quarta-feira, maio 07, 2008

Stradivarius devolvido a Quint


Reproduzo aqui uma notícia do Expresso, que me pareceu curiosa:


Um violinista norte-americano que se esqueceu do Stradivarius, no valor de quatro milhões de dólares, num táxi nova-iorquino vai dar hoje um concerto gratuito num aeroporto de Nova Iorque, em honra do taxista que lhe restituiu o precioso instrumento.


O músico de origem russa Philippe Quint deixou na semana passada num táxi o seu violino "Ex-Keisewetter", feito em 1723 pelo célebre fabricante e restaurador de instrumentos de cordas italiano Antonio Stradivari ou Stradivarius, como era mais conhecido.

O instrumento ficou no banco de trás do veículo de Mohammed Khalil, que apanhou o violinista no aeroporto de Newark, Nova Jérsia, quando este regressava de Houston, Texas, indicou a representante do músico, Diane Blackman, citada pela AFP.

Philippe Quint, de 34 anos, deu ao motorista cem dólares - "tudo o que então tinha na carteira" - depois de ter recuperado o precioso violino, mas como gesto adicional, propôs-se dar hoje um concerto de meia-hora para os taxistas do aeroporto de Newark.

O violinista convidou ainda Khalil e a família para um concerto que dará no Carnegie Hall, em Nova Iorque, em Setembro próximo.

Deixo aqui a interpretação de Quint da Meditação de Thais de Massenet, num concerto na Cidade do México.

terça-feira, maio 06, 2008

Memórias dos anos 60 - Madalena Iglesias

Uma das coisas que ultimamente mais me acontece, é dar comigo a recordar as músicas dos anos 60.

Vivi nessa década o fim da minha infância e o princípio da minha adolescência e a música esteve sempre presente.

No que se refere à música e aos artistas portugueses, tinha as minhas preferências, mas sempre gostei de ouvir tudo.

E apesar de na guerra Simone-Madalena eu, sem qualquer hesitação preferir a Simone, tenho que reconhecer que num aspecto a Madalena era excelente.

Refiro-me às suas interpretações em língua castelhana.

Fosse pela sua costela espanhola, fosse pelo que fosse, o certo é que nunca mais esqueci “sus canciones”

Deixo aqui quatro temas na voz de Madalena, para que os da minha geração possam recordar e os mais novos possam conhecer.












segunda-feira, maio 05, 2008

O site do Banco Alimentar Contra a Fome


Há sites que valorizam a imagem das instituições e há outros cujo contributo é... digamos assim... demasiado pequeno!

Há por isso, que não se misturar as coisas. Uma instituição vale pelo faz, pelos seus objectivos e concretizações e não pela maior ou menor felicidade, ou menor ou maior quantidade de informação que circunstancialmente produz!

Faço esta ressalva prévia, tendo em vista o que a seguir vou dizer:

Ontem, numa passagem pelo supermercado, dei conta de mais uma campanha do Banco Alimentar Contra a Fome. Fiz a minha contribuição habitual e resolvi, quando regressei a casa, tirar algumas dúvidas sobre a instituição e a sua actividade. Para isso fui ver o site!

A primeira das dúvidas tinha, aliás, procurado, em vão, esclarecer logo no Supermercado.

É que, com tanta gente a fazer doações, em géneros, para o Banco Alimentar, pagando por eles exactamente o mesmo que pagaria, se comprasse esses bens para consumo próprio, o que acontece é que o primeiro a ganhar com esta acção de beneficência a favor dos mais pobres é mesmo…. o Supermercado!

Procurei pois, verificar no site, se existiria alguma informação sobre possíveis contribuições, dos grupos a que pertencem os super e hipermercados! Não existia!!!

E é pena, pois não me admiro que haja contribuições em géneros, ou de outra índole, por parte dessas Empresas! Mas, estando nós em Portugal, será que o contrário também surpreenderia alguém?

O site diz genericamente, e passo a citar: “O Banco Alimentar recebe toda a qualidade de géneros alimentares, ofertas de empresas e particulares, em muitos casos excedentes de produção da indústria agroalimentar, excedentes agrícolas e da grande distribuição, e ainda produtos de intervenção da União Europeia”.

Verifico aqui que o site se limita a uma descrição genérica, com uma breve referência à grande distribuição.

No entanto, dado que a contribuição popular é realizada através de aquisições nos supermercados, com vantagem imediata para esses estabelecimentos, a doação, dos grupos económicos a que eles pertencem, terão naturalmente um carácter e uma importância diferentes das dos outros contribuidores!

Daí,que seria muito interessante que essas contribuições fossem divulgadas. Se eu possuísse essa informação, o local da minha futura doação levaria decerto em conta esse factor! E a minha forma de olhar esse grupo seria decerto mais ajustada!

Outra dúvida: Quais são os rostos do Banco Alimentar? Quem são os responsáveis pelo seu funcionamento?

Uma obra, como esta, em favor dos mais desprotegidos da comunidade, deveria ter o reconhecimento público da sociedade. Já é tempo de os meios de comunicação deixarem de dar importância a pessoas que apenas passam a vida em festas e a desfilar roupa.

Pessoas que se dedicam a causas deste tipo, que as impulsionam, que lutam por elas, são as que merecem verdadeiramente a notoriedade pública!

Acredito, que sejam pessoas de enorme generosidade e que muitas até gastem a maior parte do seu tempo graciosamente a colaborar com a Instituição e que queiram até manter o anonimato. O site entretanto refere:

Os Bancos Alimentares possuem uma organização logística profissional para: a recolha e o encaminhamento de produtos alimentares; a sua triagem e armazenagem; o controlo de qualidade; rede de frio….

De facto, mesmo as Instituições de benemerência, para serem verdadeiramente úteis, com este nível intenso de actividade, precisam de organização e profissionalismo, para além, é claro, das boas vontades!

Mas, será que neste caso apenas haverá profissionalização da parte logística. Não haverá outros sectores profissionalizados? Não haverá um sistema hierárquico de funcionamento? Com emprego para quantas pessoas? Com que custos?

E como serão financiados esses custos? Apenas por subvenções estatais? Há também doações monetárias particulares? Quais os montantes recebidos? E de despesas fixas e de funcionamento?
No site não vi abordado este assunto!

Refere o site:
Os Bancos Alimentares são instituições não governamentais, apolíticas e não confessionais. Comprometem-se a praticar uma gestão transparente que obedece a regras estritas, idênticas para todos os Bancos. Possuem contabilidade organizada e as contas são auditadas anualmente por uma empresa exterior, que garante a sua idoneidade.

Trata-se naturalmente de uma informação importante! Mas, e relativamente aos critérios de escolha das instituições, para as quais são canalizados os géneros? Há alguma verificação interna e/ou externa relativamente ao seu cumprimento?

E que critérios são esses? O do reconhecimento pelo Estado? E/ou pela Igreja Católica? E/ou por outras confissões religiosas? Outro critério qualquer?
É matéria que igualmente não encontrei no site!

Todas as questões que coloquei até já poderão ter sido objecto de informação por parte do Banco, ou por outra qualquer entidade! Se assim é, muito bem! Óptimo! Desconheço e gostaria de saber a forma de conhecer. No entano, se o Banco Alimentar não fez ainda a divulgação pública deste tipo de dados, acho que o deveria fazer.

Penso ainda que, independentemente de quaisquer relatórios anuais, que possam ser publicados, as informações mais relevantes poderiam ser canalizadas através do site, o qual, hoje em dia, é expectável que constitua um meio privilegiado de divulgação de informação.

Quando assim não acontece, as expectativas de conhecimento da Instituição, ficam prejudicadas para quem naturalmente tem interesse por uma entidade com a notoriedade pública do Banco Alimentar.

Penso, sinceramente, que quando há uma mobilização tão grande da sociedade, durante tanto tempo e uma dimensão tão considerável de meios obtidos por doação, as questões que coloquei terão algum interesse, não podendo por isso um veículo previligiado como a internet limitar-se a pouco mais do que simpáticas generalidades!

Finalmente, desejaria manifestar enquanto cidadão que utilizou o dia de ontem para descansar, o meu reconhecimento pelo empenho e generosidade de todos aqueles que o utilizaram para que se conseguisse efectuar ontem uma recolha tão importante de mantimentos para os mais necessitados!

http://www.bancoalimentar.pt/

sábado, maio 03, 2008

Uma canção a propósito deste dia

Tem sobretudo que ver com o enredo do filme “The Jazz Singer”, o primeiro filme sonoro da história do Cinema, de que faz parte.

Talvez esta canção chamada My Mammy venha hoje a propósito!!! Neste dia dedicado ao Comércio, por interpostas pessoas: As Mães!

A versão que aqui coloco, é ligeiramente diferente da original, criada por Al Jolson, e nos anos imediatamente posteriores à morte de Judy Garland, era regularmente cantada por Minnelli nos seus espectáculos.

Para Minnelli, pela forma como a cantava, seriam decerto momentos de emotividade muito especial, para o público que assistia e que conhecia a ligação forte entre mãe e filha, seria decerto um momento de particular magia!

Ficou, dessa época, esta versão, tirada de um espectáculo feito para a televisão em 1972, na sequência da obtenção do Óscar para Cabaret.

Este espectáculo coreografado por Bob Fosse acabou, ele mesmo, por ser vencedor de um Emmy.

O espectáculo chama-se “Liza with a Z”, e para quem gostar desta canção, aconselho que procurem escutar uma outra interpretação ao vivo, tirada de um espectáculo em Paris, também no começo dos anos 70, ainda mais emotiva e espectacular.

Posteriormente, Minnelli deixou de incluir este tema nos seus espectáculos, mas mais recentemente, numa digressão que realiza desde o final do ano passado pelos Estados Unidos, retomou-a…. E ainda bem!



E já agora, a todas as Mães do mundo, um feliz, um muito Feliz dia!

NÃO DESISTIR

Madeleine McCann

Tatiana

Rebeca Cardoso

Jeremi Suarez

David Embaló

Sofia Catarina

Rui Pereira

Rui Pedro

Jorge Sepúlveda

João Teles

Claudia Alexandra



Ana Santos


Passado um ano sobre o desaparecimento de Maddie, penso ser uma altura própria para a recordar aqui e para lembrar também outras crianças ainda desaparecidas.

Infelizmente o tempo acaba por alterar drasticamente as feições infantis, mas a memória de quem vir estas fotos pode eventualmente ajudar.

Mais do que tudo, hoje o que pretendo, é pedir à polícia para que não desista nunca de procurar todas as pessoas desaparecidas, crianças ou adultos. Por elas, pelas famílias, pela sociedade em geral!

Se a Polícia tiver poucos meios, torna-se necessário que o Governo resolva o problema e que esta seja uma questão permanentemente prioritária para qualquer Governo!

Se para o conseguir tivermos que fazer um coro de protesto, façamo-lo!

Deixo aqui o link do site criado pela familia da Maddie.
http://www.findmadeleine.com/

Assim como a página da Judiciária das pessoas desaparecidas.
http://www.pj.pt/htm/pessoas.htm

quinta-feira, maio 01, 2008

First of May

A propósito ainda do 1º de Maio, enquanto quem manda nos vai tratando como números, o pior que nós podemos fazer a nós próprios é propormo-nos ao combate, vestindo exclusivamente a pele de lutadores, pondo para trás, no dia a dia, afectos e memórias.

Por isso, hoje, neste de dia de luta, deixo aqui algumas imagens que, tal como há algumas décadas atrás me inspiram ainda hoje uma imensa ternura. Lembram-se do filme Melody?

quarta-feira, abril 30, 2008

Morrer por dois quilos de farinha


Transcrevo aqui, sem mais comentários uma notícia de hoje do semanário SOL!
Uma menina de oito anos tenta atravessar a fronteira entre o Paquistão e o Afeganistão de forma clandestina por transportar «ilegalmente» dois quilogramas de farinha. Um guarda do Paquistão empurra-a, a criança cai e acaba esmagada por um camião

A situação foi testemunhada pelo presidente da Assistência Médica Internacional (AMI), Fernando Nobre, que hoje a utilizou numa entrevista à agência Lusa para ilustrar o drama da falta de alimentos que tende a aumentar por todo o mundo.
O médico, contactado por telefone em Londres, onde estava em trânsito para Lisboa, manifesta-se chocado pelo drama a que assistiu, causado indirectamente pela proibição imposta pelo Paquistão à exportação de farinha para o Afeganistão, onde aquele alimento básico aumentou 120 por cento nos últimos dez dias.
Nobre foi ao Afeganistão inaugurar uma escola e um centro de saúde, a funcionar já há sete meses numa aldeia dos arredores de Jalalabad, construídos com 250 mil dólares (160.000 euros) em donativos reunidos pela AMI, e que proporcionam já a escolaridade a 600 crianças: rapazes de manhã e raparigas à tarde.
Como a miúda que morreu, muitas outras crianças tentavam iludir a vigilância policial para conseguir atravessar a fronteira na estrada que liga Peshawar (Paquistão) a Jalalabad (Afeganistão), como assistiu o presidente da AMI durante as quatro horas que esteve retido devido ao corte da estrada causado pela morte da criança.
«A situação [de escassez de alimentos] preocupa-nos imenso em termos internacionais», disse Fernando Nobre, que lidera uma organização com representação em 44 países, muitos deles em África e na Ásia, continentes onde o drama causado pelo disparo do aumento dos preços dos alimentos base tem maiores efeitos.
Outro exemplo do drama alimentar: um salário médio no Bangladesh dá para comprar quatro quilos de arroz, o que significa que, feitas as contas, em média, cada elemento da família desse assalariado dispõe de 25 gramas do cereal por dia.
«A comer assim, quanto tempo é que as pessoas sobrevivem», interroga-se Fernando Nobre, para quem o problema vai ganhar «proporções dantescas», «nos próximos meses e nos próximos anos».
Esta realidade acontece enquanto «passam por cima das nossas cabeças [nas redes de telecomunicações internacionais] biliões de dólares por segundo resultantes de actividades especulativas que não pagam um tostão de impostos», considera.
A solução, defende Fernando Nobre, passa pela regulamentação, num «mundo que está desregulamentado» e onde a especulação com alimentos tem que «sofrer uma intervenção rapidamente».
«Os grandes fundos de especulação [que procuram grandes lucros no mínimo de tempo] estão a investir na área alimentar», condena o responsável da AMI.
Ao contrário, o que deve acontecer para inverter a crise crescente é «regulamentar a questão da especulação e criar regras de comércio justo», sustenta.
Outra medida que Fernando Nobre propõe é o perdão da dívida contraída pelos países pobres junto do Ocidente rico, já que «80 por cento dessa verba foi desviada pelos governantes corruptos desses países», pelo que não atingiu os objectivos pretendidos.
Pelo actual caminho, «vamos ficar sob alta pressão» e «os desafios que aí vêm grandes. Não podemos esconder a cabeça como a avestruz», alerta o médico.
É que, assegura, «a massa de descontentes a nível global está a aumentar» e, para «um pai, ver os filhos a morrer à fome ou pegar numa espingarda e fazer alguma coisa» torna-se numa saída possível.
Lusa / SOL

terça-feira, abril 29, 2008

1º de Maio



Chegámos às portas do 1º de Maio!

E, para comemorar a ocasião, o Governo apresentou recentemente um conjunto de medidas que, no seu global, reduzem alguns dos direitos dos trabalhadores, consignados na actual legislação.

Aumenta a possibilidade de despedimentos, altera o conceito de horário de trabalho e cria formas de maior arrecadação de receitas sob o pretexto de controlar a precariedade.

E que razões invoca o Governo para justificar estas medidas?

Pois bem, diz que é para tornar as Empresas mais competitivas!

Mas, tudo o que o senhor Primeiro Ministro tem dito nos últimos dois anos, sobre uma aceleração do crescimento da economia, sobre o aumento do investimento e sobre a performance das nossas exportações não revelará então que, as empresas para crescerem, produzirem e obterem lucros, podem consegui-lo perfeitamente no actual quadro legislativo?

Eventualmente, se houvesse em Portugal trabalho escravo, as Empresa ficariam mais fortes e as estatísticas de investimento seriam mais positivas! Será que é esse o objectivo final?

É bom recordar que o 1º de Maio comemora a luta dos operários para obter o horário de 8 horas por dia. E que essa luta se deu em 1886!

Por ela morreram na forca e ficaram em prisão muitos sindicalistas de Chicago. O seu exemplo e a sua determinação serviram para que as condições de trabalho que hoje temos sejam mais humanas e justas. Deu-se aí uma vitória da civilização, com a aprovação pelo Congresso americano em 1890 do horário das 8 horas!

Ora, ao pôr em causa essa conquista, criando o chamado banco de horas, num ambiente empresarial que, mesmo com a actual Lei, não respeita, em muitos casos, o pagamento por trabalho suplementar, está-se, no fundo, a querer voltar a um modelo do século XIX.

É um retrocesso civilizacional que deveria envergonhar quem o propõe!

Para competir? Mas, competir com quem? Com a China e Índia? Com Marrocos e a Indonésia? É para modelos de sociedades que agora estão a fazer a sua Revolução Industrial que os actuais dirigentes deste mundo nos querem levar?

Ao celebrar acordos de comércio livre com estes países, os governantes ocidentais não o fizeram levianamente.

Sabiam muito bem que o faziam em favor da penetração das multinacionais em países que lhes tinham fechado as portas até aí.

Sabiam muito bem que a contrapartida seria a entrada no nosso mercado de bens produzidos com trabalho infantil e quase escravo.

Sabiam muito bem que estavam a criar um pretexto chamado globalização, para retirar aos trabalhadores ocidentais regalias e direitos, por forma a tornar "competitivas" as empresas.

Sabiam muito bem e não se importaram, porque assim as empresas dominantes ganhariam em todas as frentes.

Será de admirar que os políticos ocidentais, tenham tomado estas opções? Nem por isso? Afinal, bem vistas as coisas, não são os detentores do capital que criam e promovem os políticos que hoje governam o mundo?

O resultado final, é o da engorda permanente das grandes Empresas, tendo como contrapartida uma perda de direitos e de rendimentos dos trabalhadores de Cleveland a Manchester, de Liège à Amadora, de Milão a Hamburgo.

Mas será que, por se tratar de um fenómeno global, criado e aceite pelos políticos destes ultimos vinte anos, teremos nós, cidadãos, que ficar parados e conformados?

Não foi essa a atitude dos trabalhadores de Chicago em 1886!

Compete-nos a nós portanto, aqui e agora, honrar a sua herança e tentar mesmo aprofundá-la!

Quanto às grandes Empresas e aos especuladores financeiros, para os quais os governantes neo-liberais estão a trabalhar, desenganemo-nos, as suas investidas não irão ficar por aqui. A sua sede de poder e de dinheiro fá-los-á querer sempre mais e mais e mais.

Em Portugal, pelos vistos, tê-lo-ão alegremente e, ironia do destino, pelas mãos de algumas pessoas que se dizem socialistas!

O disfarce do lobo com a pele de cordeiro, foi sempre o mais astuto, hábil e eficaz método de embuste!

segunda-feira, abril 28, 2008

MILVA



Hoje gostaria de falar um pouco sobre a cantora Milva. É desde sempre uma das minhas vozes preferidas.



Conhecida em Portugal, não possui contudo a notoriedade que merece, o que é uma pena, pois a ausência de informação sobre esta e outras figuras da música mundial empobrece necessariamente as novas gerações.

Aliás, em Portugal, exceptuando o caso recente de Aznavour, os grandes nomes da música vão passando alegremente despercebidos.

A chegada de Mourinho a Lisboa para férias teve direito a directos televisivos, contudo a vinda de uma Bartoli ou de um Venguerov para actuar são acontecimentos que ficam quase ignorados pelo grande público e limitados a um pequeno número de privilegiados.

No próximo dia 2 de Agosto, a cidade de Dresden, tão célebre pela sua beleza, como pela completa destruição que sofreu no final da Segunda Guerra Mundial, vai ser palco de um acontecimento musical raro. Irão actuar nesta cidade e no mesmo espectáculo, três grandes vozes femininas: Monserrat Caballé, Milva e Angelika Milster. Talvez por isso mesmo o espectáculo tenha como denominação Diva Máxima.

A actuação será ao ar livre na Theaterplatz, local simbólico, escolhido pelas três cantoras como o mais adequado à grandeza do espectáculo e à necessária homenagem que desejaram fazer à cidade e à sua reconstrução.

Quem puder assistir decerto que não se irá esquecer desta conjugação memorável destes três nomes do canto europeu e mundial.

Mas permitam-me que fale de uma das cantoras, Milva, cuja voz sempre me impressionou, desde que a ouvi, pela primeira vez em 1966, no Festival de San Remo, cantando Nessuno di Voi.


Uma cantora que no próximo ano celebrará 50 anos de carreira e 70 de idade, mas que se mantém ainda em plena actividade.

Apresentada em 1961 no Festival de San Remo como rival de outra grande cantora italiana Mina (os jornais chamavam-lhe a anti- Mina), procurando a imprensa da época gerar um "motivador" clima de disputa que, mais tarde em Portugal se procuraria copiar fomentando rivalidades entre Simone e Madalena, assim como entre Calvário e Garcia.

Em 1972 a RAI, mostra-nos entretanto um momento excepcional em que as duas grandes vozes italianas femininas percorrem em conjunto um caminho de Jazz.



Contudo, desde cedo esta cantora mostrou ser mais do que uma boa voz da música ligeira, quando em 1962 gravou um disco de canções revolucionárias, tornando-se a partir daí uma referência musical para a esquerda italiana.




Não será de estranhar portanto, que a ruiva (rossa) Milva passasse a ser conhecida, por Milva, La Rossa, jogando esse cognome com o facto de Rossa significar simultaneamente ruiva e… vermelha.

Milva, de timbre grave e de uma extensão vocal extraordinária, mostrou desde sempre uma notável capacidade interpretativa tendo-se tornado para Astor Piazzola a sua interprete favorita, para quem escreveu e dedicou a sua única Ópera, Maria de Buenos Aires.

Aqui vê-la-emos em Rinasceró - Preludio per l'anno 3001 e Balada para un loco acompanhada em palco, como de costume, pelo próprio Piazzola.











Milva, tornou-se igualmente uma interprete de referência de Brecht e Weil, e foi exactamente para os cantar que se deslocou a Lisboa, na década de 80.

Esteve em São Carlos, para um concerto tão pouco anunciado que só dei por ele quando saíram as críticas... pouco entusiasmadas, diga-se de passagem, dado que as ligações da cantora à musica ligeira, faziam notória urticária aos críticos, que além do mais acharam despropositada a escolha do São Carlos para uma récita de Brecht.

Esse tipo de preconceitos não parece ter, no entanto, muitos seguidores no resto da Europa:

O Presidente Alemão concedeu-lhe a mais alta condecoração de mérito, para a que considerou a melhor interprete de Brecht, reconhecendo o seu contributo para o prestigio e divulgação da da língua e poesia alemãs.



Ou o Governo francês, que lhe outorgou equivalente condecoração pela qualidade artística das suas interpretações da música francesa.




E quanto à escolha das Salas, o São Carlos não se enganou, ou então também estarão equivocados o La Scala de Milão, o Royal Albert Hall, a Deutsch Oper, a Ópera de Paris, ou até mesmo o Festival de Edinburgh, que sempre lhe abriram gostosamente as suas portas.

A sua versatilidade, leva-nos de Morricone a Theodorakis, de Vangelis a Francis Lai, de Piaf a Lúcio Berio. Há nesta voz, muito para escolher e para ouvir….

Antes de morrer Piazzola fez a Milva uma última oferta, uma Ave Maria, dizendo-lhe para a cantar quando apenas se sentisse preparada para tal.

Quase aos 70 anos, Milva resolveu cantá-la e deixo aqui o vídeo da apresentação desta belissíma obra de Piazzola,



Entretanto, com um repertório prestigioso e uma carreira notável, se formos averiguar qual o seu maior sucesso popular, teremos uma surpresa. É que não foi nenhuma das interpretações excepcionais que Milva deixou gravada, que suscitou o maior entusiasmo do público, foi uma canção bem popular, que todos conhecemos muitissimo bem.



Pois é verdade. foi exactamente este o seu maior êxito de vendas: Um simpático e bem humorado fado, no estilo habitual de Alberto Janes, chamado É OU NÂO É, originalmente criado por Amália Rodrigues, mas que no resto da Europa, devido a esta recriação de Milva ficou conhecido por LA FILANDA.

quinta-feira, abril 10, 2008

A próxima vitima



Velha, feia, com simpatias comunistas e até mesmo lésbica são algumas das criticas que a campanha política norte-americana vai deixando cair sobre a Senadora Hillary Clinton.

Na política americana vale tudo mesmo. E há tão pouco pudor que há sites escpecializados em coleccionar e mostrar imagens desfavoráveis dos candidatos, mas com especial preferência num deles (vá-se lá saber porquê?) vidé http://www.zombietime.com/really_truly_hillary_gallery/.

Quando não há outros argumentos recorrem-se a estes tristes exemplos, que se lançam na imprensa, para criar sucessivos factos políticos:


O facto, é que a objectividade e a verdade vendem poucos jornais e dão pouca audiência a telejornais. Desconfio mesmo que quanto mais incapazes e tolos forem os governantes, mais felizes ficam os donos dos meios de comunicação:

Para se ter um pouco de equilibrio, tem que se estar atento a todas as propagandas e por isso, neste momento de Obamomania, que parece estar instalado em todo o lado deixo aqui um pequeno video sobre a tal bruxa, como lhe chamamaram já alguns orgãos de comunicação americanos:



Mais do que pelos discursos, o passado diz decerto muito sobre um candidato.

Em 2001, João Soares em Lisboa, estava certo de que o seu trabalho no municipio seria a melhor propaganda possível para demonstrar aos eleitores a vantagem da sua continuidade.

Hillary, tem desde o início, vindo a insistir nessa mesma posição!
Receio que tenha o mesmo destino do João!

Se isso acontecer, só espero que não suceda nos Estados Unidos, a mesma catástrofe que aconteceu depois em Lisboa, onde afinal, para os eleitores, a capacidade retórica parece ter mais valor do que a garantia de um passado de trabalho com sucesso!

E Obama, que não tenha dúvidas, se for o vencedor vai ser ele de certeza, a próxima vítima!

terça-feira, abril 08, 2008

Vin Rouge

Em 2006 um jovem casal, abriu no Monte Estoril, um dos restaurantes que eu considero do melhor que o nosso panorama gastronómico tem para nos oferecer.

Ambos com um curriculum invejável, passaram já pelos melhores restaurantes da zona de Lisboa.

Ele, o chefe João Antunes, recém galardoado pela Academia Portuguesa de Gastronomia, tem a arte de saber criar e de simultaneamente nos devolver os sabores que tinham ficado lá para trás, nas nossas memórias de infância. Perfeito na confecção e na conjugação de sabores.

Ela, a chefe de sala e responsável pelos vinhos Rita Caldas, tem sempre a par da simpatia e elegância de trato, a capacidade de escolher os mais adequados vinhos para cada prato, para cada sabor.

Estive lá há quinze dias, na minha quinta ou sexta visita, e optei pelo menu de degustação da nova Carta de Primavera. Excelente!

Começou-se, após um delicioso amuse bouche, pelas vieiras salteadas! Apareceram-nos de textura muito agradável, acolitadas de uma massa de arroz no ponto certo, deliciosamente apaladada pela citronela (uma planta semelhante à menta e cujas folhas possuem um aroma a limão) acompanhados de cogumelos selvagens salteadamente saborosos!

Ainda no âmbito das entradas provou-se as molejas. E digo provou-se pois foi a primeira vez que tal passou por este gasganete, já eu sou normalmente renitente a aventuras por partes menos conhecidas e mais viscerais dos animaizinhos. Contudo, também aqui a experiência foi positiva, quer pelas próprias molejas, quer pelos sabores adjuvantes das chalotas e dos espinafres!

Seguiu-se a raia, cujo tratamento, tal como em confecções anteriores deste batoíde, revela uma propensão especial do chef para o cartilaginoso espécime! Desta vez vinha escalfado em caldo de peixe e revelou ter uma carninha consitente q.b. e um sabor marítimo perfeito. Os knepfles de mangericão e os grelos de nabo salteados revelaram-se uma excelente companhia.

Seguidamente passou-se ao Carré de borrego, no ponto exacto, com a surpresa dos bolinhos de alho, cremosos no seu interior, que vieram juntamente com umas batatinhas assadas no forno e uns legumes grelhados muito a propósito, acrescente-se.

Terminou-se o repasto, primeiro com um aclarador de paladar à base de alperce, seguido do Fondant de amêndoa e chocolate e gelado de Mandarina. Quase perfeito, neste caso, pois não encontrei suficiente toque da amêndoa, como estava à espera…

Quanto aos vinhos, direi apenas, para que a memória não me atraiçoe e comece a confundir o que não merece ser confundido, que as combinações propostas pela Rita Caldas, foram excelentes e que tiveram várias origens nacionais e uma experiência francesa (um chardonnay Louis Latour 2005) que funcionou muito bem com as ambos os sabores do mar!

Para quem tiver curiosidade recomendo o site do restaurante
http://www.restaurantevinrouge.blogspot.com/
e recomendo uma visita! Vale mesmo a pena!!!

segunda-feira, abril 07, 2008

Ronda Nocturna de Lars Norén




















Em cena, no Maria Matos, é uma peça onde se vêm potencialidades várias e desajustes múltiplos também!

A morte de uma mãe, promove o reencontro de dois irmãos e suas mulheres, todos entretanto em pleno desencontro afectivo.

Discutem, fumam, bebem e agridem-se verbalmente na moderna sala de estar de um deles e perante as cinzas da progenitora.

Uma ideia, ou como diz o folheto de apresentação, o mote (criado por Edward Albee) descreve o que se passa: O inferno pode ser uma sala confortável e um casal insatisfeito!

Uma ideia interessante! Já pouco original, mas sempre interessante!
É sempre apelativo ver-se dramatizações do relacionamento humano, sobretudo quando nos mostram situações extremas e diálogos amargos entre personagens amarguradas.
Já muitas peças glosaram esta temática, umas são mais felizes que outras, umas dão origem a melhores espectáculos que outras.

O pior para esta é que, se viermos a estabelecer comparações com a que lhe serve de matriz, fica naturalmente a perder. Refiro-me a “Quem tem medo de Virgínia Woolf”, pois fica muito evidente que nela se inspira: na temática, na localização cénica, no conjunto de personagens (dois casais) e até no uso de palavrões.

O alucinante jogo da verdade que vemos na peça de Albee, aqui aparece numa versão mais modesta de confissões mútuas entre irmãos e entre cunhadas.

No entanto, apesar de exigir, tal como a outra, um esforço imenso dos respectivos interpretes, esta Ronda Nocturna nem nos oferece um texto muito conseguido, nem nos dá um grande espectáculo.

O texto desenvolve-se em círculos, longos e repetitivos. Tão longos e tão repetitivos que ao fim de algum tempo a voz dos actores passa a ter como música de fundo o ranger das cadeiras dos espectadores que entretanto não conseguem disfarçar o cansaço perante um texto infindável e cadeiras pouco confortáveis.

Não conheço o texto original e por isso mesmo não sei se os defeitos que encontrei resultam daí, de uma má tradução ou de uma deficiente adaptação. O que sei é que o espectáculo a partir de certa altura, parece apenas uma sequência de cenas que são meras versões de cenas anteriores. Na última meia-hora do espectáculo a sensação de um déjà vu cansativo é inevitável!

Sugere-se levemente a dado momento que existe algo no passado dos irmãos próximo da pedofilia, mas tal nunca se confirma.
Sugere-se vivências que são completamente inverosímeis (um pai que não desliga o telefone para que, do outro lado, a filha, que patina incessantemente pela casa, se sinta mais segura….).
Sugerem-se traições conjugais, cujos contornos e dimensão ficam por se entender.
Fala-se de camas que se vão pedir, a meio da noite, aos vizinhos…
Descobre-se que a filha, patinadora impenitente de 11 anos, é também uma obesa embaraçosamente inapresentável, com uma fixação doentia pela comida....
Um texto que se apresenta portanto, com fragilidades lógicas e debilidades na sequênciação da sua linha condutora, estranhamente óbvias e que requer por isso um esforço adicional dos actores para que se torne credível.
Um tipo de peça como esta é sem dúvida uma peça que exige muito dos actores.
Quatro actores em palco, em diálogo pernamente, que precisam de um excelente texto para que tudo valha a pena.
Se forem óptimos, talvez até nos consigam fazer esquecer algumas debilidades do argumento e dos diálogos. Infelizmente não foi o caso!
Sendo uma peça a quatro vozes, um resultado final equilibrado passaria também pelo equilíbrio das respectivas qualidades interpretativas. Também não é o caso! Apesar de todos terem mostrado uma entrega enorme ao seu trabalho!

António Capelo vai melhorando ao longo da peça, mas o seu débito do texto é quase sempre monocórdico. Se nos estivesse a recitar a lista telefónica, decerto que não precisaria fazer diferente. Tem em compensação, uma boa presença física e gestual, imprescindível para o seu papel e, sem dúvida, um cuidado enorme com a sua dicção.

Orlando Costa, mais convincente, mas em muitos momentos com uma má dicção e escusadamente excessivo na projecção de voz e nos gestos.

Custódia Galego, com o papel mais apagado, em muitos momentos quase que parecia pedir desculpa por estar ali! Melhor que nas falas (algo monocórdica também) deu óptimas contra-cenas.

Luísa Cruz, a mais completa, também com um início algo imperfeito, melhorou rapidamente e deu-nos a melhor das quatro interpretações da noite. Revelou-se sem dúvida ser um excelente animal de palco. Na colocação da voz, no desenvoltura do gesto, no registo certo, na postura física. Um nome a reter…

Muito boa a cenografia. Quinta personagem desta peça, o cenário revelou-se muito bem conseguido. Moderno, elegantemente simples, coerente com as personagens. Parabéns a José Barbieri. Mas também a Cristina Costa pelos figurinos acertados para cada uma das personagens, a José Nuno Lima pela iluminação, ora sombria, ora dramática, e a Luis Aly pela sonoplastia.

Apesar dos defeitos apontados, o espectáculo revelou-se digno e quem quiser estar a par do que se vai fazendo em Lisboa, não fará mal em ir até ao Maria Matos. Na noite em que eu estive presente, muitos dos espectadores gostaram e até aplaudiram de pé!

segunda-feira, março 31, 2008

SHE



Para os que pensam que esta canção nasceu para ser banda sonora de um filme de 1999 (Notting Hill) e para os que julgam ser uma criação de Elvis Costelo, aqui está esta belíssima balada cantada pelo seu autor e criador, que a lançou em 1975 no album intitulado TOUS LES VISAGES DE L'AMOUR

Aznavour em Lisboa


Aznavour esteve em Lisboa no mês de Fevereiro. Na altura não deixei aqui qualquer nota sobre o assunto, mas não lhe quero fugir.

Foi uma noite especial. Viu-se ao vivo nesta cidade um dos maiores nomes da canção ligeira do Século XX.

Mataram-se saudades do passado num Pavilhão Atlântico repleto da "toute Lisbonne".

Para recordar ou para descobrir, Aznavour que não parece ter 83 anos, possui uma voz ainda potente e fresca e uma presença em palco notável.

Interpretando cada canção com uma encenação própria, trouxe até Lisboa algumas das suas mais belas criações, em duas horas seguidas de espectáculo, sem direito a "encores".

Uma noite inesquecível, um belo encontro com a história da música.

segunda-feira, janeiro 28, 2008

A semana do Regicídio

O meu bisavô pertencia à Guarda Real, aquando do Regicídio de 1 de Fevereiro de 1908.

Guarda Real que foi surpreendida e não foi capaz de evitar a consumação deste acto, embora tenha de imediato reagido e executado no local os assassinos.

Foi por isso, em vários sentidos, um choque para ele e para todos em sua casa, a morte do Rei D. Carlos e do Príncipe D. Luís Filipe.

A minha avó Sofia, na altura com 8 anos de idade, guardava uma forte recordação desse dia, que se foi consolidando, devido ao muito que o reviveu com os pais e com os irmãos mais velhos.

Essas memórias foram-se mantendo e foram-me depois passadas e a curiosidade do que para muitos é apenas mais um momento histórico tem para mim uma dimensão afectiva muito especial.

Talvez por isso, tivesse nascido em mim a vontade de conhecer a verdadeira natureza desse acto terrível, tendo acabado por descobrir que ele em nada contribuiu para a melhoria do que quer que fosse neste País. Pelo contrário! Foi um assassinato estúpido e bárbaro cometido por fanáticos políticos de vistas muito curtas. Nada mais!

Em Portugal é, desde sempre, muito complicado, conviver com ideias diferentes. Quer as elites, quer o Povo em geral têm muita dificuldade em respeitar opiniões adversas, têm muita dificuldade em conviver pacificamente com opositores.

Um adversário político bom não é um adversário político morto! Não é um inimigo a abater!

Seria muito proveitoso, à semelhança do que se faz em países civilizados, que se habituasse as crianças desde muito pequenas a realizar debates de ideias. A serem confrontadas com ideias diferentes das suas. A serem obrigadas a responder pacífica e racionalmente a argumentos contrários aos seus.

Todos nós já vimos quer em pequenos círculos de amigos, quer mesmo na Televisão, situações em que a discussão de argumentos contrários é feita exaltadamente, levando frequentemente ao insulto pessoal.

Esse barbarismo levou, em 1908, D. Carlos e D. Luís Filipe à morte.

Esperemos que se venham a retirar todas as lições deste acontecimento.

Espero também que nesta passagem dos 100 anos deste acontecimento, ele seja evocado com a dignidade que ele merece e sem o erro primário de mencionar os nomes dos assassinos.

Estou curioso, relativamente ao que a comunicação social irá fazer a este respeito.



sábado, janeiro 05, 2008

Palácio da Ajuda

Aconselho vivamente uma visita ao Palácio da Ajuda em Lisboa.

Aí poderá encontrar cortinas a cair de podres, mobiliário envelhecido e mal tratado, paredes forradas a tecido esfarrapado, fios electricos e de telefone visiveis na decoração oitecentista e um perfeito ar de abandono e de decadência.

Se gosta de se sentir num país de terceiro mundo, de ter motivos visiveis e palpáveis para se envergonhar de ser português, não deixe de ver este monumento nacional.

Já foi um palácio real, agora é um monumento à incompetência e ao atraso deste pobre país.

Passarão no próximo dia um de Fevereiro cem anos sobre o regicídio... Parece contudo que a matança da nossa história tem continuado ao longo das últimas décadas... Vá ao Palácio da Ajuda e testemunhe ao vivo um crime à nossa memória colectiva...

quinta-feira, setembro 27, 2007

ONTEM - UMA HISTÓRIA DA SIC

Ontem, a SIC - Notícias, pediu a Sanatana Lopes que se deslocasse aos seus estúdios para dar um depoimento sobre a situação do segundo partido português, o PSD.

Ontem, a meio desse depoimento, a pivot da SIC interrompeu a entrevista com Santana Lopes para fossem transmitidas imagens em directo da chegada ao aeroporto da Portela, do treinador de futebol José Mourinho.

Ontem, Santana Lopes fez aquilo que muitos, incluindo ele próprio, já deveriam ter feito à muito tempo, sempre que este tipo de coisas acontece: levantar-se da cadeira e ir embora.

Ontem, a Direcção de Informação, pela pena de Ricardo Costa, emitiu um comunicado dizendo:

A SIC entende que não faltou ao respeito a Pedro Santana Lopes e que a chegada de José Mourinho não era um elemento perturbador de uma entrevista para a qual tínhamos previsto cerca de 30 minutos.

A SIC Notícias é, seguramente, a televisão portuguesa que mais importância dá à política nacional. A atitude desproporcionada de Pedro Santana Lopes não altera a nossa linha editorial.

Ontem, a SIC demonstrou mais uma vez, que os seus responsáveis, nem sequer têm consciência da enormidade que praticou... da falta de senso, de civismo e de educação que evidenciou...

Ontem, a SIC demonstrou a que nível se situam os seus critérios editoriais, qual o conceito que têm de notícia e de actualidade e qual o respeito que possuem pelos seus convidados e telespectadores.

Infelizmente o que se passou ontem na SIC não teve nada de inédito ou de original... Há muito tempo que se desceu abaixo do grau zero da decência nos programas informativos na Televisão Portuguesa e, por isso mesmo, espanta-me muito a surpresa de Santana Lopes...

Interrupções e agressividade excessiva em entrevistas, cortes inopinados de transmissões e de comentários, têm sido democráticamente distribuídos pelos jornalistas televisivos a políticos, artistas e cidadãos comuns.

Talvez a atitude de Santana não fosse uma atitude assim tão espontânea quanto isso, foi no entanto a atitude que a SIC merecia... Só falta agora, que nós os telespectadores, lhe sigamos o exemplo...

O mais curioso e irónico disto tudo, é que esta situação patética envolveu a que é, para mim, a melhor preparada, a mais serena e mais equilibrada pivot da TV portuguesa dos últimos anos... e o político mais trapalhão e demagogo que alguma vez esteve à frente deste país....

Que pena Ana Lourenço!!!

segunda-feira, julho 23, 2007

Comidas


Vou iniciar neste espaço algo que tinha em mente desde o princípio.

Abordar o tema gastronomia.

Lisboa está viva, surgem cada vez mais e melhores restaurantes nesta cidade.
Come-se cada vez melhor nesta capital. Os chefs estão cada vez mais criativos e a cozinha de autor parece tornar-se numa moda que veio para ficar.

Contudo come-se também cada vez mais caro…

Estive à poucas semanas na Alemanha e na Áustria, onde os preços são idênticos ou mesmo mais baixos para o mesmo nível restaurativo.

O que revela a gula absurda dos nossos empresários.

Estamos em tempo de férias, a praia convida, o peixe torna-se mais apetecido e antes de iniciar uma série de crónicas dedicadas aos restaurantes, vou desde já recomendar aos que se deslocam de norte para sul, como aos que se deslocam de sul para norte, que parem na praia do Pego no Carvalhal, ao sul de Tróia e deliciem-se no AQUI HÁ PEIXE!

Tem site próprio e um peixe fresco magnífico que grelhado ou cozinhado com sabedoria lhe poderá dar uma refeição magnífica.

Telefone primeiro, pois está quase sempre cheio.

domingo, maio 06, 2007

o candidato





Na passada semana foi tempo de ir ao teatro Tivoli ver a peça “Sua Excelência O Candidato”.

Apresentada como “uma peça sobre os bastidores da politicagem brasileira, expondo a verdadeira face do poder”, afinal a peça revelou-se como um simples enredo de boulevard, divertido mas sem a profundidade que era publicitada.

Apresentado Gianecchini como interprete central da peça, afinal o actor não foi o foco nem o motor do divertimento que esta peça nos traz.

O conflito central envolve um jovem candidato a um cargo público, Orlando (Reynaldo Gianecchini), cuja amante, Laura (Lara Cordlola) é esposa de Ezequiel (Paulo Coronato), o chefe político que será responsável pela sua escolha.

Junte-se a isso a mãe solteira Marli (Roseli Silva), que depois de dez anos procura o pai da criança, o possível candidato.

Para culminar, acrescente-se um assessor bajulador, Atos (Norival Rizzo), um mordomo-travesti, Eurípedes (Wilson de Santos) e um japonês, Kagashima (Massayuki Yamamoto), líder sindical dos hortifruticultores de Cotia.

Ora é exactamente à volta das personagens do mordomo Euripedes e do assessor Atos que se desenvolvem todas as contradições, confusões, coincidências e enganos de que esta comédia é tecida. E é exactamente do talento dos respectivos actores que o sucesso desta peça vive. Em particular do magnífico Wilson dos Santos.

De facto quer Santos quer Rizzo são óptimos e destacam-se de toda a restante companhia, que apesar de desempenhos correctos, são completamente ofuscados por aqueles seus dois colegas.
Faço uma ressalva relativamente a Yamamoto cujo desempenho, ou por inabilidade sua ou por opção erradíssima do encenador tem um desempenho num registo completamente desfazado de todas as restantes interpretações.

Facto curioso foi verificar que boa parte da assistência era feminina e que não se inibiu de demonstrar que mais do que ver uma peça de teatro foi ver Gianecchini!

Gianecchini fez, no palco, o que lhe competia, bem feitinho… mas sem rasgos… Fora do palco foi o chamariz para uma peça que, talvez sem ele não tivesse nem metade do publico que encheu durante a semana lisboeta o Tivoli.

Do Brasil já nos chegaram coisas mais interessantes… No entanto quem assistiu à peça não deu o tempo por perdido. O riso e a diversão também fazem falta.


Sarko et Sego

Sarko a gagné, Sego a perdu.

Le candidat de l'UMP est élu président de la République

On esperait déjà ça! Et ce soir on voie la joie de ceux que ont gagné autant que l’entusiasme de ceux qui ont perdu!

Au même temps que des milliers crient Victoire dans la Concorde, des autres milliers a la Bastille crient Sarko c’est facho!

On vera ce que ça signifie!

La fin des 35 heures c’est promis! C'est un erreur pour la France! Et c'est un signe trés negatif pour le reste du monde!

L’avance pour l’Europe sans referendum c’est promis! Si ça sera fait ce sera un erreur d’ethique que eloignera plus des citoyens de la politque e de l’Europe.

Mais la verité c’est que Sarkozy a dit tout ce qu’il pense faire! Sur les retraites, sur les fonctionaires, sur le system public de santé! La priorité sera sur le developement des entreprises, sera sur les chifres, sur les statistiques! On aura pas des surprises! Et pour moi ça c’est le plus positif de la campagne e de l’atitud du futur President de la France.

Le future de la France et de l’Europe a monté sur a nouveau degrée ce dimanche….Mais en voyant les partisans de la gauche, on voie que si la bataille est perdu, la guerre ne será pas encore fini…le troisiéme tour a dejá commencé!

terça-feira, abril 24, 2007

O valor da arte








O Washington Post publicou na imprensa americana, o DN na imprensa portuguesa e Daniel Ferreira fê-lo na nossa blogosfera, escrevendo o que agora transcrevo e que, para além da curiosidade do facto, merece uma séria reflexão


"Numa experiência inédita, Joshua Bell, um dos mais famosos violinistas do Mundo, tocou incógnito durante 45 minutos, numa estação de metro de Washington, de manhã, em hora de ponta, despertando pouca ou nenhuma atenção.


A provocatória iniciativa foi da responsabilidade do jornal "Washington Post", que pretendeu lançar um debate sobre arte, beleza e contextos. Ninguém reparou também que o violinista tocava com um Stradivarius de 1713 - que vale 3,5 milhões de dólares.


Três dias antes, Bell tinha tocado no Symphony Hall de Boston, onde os melhores lugares custam 100 dólares, mas na estação de metro foi ostensivamente ignorado pela maioria.


A excepção foram as crianças, que, inevitavelmente, e perante a oposição do pai ou da mãe, queriam parar para escutar Bell, algo que, diz o jornal, indicará que todos nascemos com poesia e esta é depois, lentamente, sufocada dentro de todos nós.


"Foi estranho ser ignorado"Bell, que é uma espécie de 'sex symbol' da clássica, vestido de jeans, t-shirt e boné de basebol, interpretou "Chaconne", de Bach, que é, na sua opinião, "uma das maiores peças musicais de sempre, mas também um dos grandes sucessos da história". Executou ainda "Ave Maria", de Schubert, e "Estrellita", de Manuel Ponce - mas a indiferença foi quase total.


Esse facto, aparentemente, não impressionou os utentes do metro. "Foi uma sensação muito estranha ver que as pessoas me ignoravam", disse Bell, habituado ao aplauso. "Num concerto, fico irritado se alguém tosse ou se um telemóvel toca. Mas no metro as minhas expectativas diminuíram. Fiquei agradecido pelo mínimo reconhecimento, mesmo um simples olhar", acrescentou.


O sucedido motiva o debate foi este um caso de "pérolas a porcos"? É a beleza um facto objectivo que se pode medir ou tão-só uma opinião?


Mark Leitahuse, director da Galeria Nacional de Arte, não se surpreende: "A arte tem de estar em contexto". E dá um exemplo: "Se tirarmos uma pintura famosa de um museu e a colocarmos num restaurante, ninguém a notará".


Para outros, como o escritor John Lane, a experiência indica a "perda da capacidade de se apreciar a beleza". O escritor disse ao "Washington Post" que isto não significa que "as pessoas não tenham a capacidade de compreender a beleza, mas sim que ela deixou de ser relevante"."


Querendo saber mais sobre este jovem violinista que já nos visitou em 2001, aconselho a visita ao seu site, onde se pode escutar excertos das suas gravações:

http://www.joshuabell.com/

Visite, vale a pena

quarta-feira, abril 18, 2007

A preto e branco

Hoje trago até aqui a minha visão de um outro espectáculo teatral:

A Dúvida, de John Patrick Shanley. Em cena até 6 de Maio no Teatro Maria Matos.

O texto transporta-nos aos anos anos 60, dentro de uma escola católica da ordem das irmãs de caridade, situada no bairro do Bronx . Quatro personagens – um padre, a madre superiora, uma freira e a mãe de um aluno – envolvem-se numa trama pautada pela incerteza e intolerância, desencadeando uma série de conflitos e situações-limite.

A polêmica em torno do abuso do único menino negro da escola, por um dos padres, constitui o pano de fundo desta peça.

Uma peça a preto e branco!

Os cenários, as vestes dos protagonistas e a própria cor da pele das personagens foram os elementos semioticos que o autor (e encenadora) nos ofereceram com inteligência e bom gosto, para transmitir o confronto ideológico entre o progressismo e o conservadorismo, a ingenuidade e a experiência, a pureza e a astúcia, o Bem e o Mal.

Deste ponto de vista o espectáculo é artística e esteticamente coerente e conseguido.

Não conheço o texto original, nem a outra versão em língua portuguesa escrita pela Beatriz Segall. Talvez esse conhecimento pudesse dissipar-me algumas dúvidas essenciais sobre o texto.

Confesso que, normalmente, encaro textos como o desta peça, em que existe um tipo de dialética simplista a partir de personagens que se encontram nos extremos do pensamento, como pouco criativos.

Mas, a verdade é que com a própria construção dos diálogos, o autor consegue fazer o publico relativizar as posições dos dois contendores (irmã Aloysius e padre Flynn) colocando-o numa espécie de expectativa neutral de ver suceder, à pureza cromática das cores opostas, uma variedade de tons intermédios de compromisso e sabedoria.

Não me espanta pois, que o texto tenha ganho o Pullitzer e a peça o Tony.

Trata-se portanto de um espectáculo que vive do texto e portanto da respectiva representação. Merece pois bons actores. Teve Eunice Muñoz e Diogo Infante.

Pareceu-me terem tido um trabalho razoável. Serviram a peça, mas sinceramente não deslumbraram.

Eunice com as habituais dificuldades de dicção, manteve o seu registo habitual e já visto noutros papéis.

Diogo, por seu lado, se é certo que foi capaz de vestir a pele de um homem surpreendido e acossado por uma terrível acusação, não conseguiu convincentemente acrescentar a essa pele a do eclesiástico colocado nessa mesma situação…

Eunice e Diogo deram-nos, de facto, um confronto entre uma senhora idosa e um homem relativamente jovem, ambos vestidos de religiosos...mas... faltou-lhes a subtileza (eventualmente por culpa da encenadora)... o golpe de asa que nos transmitisse, um confronto entre uma freira directora de um colégio e um padre professor…

Os sinais, ou foram exclusivamente exteriores, ou se existiram, foram demasiado ténues para a transmisssão de toda a idiossincrasia do conteúdo psicológico das personagens. No entanto, repito, os actores serviram a peça… e o público, no qual me incluo, saiu da sala razoavelmente satisfeito.

Diz o Autor a “dúvida” – diagnosticada inicialmente como um sinal de fraqueza – surge como um verdadeiro elemento transformador do ser humano, ao exigir mais coragem do que convicção.

Diz ainda que “Quando uma pessoa tem sua certeza abalada é sinal de que ela está diante de um crescimento. A aparente sensação de estar num caminho errado é, na verdade, saudade do conforto do que se conhece. A vida começa a acontecer quando se quebram os velhos hábitos mentais e a dúvida vem à tona, como uma oportunidade de reentrar no presente”,

Ah...Uma última palavra para a música deste espectáculo: Um original magnifico de Bernardo Sassetti, que brevemente irá ser editado em disco. Discreta e simultaneamente poderosa e sobretudo muito bela. Como teria que ser….

terça-feira, abril 10, 2007

Música no Coração

Fui ver o musical produzido por Filipe La Féria.
Bom pretexto para voltar ao Blog.
O que dizer do que vi?
Digo que ficou um sentimento de frustração!
E já nem refiro a fraca qualidade do espectáculo, refiro a dissolução da magia que esta obra comporta e que transpareceu sempre que a tinha visto, ou ouvido.
Uma magia que vinha pela música excepcional, pela ambiência, pelas interpretações, pelo apuro do canto, pela beleza de Salzburg, pelas grandiosas montanhas que Robert Wise tão bem soube filmar.
Mas frustração porquê? Claro que não estava à espera de ver no palco Julie Andrews ou Mary Martin.
Claro que não estava à espera de ter a Broadway ou o West End nas Portas de Santo Antão.Então o que esperava?Esperava não ver uma récita de amadores, cuja qualidade artistica se resume a cantar afinadamente.
Anabela, que nessa noite foi a protagonista, esteve bem nas canções, mas a sua representação revela uma completa falta de vocação para a arte de Talma. Não consegue ser minimamente convincente… Foi sempre a Anabela mascarada de Maria…
Carlos Quintas, o moreno Von Trapp parecia querer despachar o texto em grande velocidade.
Joel Branco, o Max Detweiler de serviço idem, idem… num tom revisteiro que não percebo a que propósito ali foi metido.
Vera Mónica, a Baronesa Elsa Schroeder e a sua pobre peruca loura, parecia mais longe da sofisticada Eleanor Parker do que de uma qualquer matrona do Intendente. Sempre em over-acting, não conseguiu em nenhum momento dar-nos a figura distante e elegante da aristocrata vienense deslocada nno meio provinciano de Salzburgo.
O mordomo e os dois oxigenados criados da casa, saricoteavam-se mais à laia de animadores do Trumps do que de serviçais de uma casa senhorial.
A Liesl portuguesa de tão novinha, parecia uma nervosa vítima dos avanços pedófilos de um Rolf relativamente consistente.
O desequilíbrio entre os dois era tão gritante, que as suas insuficiências de representação e de canto, tornaram-se quase patéticas quando chegaram ao tema "16 quase 17"
Será que La Féria não sabe dirigir actores? Será que lhe basta ter no palco pessoas que apresentem um texto, e não que o representem....
E quem teria feito a adaptação das canções?.... Depois de duas bem conseguidas ("As coisas que eu gosto" e "Do Re Mi") deve-se ter cansado e nunca mais conseguiu uma métrica ajustada e a sonoridade adequada.
O que terá levado La Féria a não ter utilizado nenhuma das versões anteriores?Apenas o não ter que repartir direitos de autor? E a qualidade artística, onde ficou?Frustação.... É claro que sim... Este é um musical de referência... que merecia mais e melhor!
Foi tudo mau?... Claro que não!... Lia Altavila (magnifica no Climb every mountain), Helena Rocha (apesar de parecer mais ela própria do que a Governanta) e boa parte da cenografia.
Quanto a esta apenas um reparo para a solução que foi escolhida para a noite de Baile. Pôr os convidados a dançar num corredor... ainda que com espelhos... é no mínimo, disparatado. Mas enfim... foi uma solução fácil e económica. Triste também!
Um espectáculo muito fraco..., com músicas fabulosas e maioritariamente bem cantadas....E tão só.
Vi, fiquei desapontado e não aconselho.

quarta-feira, janeiro 03, 2007

DOIS ANOS DEPOIS



















































































Nate Berkus




Princesa Ubolratana



Mikaela


Dia 26 de Dezembro completaram-se dois anos que aconteceu o Tsunami que devastou a costa do Índico e vitimou centenas de milhares de pessoas.

Um desastre desta dimensão, decerto jamais será esquecido. Nem a distância nem o tempo tornam menos presente a memória dos dramas e dos milagres que então aconteceram e que hoje faço questão de vir aqui recordar.

Dramas e milagres que têm rostos.

Rostos dos que desapareceram, mas também dos que sobreviveram, carregando consigo a memória de uma experiência pessoal terrível e em muitos casos de uma saudade arrasadora dos que então partiram.

Milagres como o da pequena Micaela de 5 anos, que sem saber nadar consegui manter-se à tona da água, enquanto a sua mãe desaparecia engolida por uma vaga gigantesca.

Dramas como o da princesa real tailandesa que viu o seu filho a ser tragado pelas águas enquanto salvava o filho de um turista americano de ter a mesma sorte.

Dramas e milagres que produziram cadeias de solidariedade internacional, provocadas tanto pela comoção universal que este acontecimento originou, como por tragédias pessoais, como a da estrela da televisão americana Nate Berkus que com o seu parceiro, o fotografo Fernando Bengoechea, conseguiu superar a primeira vaga, mas que viu depois o seu companheiro desaparecer no turbilhão do segundo avanço da maré.

Para milhões de pessoas, nada mais voltará a ser como dantes.

Para milhões de pessoas, a alegria de um momento, transformou-se em horror segundos depois.

Pessoas como nós, desaparecidos e sobreviventes de uma tragédia que hoje completa dois anos nas nossas memórias