara explicou ao DN que "há quarteirões muito díspares, onde há 'desdentados', e em alguns casos conseguimos resolver esse problema", com edifícios que "podem sofrer uma remodelação profunda, incluindo demolições, ou só alterações parciais, ou construção em volume, tendo que manter as fachadas".


A vereadora sublinha que "o objectivo deste plano, que inclui definições para alterações de usos e características arquitectónicas, é o de salvaguardar, reabilitar e integrar valores patrimoniais" e "identificar e reabilitar os usos residenciais".


A responsável pelo Urbanismo da cidade acrescenta que "isto é uma nova visão da cidade, o facto de começarmos a atrair pessoas para uma zona que é bem servida de acessibilidades. É o que nos interessa, promover a habitação e repovoar os eixos centrais da cidade".


Neste plano de alinhamento e cérceas, que, após aprovação na autarquia, terá de ser enviado à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo (CCDR), houve ainda a preocupação de "conseguir uma valorização positiva para os que construíram património urbano de qualidade e que actualmente são prejudicados por aqueles cujo património não é qualificado". Assim, ajuda-se ainda "quem não teve preocupações de qualidade em edifícios que podem agora aumentar os fogos ou a volumetria".


Método perequativo


No entanto, o projecto vai mais longe, prevendo compensações para os edifícios classificados e "que perdem uma edificabilidade que os seus vizinhos do lado podem ganhar. Por isso, têm de ser compensados, pelo facto de não lhes poderem mexer". Gabriela Seara chama a atenção para o facto de que "quem vai pagar essa indemnização são os que podem mexer.


Conseguimos um sistema perequativo, em que uns pagam, outros recebem e outros pagam e recebem, por poderem construir, mas só até um determinado limite". As contas da perequação compensatória prevêem já um valor de mais de 16 milhões de euros, que será pago pelos edifícios que podem construir aos que não podem. A verba deverá ser aplicada na reabilitação destes edifícios. Os benefícios a reverter para a CML serão acima dos 18 milhões de euros.


Quanto ao sistema de pagamento, a vereadora adianta que "ainda está em estudo, até porque a câmara não pode fazer afectação de verbas", mas "um fundo permitiria monitorizar a execução e perceber, de forma transparente, quantos pagaram, quantos receberam e se está a decorrer como previsto".Para o ganho de 77 mil metros quadrados na Avenida da República, onde a cércea média é de 31,5 metros de altura, 49 podem ser mexidos, 27 não poderão ser alterados e dez estão na situação em que podem ser alterados, mas não até ao limite, pelo que, segundo o método perequativo, pagam e recebem. Há 46 edifícios que ficam de fora do plano.


O projecto para a Avenida da República inclui já o espaço da Feira Popular de Lisboa, "que já tem um loteamento aprovado". Gabriela Seara refere que nas construções para aquele espaço, "se quiserem aumentar ou fazer alterações, já sabem que a partir de um limite não mexem" e reforça a importância destas "regras, sobretudo em avenidas sensíveis. Ao contrário do que dizem, diminuem a especulação imobiliária", porque estão definidas à partida.


A aplicação deste projecto poderá ter início no próximo ano. Depois do envio à CCDR, o plano terá que passar por um período de discussão pública e "todos os grandes proprietários vão ter que ser ouvidos". Depois do parecer da CCDR, a câmara tem que votar o projecto novamente, enviá-lo à aprovação da assembleia municipal e só depois pode ser ratificado, pelo que só deverá entrar em vigor em 2007. "São processos muito participados. é mau porque demora, mas é melhor assim", disse a autarca.


Sobre os objectivos deste plano, Marina Tavares Dias, estudiosa da cidade de Lisboa, entende que "tudo o que venha impor regras é bom, mas é preciso analisar caso a caso" e afirma que, actualmente, "a Avenida da República é um somatório de tudo o que não devia ter sido feito desde os anos 50 e está transformada num caos absoluto. A especialista critica o facto de a avenida "ser uma auto-estrada com prédios dos lados" e a falta de residentes: "O trânsito é intenso, mas às 21.00 já não se vê ninguém na rua." Assim, sem se querer pronunciar sobre o plano por não o conhecer, diz que "qualquer coisa que se tente melhorar é sempre louvável, mas se for para burocratizar, não vale a pena".

domingo, junho 08, 2008

A escolha

Balsemão disse, em tempos, que as televisões tanto podem vender um sabonete como um presidente da Republica e a actual campanha presidencial americana vem dar-lhe toda a razão.

Para se tornarem conhecidos e populares, os políticos vão-se sujeitando e pactuando com todas as formas de fazer política.

Todas as formas de captar atenção vão servindo, para angariar votantes, mesmo as mais inesperadas, quando se promete a diferença na política:



Obama é um político jovem, dotado de forte carisma e de uma excelente capacidade oratória.

Também é um homem muito inteligente!

Transmitindo a imagem de homem sério, que certamente é, não tem contudo, na minha opinião, a experiência política e de vida necessárias a uma verdadeira consistência política presidencial.



Talvez por isso, Obama já tenha afirmado tudo e o seu contrário, sempre com a mesma inabalável convicção e tanto mostrou a sua admiração pelas políticas de Ronald Reagan, como se manifestou aberto e compreensivo para com o actual líder iraniano.

Diz que é diferente e que quer que a política seja feita de forma diferente. Infelizmente, quer os escritos, quer os discursos (cujas traves mestras nem é ele que pensa ou redige), são tão simpáticos, quanto vazios de conteúdo.
Vazios e contraditórios! No entanto simpáticos, e divulgados até à exaustâo pela principais cadeias de televisão!


O que o torna tão atractivo?
Obama ofereceu uma miragem: Um político jovem, teoricamente descomprometido com lobbies, diferente nos métodos e atitudes!


Bom, de políticos que se apregoam diferentes dos outros, alardeando superioridades morais, já todos vimos exemplos, normalmente tristes e decepcionantes e... descomprometido com lobbies?
Bem, olhemos com algum cuidado as listas de doadores e os seus apoiantes financeiramente mais poderosos!

Afinal de onde lhe vêm os apoios mais significativos?
Vêm de David Plouffe (George Soros), Zbigniew Bzrezinski (Rockefeller), Dennis Ross (Jewish People Policy Planning Institute, Trilateral, Bilderberg).

Os americanos que há 8 anos atrás preferiram Bush a um homem como Al Gore, agora possivelmente irão colocar no seu lugar alguém cuja principal experiência política é a de dois anos no Senado!
Alguém que na sua própria autobiografia se mostra deslumbrado com os bastidores de Washington, convicto de ser o “escolhido” e com evidente pressa para ir mais longe!


Por mim, se fosse americano teria preferido Hillary Clinton agora, esperando que dentro de oito anos um Obama mais maduro e experiente tivesse então a oportunidade de chegar à Casa Branca.



Não aproveitar a experiência e as capacidades de Hillary é, quanto a mim, um desperdício absurdo. Mas, com os média, detidos pelos meios financeiros mais poderosos, obstinadamente contra ela e não perdendo uma oportunidade para a diminuir ou a humilhar, o seu destino político estava traçado.

Hillary foi, ainda muito jovem, sensação na Imprensa nacional americana, em 1969, quando ao ser escolhida para fazer o discurso de formatura em Ciências Políticas, na sua Universidade, teve mais de sete minutos de aplausos entusiasmados de toda a plateia, pelas desassombradas criticas que dirigiu ao orador anterior, o senador Edward Brooke.


Considerada como um dos 100 melhores advogados dos Estados Unidos, esteve envolvida desde o tempo de Jimmy Carter na preparação de políticas sociais, a favor das crianças e dos mais pobres, das políticas de ataque ao HIV/SIDA, às políticas de apoio aos professores do ensino público.

Foi no tempo da presidência de Billy Clinton, a responsável pela preparação de um programa que introduziria no país um sistema universal de saúde, que acabou por ser bloqueado no Congresso por influência das poderosas seguradoras, as mesmas que estrategicamente agora apoiaram Barak Obama.


Com várias licenciaturas e doutoramentos em Direito e áreas sociais, uma experiência de quase 40 anos em actividades públicas e o apoio declarado da maior parte dos oficiais generais americanos, após no Senado ter produzido a melhor legislação de regulamentação interna das Forças Armadas Americanas, Hillary Clinton apelou agora ao apoio a Obama, em nome da vitória dos ideais e da unidade do Partido Democrático.

E, tendo em conta os sinais já existentes, o Partido Democrático bem precisa de unidade se quiser vencer McCain.



Esperemos agora que Obama, que tão bem soube aproveitar os apoios que lhe surgiram para que impedisse a nomeação de Hillary Clinton, não seja agora trucidado por esses mesmos interesses ou, pior ainda, deixar-se manipular por eles.

Será importante para o mundo, a vitória e uma boa presidência deste jovem e inesperado candidato.

terça-feira, junho 03, 2008

Alguma coisa terá que ser feita!!!!

No passado domingo, a propósito de algumas deslocações da selecção de futebol, vi autênticos mares de gente, de todas as idades enrolados em bandeiras nacionais e com manifestações ruidosas, a que os jornalistas chamavam de patriotismo.

No domingo passado também, desloquei-me à feira do Livro e, dado ter lido algo de preocupante sobre o Pavilhão Carlos Lopes, resolvi passar por lá.


Na verdade, pude constatar no local que este edifício se encontra abandonado e que a zona das colunatas, quer à esquerda, quer à direita, se encontra agora entaipada por chapas metálicas. Além disso os vidros das janelas laterais começam a ficar partidos.

Penso que as chapas se destinam a evitar que o interior seja ainda mais vandalizado do que já se encontra.


Pergunto-me pois que patriotismo é o nosso? Que povo é que nós somos e que prioridades possuímos enquanto Nação? Será que não valeria a pena pensarmos mais nas cores nacionais quando o nosso património histórico se encontra em perigo, do que quando há jogos de futebol?

E inevitavelmente comparo o que vejo diariamente por toda a Lisboa:







que demonstra uma degradação vastissima, sem se vislumbrar nada para a reverter, com o que vi por exemplo em Varsóvia, onde uma Capital que foi arrasada pela Guerra


viu ressurgir o seu centro histórico, pela vontade dos seus dirigentes e pelo amor do seu povo.
Esse centro histórico foi completamente reconstruído ao pormenor, tendo-se recorrido, para melhor perfeição da obra, a planos que datavam da Idade Média.




Ora Lisboa, que não foi destruída pela Guerra de 1939-1945, não deveria estar como está, se tivesse tido, por parte dos seus dirigentes capacidade e vontade... e também, diga-se em abono da verdade, o mínimo de exigência e de amor por parte dos seus cidadãos.
Lisboa, tal como outras cidades portuguesas, não teria fazer o esforço extraordinário, que várias urbes da Europa central fizeram para se recuperar, bastar-lhe-ía ter cuidado normalmente do seu legado histórico. Tão só!
Mas não o fez! Nem parece querer fazer! E isto perante a indiferença quase geral de um povo.
O que nos fará diferentes a nós, que temos atitudes tão diversas das dos restantes povos, que quer no ocidente, quer no leste europeu, tiveram este glorioso empenho em preservar e recuperar de forma tão admiravel as suas cidades e monumentos, após a hecatombe da Segunda Guerra Mundial?
Junto mais duas fotos, que retratam os mesmos locais de Varsóvia. Primeiro destruído e depois já reconstruído.



foto tirada do mêsmo angulo da anterior



Nesta foto vêm-se os pedaços da coluna partida, que foram utilizados depois para reerguer a nova.




Quando há vontade a obra faz-se! E para mim uma obra destas é o paradigma do patriotismo e de uma cidadania adulta, consciente e civilizada.

Quando há alguns meses visitei o nosso Palácio da Ajuda, que não só nunca foi acabado, como viu ocorrer um incêndio em 1974, do qual ainda não se recompôs, fiquei extremamente triste com o que encontrei no seu interior: mobiliário degradado, tecidos de parede sujos e corroídos, cortinados sujíssimos, manchas de humidade enormes nalguns tectos e paredes.


Uma das fachadas do Palácio da Ajuda, a que sofreu o incêndio

Acabei por fazer uma espécie de “visita de médico” ao Palácio, pois até senti vergonha das caras estarrecidas de alguns estrangeiros que naquele momento testemunharam tal “miséria.

E aí, recordei novamente Varsóvia, porque é, talvez a par de Dresden, um dos exemplos mais radicais de destruição e de reconstrução que conheço.

E em Varsóvia, o Palácio, tal como 95% da cidade estava destruído.
Palácio real em Varsóvia, reduzido quase a pó em 1945
Contudo, num esforço excepcional povo polaco fez renascer das cinzas o seu símbolo histórico e hoje o Palácio está como novo. Quer exteriormente:

Palácio Real reconstruído
Quer no que se refere ao seu interior:







Sinceramente, vou achando que o nosso “patriotismo” não anda lá muito bem canalizado e que talvez fosse tempo de ser voltado para coisas mais importantes.
Tenho verificado, que por aqui, na Blogosfera há um conjunto de blogs muitissimo bons, que se têm empenhado dedicadamente na denúncia e na proposição de medidas para as cidades portuguesas.
Contudo, serão decerto ainda muito poucos, para a dimensão do problema que se constata existir.

Como uma parte muito considerável dos nossos concidadãos parece não estar muito sensibilizada para estas questões, julgo que os que se preocupam com estas matérias terão que redobrar os seus esforços de sensibilização dos dirigentes que nos couberam em sorte . Mas como?

Permito-me dar uma sugestão! Talvez ingénua, talvez absurda, ou talvez não!

Lá vai:

Dado que o mundo dos blogs é hoje em dia campo de consulta obrigatória de jornalistas e de políticos, porque não todos os bloguistas reservarem um dia da semana para dedicarem a esta temática?

Mostrando fotos de prédios degradados, fazendo relatos, ou até mesmo simplesmente dizendo frases simples, como por exemplo:

Senhores políticos, Lisboa está a descaracterizar-se e a cair aos bocados, nós estamos atentos e se não fizerem nada, para parar com esta insanidade, não iremos votar vós nas próximas eleições.

E isto, quem fala de Lisboa, fala do Porto, de Faro, da Guarda, de Setúbal, de Tomar, de Bragança…. Fala de todo o país de norte a sul.

Se centenas ou milhares de bloguistas iniciarem um simples movimento destes, talvez possa haver algum eco e algum efeito poderá surgir.
Seja isto ou seja o que for, algo terá que ser feito! Vai sendo já quase uma vergonha nacional, andar nas nossas ruas e ver o estado dos nossos monumentos!

sexta-feira, maio 30, 2008

A vida e morte de Luisa Rosa de Aguiar

Nasceu numa família de poucos recursos, tornou-se rica e célebre! Foi idolatrada!

Em criança, salvou-se de morrer soterrada porque se escondeu dentro de um forno de pão!

Em adulta, salvou-se de morrer afogada no Douro porque lhe alcançaram um remo a que se agarrou!

Depois de conviver com reis e imperadores por toda a Europa, morreu pobre, em Lisboa, e a sua sepultura encontra-se esquecida, debaixo dos alicerces de um edifício na Rua do Alecrim!

Por casamento tinha adquirido o sobrenome por que ficaria conhecida: Todi.

Luísa Todi, é de quem venho falar hoje!

Luisa Todi



Luísa foi a terceira filha de um modesto professor de música que, com 5 bocas para alimentar, resolveu deixar a cidade de Setúbal e partir para Lisboa onde arranjou trabalho como copista de orquestra no teatro do Bairro Alto.

Nascida em 1753, conta-se que se terá salvo do terramoto de 1755 por se ter escondido dentro de um forno de pão que lhe serviu de protecção.

Com a vinda do seu pai para Lisboa, Luísa e as suas 2 irmãs conhecem a realidade teatral e deixam-se deslumbrar por ela. Todas virão a ser actrizes e cantoras de primeira grandeza!

Luísa estreia-se num pequeno papel de Tartufo de Moliére, enquanto a sua irmã, Cecília, tinha o papel principal.

Com a vinda a Lisboa de uma companhia italiana de Ópera, Luísa e o 1º violino da respectiva Orquestra apaixonaram-se e casaram. Tomou assim Luísa o apelido de seu marido, Saverio Todi!

Depois de um período de 6 anos a residir no Porto, com a preparação obtida por intensas aulas de canto e muitas actuações, inicia a sua carreira fora do País.

Primeiro em Londres, ainda algo imatura e com um sucesso muito limitado, mas depois por Espanha e Paris onde triunfa.

Aí, em Paris, participa nos Concertos Espirituais, que se realizavam regularmente no Palácio das Tulherias e logo na sua primeira apresentação causa uma impressão tal que a notícia se espalha como fogo na alta sociedade francesa, que acorre em massa às récitas seguintes que se esgotam imediatamente.

Palácio das Tulherias - O pavilhão central era a zona de concertos



Passa igualmente a ser presença regular em Versalhes onde faz os chamados Concertos da Rainha.

Todi, nessa altura, começa a receber convites irrecusáveis de toda a parte e o empresário dos Concertos Espirituais, para a prender, cria um fenómeno de diversão, que depois veio a ser utilizado futuramente para promover a popularidade de outras cantoras:

Convida para os seus Concertos Espirituais a grande cantora alemã Gertrude Elisabeth Mara .


Simultaneamente, com esse convite, põe a circular o boato de que existe uma enorme rivalidade entre ambas e fá-las actuar alternadamente nos seus Concertos.

O público acorre em avalanche, os críticos apenas sabem dizer que ambas são magníficas e chegam a formar-se dois partidos, Os Todistas e Os Maritistas.

O assunto torna-se o principal tema de debate nos salões da capital francesa. No final, Luísa Todi acaba por vir a ser considerada pelos franceses como “A Cantora da Nação”.


Luisa Todi considerada pelos franceses como a "Cantora da Nação"



Contudo, Paris e Itália, onde também actuava regularmente, já não chegavam para Luísa Todi que, sendo uma admiradora da Imperatriz Catarina II da Rússia, parte para aquele país, mesmo sem ter contrato, bastando-lhe a palavra do director dos Teatros Russos, de que poderia fazer dois espectáculos para a Imperatriz.

Diz-se que o espectáculo de despedida de Paris foi um acontecimento nunca visto e não mais repetido. Houve uma loucura colectiva na aquisição dos ingressos, que atingiram preços astronómicos e no final da sua apresentação, com as flores e os presentes recebidos (entre os quais inúmeras jóias), Luísa Todi encheu completamente duas salas.

A sua estadia em São Petersburgo foi também um sucesso (as duas récitas inicialmente previstas transformaram-se em quatro anos de permanência), mas foi um sucesso algo atribulado! Logo após o primeiro espectáculo, Catarina II ficou tão impressionada, que nomeou Todi professora de canto das princesas imperiais criando a inimizade do até então conselheiro musical da corte russa, o compositor italiano Giuseppi Sarti.

Giuseppi Sarti



Para tentar desmoralizar Todi junto da Imperatriz, Sarti teve a ideia de chamar à Rússia o castrati mais famoso da época, chamado Marchesi, que foi considerado o sucessor do grande Farinelli.

A ideia era colocar os dois lado a lado, de forma a que o famoso Il Marchesino, como era chamado o cantor, fizesse sombra a Luísa Todi numa Ópera do próprio Sarti.

Marchesi



No entanto, o que Sarti conseguiu foi uma récita extraordinária e tanto Catarina, como toda a Corte, acabaram por ficar deslumbrados com os dois cantores e até com o próprio compositor.

A partir daí Sarti deixou Luísa em paz, contudo os problemas desta continuaram!

Apesar de ganhar fortunas na Rússia, o marido de Luísa perdia todo o dinheiro ao jogo e a Luísa não restava outra solução, senão pedir cada vez mais e mais dinheiro a Catarina.

Como é natural, Catarina II acabou por pôr termo à situação e Luísa Todi e seu marido partem rumo à Alemanha e a França.

Em Bona é homenageada com uma actuação pelo jovem pianista Ludwig van Beethoven e após uma temporada em Paris e novas actuações na Alemanha instala-se em Veneza, com um contrato no Teatro San Samuele.

Teatro San Samuele em Veneza



Logo na sua primeira récita começa por deixar boquiaberta a assistência ao apresentar-se em palco com as jóias, colar e tiara que lhe haviam sido oferecidos por Catarina da Rússia, mas mais surpreendidos ficaram todos os presentes, assim que começou a cantar, fazendo de imediato com que público e a crítica se rendessem completamente à sua voz, de tal modo que a temporada lírica italiana de 1790-1791 ficou conhecida como "o Ano da Todi".

Durante essa estadia em Veneza, a saúde dos seus olhos deteriora-se gravemente, vendo-se obrigada a interromper as actuações para enorme consternação do público.

Em sua homenagem, foram feitos centenas de poemas, gravaram-se efígies da cantora, tendo havido reacções populares que tocaram as raias do histerismo colectivo.

No seu regresso ao teatro, são os próprios admiradores que o decoram e iluminam, e ao entrar em cena tem todo o público de pé, emocionado, num aplauso que parecia não mais acabar.

Para essa récita, houve tanta gente a querer ouvir Luísa, que o Teatro teve de ficar de portas abertas para que pudesse ser ouvida no largo fronteiro e nas ruas laterais, onde foi escutada em religioso silêncio.

Luisa Todi ostentando a tiara e o colar oferecidos por Catarina II



Actua ainda noutras cidades italianas e em Madrid, até que regressa ao Porto onde actua até aos 50 anos, altura em que o marido morre e ela deixa de cantar, passando a vestir, para sempre, luto carregado.

Seis anos mais tarde, aquando das invasões napoleónicas, Luísa e as filhas, seguindo a restante população do Porto, fogem e, ao mesmo tempo que se dá o desastre da Ponte da Barcas, Luísa cai ao rio, do barco onde estava, levando com ela um saco com todo o seu dinheiro e a maior parte das suas jóias.

Desastre da Ponte das Barcas



A sua criada estende-lhe um remo do barco, Luísa salva-se, mas perde no Douro todos os haveres que transportava. Restam-lhe algumas jóias que ficaram em poder duma filha, entretanto ferida a tiro pelos soldados invasores.

Este ferimento não permitiu que continuassem a fuga e Luísa, as filhas e a criada resolvem entregar-se aos franceses. Mas é o próprio General Soult que, ao vê-la, reconhece-a como a “Cantora da Nação” e toma-a sob a sua própria protecção pessoal.


Pouco tempo depois Luísa parte para Lisboa, onde viverá o resto dos seus dias.

As poucas jóias que lhe sobraram dão-lhe para se instalar numa casa modesta no Bairro Alto e para poder comer.

Esquecida pelo público português, tem de vez em quando visitas dos seus amigos estrangeiros, que gostam de a rever. A pouco e pouco, também esses irão desaparecer.

Aos 60 anos perde a visão de um dos olhos e, 9 anos depois, ficará totalmente cega.

E é assim, só, pobre e na escuridão que esta mulher que já convivera com as personalidades mais importantes do mundo, termina os seus dias. Tem quase 81 anos quando morre em Lisboa, sendo sepultada no cemitério então adjacente à Igreja da Encarnação ao Chiado.

Igreja da Encarnação ao Chiado, Lisboa



Diz-se que terá sido enterrada sem identificação, mas parece que não é bem assim:

Transcrevo agora o que foi dito, a este propósito, pelo biografo da artista, Mário Moreau:

“A zona da igreja onde Luísa Todi foi sepultada deixou, mais tarde, de fazer parte do templo e veio a ser ocupada por uma chapelaria que teve o nº 78 da Rua do Alecrim.

Diversos autores têm escrito que a cantora foi sepultada sem qualquer indicação do local.

Há, porém, razões para supor que tal não corresponda à verdade. De facto, o jornal República publicou um artigo em que se menciona uma afirmação do então dono da referida chapelaria.

Esse senhor, de nome Artur Santos, declarou peremptoriamente ter visto, durante umas obras de levantamento do soalho da loja, a pedra tumular de Luísa Todi. A inscrição estava um pouco sumida, mas não tanto que não permitisse ver nitidamente o nome da cantora.

Foi ainda o referido comerciante quem conseguiu evitar que um dos operários destruisse a pedra com uma picareta. Na época ainda se esboçou a ideia de recuperar a pedra tumular e de dar à grande artista uma sepultura condigna. Mas, como já seria de esperar, nada se fez nesse sentido.

Por nossa parte, entendemos que os fins em vista continuam a justificar amplamente as necessárias pesquisas, por pouco provável que alguém possa considerar o bom êxito do empreendimento e sejam quais forem as objecções que se possam levantar. Em qualquer país que prezasse devidamente os seus maiores vultos já há muito se teria realizado tal tarefa. Na nossa terra, porém, até agora não se conseguiu muito mais do que um sorriso irónico e um encolher de ombros.

Isso não nos impede de renovar aqui a pergunta já feita na República há mais de sessenta e quatro anos: estará a Câmara Municipal de Lisboa interessada na recuperação da pedra tumular de Luísa Todi e em dar à nossa grande artista a sepultura que ela merece?”


terça-feira, maio 27, 2008

Uma vida extraordinária

A propósito da exposição sobre a obra de Le Corbusier que está patente em Lisboa lembrei-me de… Josephine Baker!



Penso que ainda muitos se lembrarão dela!

Uns, como uma artista muito “avançada”para a sua época, outros como uma mulher extravagante e corajosa, outros ainda como uma mulher de escândalos!

Mas o que tem Le Corbusier que ver com La Baker, como os franceses lhe chamavam?

Tem o simples facto de um dia, no já longínquo ano de 1929, no navio que transportava Josephine Baker da América do Sul para a Europa, se ter verificado que em vez de uma Josephine Baker estavam lá duas!!!! Passo a explicar:

Um jovem arquitecto, nascido na Suiça e que na época já tinha o seu estúdio na Rua de Sévres em Paris, sabendo que a artista, que muito admirava, viajava no mesmo navio que ele, resolveu pintar-se de negro e, vestindo apenas de uma tanguinha de penas, quis surpreender a já famosa artista.

A surpresa de se ver representada, numa das suas “vestes” mais famosas, por um jovem e elegante admirador, o mais tarde famoso Le Corbusier, foi tanta que, não só fez com se tornassem amigos, mas também…que viessem a iniciar uma intensa relação amorosa, segundo constam as crónicas da época




Josephine Baker foi mulher de muitos e “badalados” amores e, tal como aconteceu com Le Courbusier, quase sempre ao nível da genialidade.

Alexander Calder, Pablo Picasso, Georges Simenon, E.E. Cummings foram todos eles seus admiradores e em várias fases da sua vida acabaram por se tornar seus amantes.

Este pequeno episódio da viagem transatlântica da cantora e do seu admirador, que recordei a propósito da exposição em Lisboa do grande arquitecto Le Courbusier, acaba por ser afinal um bom pretexto para falar, ainda que de forma resumida dessa figura extraordinária de mulher do Século XX.

Durante a minha infância, o nome dela era-me vagamente familiar, contudo quando no final da década de 60 os jornais noticiaram que Josephine Baker doente e já na casa dos sessenta, fora despejada da sua propriedade em França, e iria voltar aos palcos para poder manter-se a si e às 14 crianças de todas as raças que tinha adoptado, eu comecei a reparar nela e na sua história com mais atenção.




Josephine Baker nasceu em Saint Louis no Missouri (USA), pertencia a uma família de lavadeiras e o seu destino ainda criança foi também o de ser lavadeira… Até ao dia em que uma das “senhoras”, para quem trabalhava, lhe atirou com água a ferver para as mãos, como castigo por Josephine, segundo ela, gastar demasiado sabão.

Um emprego seguinte, de camareira de uma artista de teatro e a posterior substituição de uma corista que adoecera, foi quanto bastou para aos 16 anos chegar à Broadway.

Aí, as suas caretas de olhos vesgos e as suas danças de pernas arqueadas nunca fizeram grande sucesso, mas ao ser escolhida para ir até Paris participar na Revue Negre, a sua sorte mudou!



Em 1925, em Paris, uma negra, de seios nus, vestindo apenas uma tanga de bananas ou de penas, dançando freneticamente e cantando com uma voz forte e diferente das cantoras brancas da época só podia dar em escândalo. Mas foi um escândalo com muito sucesso



Tanto sucesso que passou fronteiras, e era chamada para actuar em toda a Europa e na América do Sul.

Um sucesso que chamava multidões e que, simultaneamente, arrepiava os mais conservadores. Em Viena, numa Igreja próxima do Teatro onde actuou, os sinos tocaram à hora da sua chegada, para que a população não saísse de casa, não se fosse dar o caso de ficar "contaminada" com a sua presença.

Em Paris, um tradicional pai de família americano, não sabendo ao que ía, levou a mulher e a filha a ver o espectáculo de Josephine no Casino de Paris e, ao intervalo, já saía esbaforido, arrastando as duas, conforme conta nas suas memórias a filha, de seu nome Nancy e que depois de casada viria a ter o apelido Reagan.




Para Josephine, no entanto, nada importava o que diziam dela!

Era a mulher de quem se falava sempre, fosse pelos seus espectáculos, fosse pelos seus namorados, fosse pelo seu leopardo domesticado (Chiquita) que gostava de trazer por uma trela nas ruas de Paris e que ela até gostava de levar ao teatro.

Entretanto Josephine, sempre irreverente mas muito lúcida, havia tomado uma decisão, ainda jovem: Só voltar a actuar no seu País natal quando os Teatros fossem racialmente integrados.

E, quando, após ter feito uma reclamação pública por lhe ter sido recusada a entrada no famoso Stork Club de Nova Iorque, foi acusada de comunista e colocada na lista negra, tomou também a decisão de se colocar activamente ao lado dos movimentos pelas liberdades cívicas.

Foi por isso, que se viu Josephine Baker discursando ao lado de Martin Luter King, aquando da manifestação sobre Washington e foi igualmente por essa razão que a viúva de King se deslocou à Europa, em nome do seu movimento, para pedir a Josephine Baker que assumisse a respectiva liderança.

Já doente e a enfrentar graves problemas financeiros, Josephine não pode aceitar o convite, mas a verdade é que ela já tinha feito imenso pela causa da liberdade ao ser membro activo da resistência francesa, na ajuda a fuga de muitos políticos franceses para Argel e no papel de informante dos Aliados, quer nas chancelarias de Paris, quer em vários pontos da Europa.

A sua actividade de resistente anti-nazi, viria a ser reconhecida pelo Governo Francês com as mais altas condecorações do Estado gaulês, assim como pelos restantes Governos Aliados que através dela tiveram acesso a informações preciosas que ía colhendo junto das elites dos países do Eixo, a quem facilmente tinha acesso nos países neutrais por onde passava.



Ajudada pela sua amiga Grace do Mónaco que lhe ofereceu uma Villa, Josephine teve no entanto de continuar a actuar para poder manter o apoio às crianças que tinha tomado a seu encargo, tendo no final dos anos 60 e principio dos anos 70 iniciado uma parceria com Chico Buarque de Holanda, com quem deu inúmeros espectáculos conjuntos na Europa e no Brasil.

Foi na noite anterior, ao último espectáculo de uma temporada que realizou em Paris, que a criadora de J’ai deux amours morreu de um ataque cardíaco em 1975. Tinha 69 anos!

Para Josephine, nem tudo foram rosas, sendo o seu percurso repleto de altos e baixos, mas na verdade teve uma vida extraordinária e penso que ao aproximar-se mais um aniversário do seu nascimento, o que acontecerá no próximo dia 3 de Junho, é mais do que justo deixar aqui um breve registo da sua memória.