segunda-feira, abril 28, 2008

MILVA



Hoje gostaria de falar um pouco sobre a cantora Milva. É desde sempre uma das minhas vozes preferidas.



Conhecida em Portugal, não possui contudo a notoriedade que merece, o que é uma pena, pois a ausência de informação sobre esta e outras figuras da música mundial empobrece necessariamente as novas gerações.

Aliás, em Portugal, exceptuando o caso recente de Aznavour, os grandes nomes da música vão passando alegremente despercebidos.

A chegada de Mourinho a Lisboa para férias teve direito a directos televisivos, contudo a vinda de uma Bartoli ou de um Venguerov para actuar são acontecimentos que ficam quase ignorados pelo grande público e limitados a um pequeno número de privilegiados.

No próximo dia 2 de Agosto, a cidade de Dresden, tão célebre pela sua beleza, como pela completa destruição que sofreu no final da Segunda Guerra Mundial, vai ser palco de um acontecimento musical raro. Irão actuar nesta cidade e no mesmo espectáculo, três grandes vozes femininas: Monserrat Caballé, Milva e Angelika Milster. Talvez por isso mesmo o espectáculo tenha como denominação Diva Máxima.

A actuação será ao ar livre na Theaterplatz, local simbólico, escolhido pelas três cantoras como o mais adequado à grandeza do espectáculo e à necessária homenagem que desejaram fazer à cidade e à sua reconstrução.

Quem puder assistir decerto que não se irá esquecer desta conjugação memorável destes três nomes do canto europeu e mundial.

Mas permitam-me que fale de uma das cantoras, Milva, cuja voz sempre me impressionou, desde que a ouvi, pela primeira vez em 1966, no Festival de San Remo, cantando Nessuno di Voi.


Uma cantora que no próximo ano celebrará 50 anos de carreira e 70 de idade, mas que se mantém ainda em plena actividade.

Apresentada em 1961 no Festival de San Remo como rival de outra grande cantora italiana Mina (os jornais chamavam-lhe a anti- Mina), procurando a imprensa da época gerar um "motivador" clima de disputa que, mais tarde em Portugal se procuraria copiar fomentando rivalidades entre Simone e Madalena, assim como entre Calvário e Garcia.

Em 1972 a RAI, mostra-nos entretanto um momento excepcional em que as duas grandes vozes italianas femininas percorrem em conjunto um caminho de Jazz.



Contudo, desde cedo esta cantora mostrou ser mais do que uma boa voz da música ligeira, quando em 1962 gravou um disco de canções revolucionárias, tornando-se a partir daí uma referência musical para a esquerda italiana.




Não será de estranhar portanto, que a ruiva (rossa) Milva passasse a ser conhecida, por Milva, La Rossa, jogando esse cognome com o facto de Rossa significar simultaneamente ruiva e… vermelha.

Milva, de timbre grave e de uma extensão vocal extraordinária, mostrou desde sempre uma notável capacidade interpretativa tendo-se tornado para Astor Piazzola a sua interprete favorita, para quem escreveu e dedicou a sua única Ópera, Maria de Buenos Aires.

Aqui vê-la-emos em Rinasceró - Preludio per l'anno 3001 e Balada para un loco acompanhada em palco, como de costume, pelo próprio Piazzola.











Milva, tornou-se igualmente uma interprete de referência de Brecht e Weil, e foi exactamente para os cantar que se deslocou a Lisboa, na década de 80.

Esteve em São Carlos, para um concerto tão pouco anunciado que só dei por ele quando saíram as críticas... pouco entusiasmadas, diga-se de passagem, dado que as ligações da cantora à musica ligeira, faziam notória urticária aos críticos, que além do mais acharam despropositada a escolha do São Carlos para uma récita de Brecht.

Esse tipo de preconceitos não parece ter, no entanto, muitos seguidores no resto da Europa:

O Presidente Alemão concedeu-lhe a mais alta condecoração de mérito, para a que considerou a melhor interprete de Brecht, reconhecendo o seu contributo para o prestigio e divulgação da da língua e poesia alemãs.



Ou o Governo francês, que lhe outorgou equivalente condecoração pela qualidade artística das suas interpretações da música francesa.




E quanto à escolha das Salas, o São Carlos não se enganou, ou então também estarão equivocados o La Scala de Milão, o Royal Albert Hall, a Deutsch Oper, a Ópera de Paris, ou até mesmo o Festival de Edinburgh, que sempre lhe abriram gostosamente as suas portas.

A sua versatilidade, leva-nos de Morricone a Theodorakis, de Vangelis a Francis Lai, de Piaf a Lúcio Berio. Há nesta voz, muito para escolher e para ouvir….

Antes de morrer Piazzola fez a Milva uma última oferta, uma Ave Maria, dizendo-lhe para a cantar quando apenas se sentisse preparada para tal.

Quase aos 70 anos, Milva resolveu cantá-la e deixo aqui o vídeo da apresentação desta belissíma obra de Piazzola,



Entretanto, com um repertório prestigioso e uma carreira notável, se formos averiguar qual o seu maior sucesso popular, teremos uma surpresa. É que não foi nenhuma das interpretações excepcionais que Milva deixou gravada, que suscitou o maior entusiasmo do público, foi uma canção bem popular, que todos conhecemos muitissimo bem.



Pois é verdade. foi exactamente este o seu maior êxito de vendas: Um simpático e bem humorado fado, no estilo habitual de Alberto Janes, chamado É OU NÂO É, originalmente criado por Amália Rodrigues, mas que no resto da Europa, devido a esta recriação de Milva ficou conhecido por LA FILANDA.

quinta-feira, abril 10, 2008

A próxima vitima



Velha, feia, com simpatias comunistas e até mesmo lésbica são algumas das criticas que a campanha política norte-americana vai deixando cair sobre a Senadora Hillary Clinton.

Na política americana vale tudo mesmo. E há tão pouco pudor que há sites escpecializados em coleccionar e mostrar imagens desfavoráveis dos candidatos, mas com especial preferência num deles (vá-se lá saber porquê?) vidé http://www.zombietime.com/really_truly_hillary_gallery/.

Quando não há outros argumentos recorrem-se a estes tristes exemplos, que se lançam na imprensa, para criar sucessivos factos políticos:


O facto, é que a objectividade e a verdade vendem poucos jornais e dão pouca audiência a telejornais. Desconfio mesmo que quanto mais incapazes e tolos forem os governantes, mais felizes ficam os donos dos meios de comunicação:

Para se ter um pouco de equilibrio, tem que se estar atento a todas as propagandas e por isso, neste momento de Obamomania, que parece estar instalado em todo o lado deixo aqui um pequeno video sobre a tal bruxa, como lhe chamamaram já alguns orgãos de comunicação americanos:



Mais do que pelos discursos, o passado diz decerto muito sobre um candidato.

Em 2001, João Soares em Lisboa, estava certo de que o seu trabalho no municipio seria a melhor propaganda possível para demonstrar aos eleitores a vantagem da sua continuidade.

Hillary, tem desde o início, vindo a insistir nessa mesma posição!
Receio que tenha o mesmo destino do João!

Se isso acontecer, só espero que não suceda nos Estados Unidos, a mesma catástrofe que aconteceu depois em Lisboa, onde afinal, para os eleitores, a capacidade retórica parece ter mais valor do que a garantia de um passado de trabalho com sucesso!

E Obama, que não tenha dúvidas, se for o vencedor vai ser ele de certeza, a próxima vítima!

terça-feira, abril 08, 2008

Vin Rouge

Em 2006 um jovem casal, abriu no Monte Estoril, um dos restaurantes que eu considero do melhor que o nosso panorama gastronómico tem para nos oferecer.

Ambos com um curriculum invejável, passaram já pelos melhores restaurantes da zona de Lisboa.

Ele, o chefe João Antunes, recém galardoado pela Academia Portuguesa de Gastronomia, tem a arte de saber criar e de simultaneamente nos devolver os sabores que tinham ficado lá para trás, nas nossas memórias de infância. Perfeito na confecção e na conjugação de sabores.

Ela, a chefe de sala e responsável pelos vinhos Rita Caldas, tem sempre a par da simpatia e elegância de trato, a capacidade de escolher os mais adequados vinhos para cada prato, para cada sabor.

Estive lá há quinze dias, na minha quinta ou sexta visita, e optei pelo menu de degustação da nova Carta de Primavera. Excelente!

Começou-se, após um delicioso amuse bouche, pelas vieiras salteadas! Apareceram-nos de textura muito agradável, acolitadas de uma massa de arroz no ponto certo, deliciosamente apaladada pela citronela (uma planta semelhante à menta e cujas folhas possuem um aroma a limão) acompanhados de cogumelos selvagens salteadamente saborosos!

Ainda no âmbito das entradas provou-se as molejas. E digo provou-se pois foi a primeira vez que tal passou por este gasganete, já eu sou normalmente renitente a aventuras por partes menos conhecidas e mais viscerais dos animaizinhos. Contudo, também aqui a experiência foi positiva, quer pelas próprias molejas, quer pelos sabores adjuvantes das chalotas e dos espinafres!

Seguiu-se a raia, cujo tratamento, tal como em confecções anteriores deste batoíde, revela uma propensão especial do chef para o cartilaginoso espécime! Desta vez vinha escalfado em caldo de peixe e revelou ter uma carninha consitente q.b. e um sabor marítimo perfeito. Os knepfles de mangericão e os grelos de nabo salteados revelaram-se uma excelente companhia.

Seguidamente passou-se ao Carré de borrego, no ponto exacto, com a surpresa dos bolinhos de alho, cremosos no seu interior, que vieram juntamente com umas batatinhas assadas no forno e uns legumes grelhados muito a propósito, acrescente-se.

Terminou-se o repasto, primeiro com um aclarador de paladar à base de alperce, seguido do Fondant de amêndoa e chocolate e gelado de Mandarina. Quase perfeito, neste caso, pois não encontrei suficiente toque da amêndoa, como estava à espera…

Quanto aos vinhos, direi apenas, para que a memória não me atraiçoe e comece a confundir o que não merece ser confundido, que as combinações propostas pela Rita Caldas, foram excelentes e que tiveram várias origens nacionais e uma experiência francesa (um chardonnay Louis Latour 2005) que funcionou muito bem com as ambos os sabores do mar!

Para quem tiver curiosidade recomendo o site do restaurante
http://www.restaurantevinrouge.blogspot.com/
e recomendo uma visita! Vale mesmo a pena!!!

segunda-feira, abril 07, 2008

Ronda Nocturna de Lars Norén




















Em cena, no Maria Matos, é uma peça onde se vêm potencialidades várias e desajustes múltiplos também!

A morte de uma mãe, promove o reencontro de dois irmãos e suas mulheres, todos entretanto em pleno desencontro afectivo.

Discutem, fumam, bebem e agridem-se verbalmente na moderna sala de estar de um deles e perante as cinzas da progenitora.

Uma ideia, ou como diz o folheto de apresentação, o mote (criado por Edward Albee) descreve o que se passa: O inferno pode ser uma sala confortável e um casal insatisfeito!

Uma ideia interessante! Já pouco original, mas sempre interessante!
É sempre apelativo ver-se dramatizações do relacionamento humano, sobretudo quando nos mostram situações extremas e diálogos amargos entre personagens amarguradas.
Já muitas peças glosaram esta temática, umas são mais felizes que outras, umas dão origem a melhores espectáculos que outras.

O pior para esta é que, se viermos a estabelecer comparações com a que lhe serve de matriz, fica naturalmente a perder. Refiro-me a “Quem tem medo de Virgínia Woolf”, pois fica muito evidente que nela se inspira: na temática, na localização cénica, no conjunto de personagens (dois casais) e até no uso de palavrões.

O alucinante jogo da verdade que vemos na peça de Albee, aqui aparece numa versão mais modesta de confissões mútuas entre irmãos e entre cunhadas.

No entanto, apesar de exigir, tal como a outra, um esforço imenso dos respectivos interpretes, esta Ronda Nocturna nem nos oferece um texto muito conseguido, nem nos dá um grande espectáculo.

O texto desenvolve-se em círculos, longos e repetitivos. Tão longos e tão repetitivos que ao fim de algum tempo a voz dos actores passa a ter como música de fundo o ranger das cadeiras dos espectadores que entretanto não conseguem disfarçar o cansaço perante um texto infindável e cadeiras pouco confortáveis.

Não conheço o texto original e por isso mesmo não sei se os defeitos que encontrei resultam daí, de uma má tradução ou de uma deficiente adaptação. O que sei é que o espectáculo a partir de certa altura, parece apenas uma sequência de cenas que são meras versões de cenas anteriores. Na última meia-hora do espectáculo a sensação de um déjà vu cansativo é inevitável!

Sugere-se levemente a dado momento que existe algo no passado dos irmãos próximo da pedofilia, mas tal nunca se confirma.
Sugere-se vivências que são completamente inverosímeis (um pai que não desliga o telefone para que, do outro lado, a filha, que patina incessantemente pela casa, se sinta mais segura….).
Sugerem-se traições conjugais, cujos contornos e dimensão ficam por se entender.
Fala-se de camas que se vão pedir, a meio da noite, aos vizinhos…
Descobre-se que a filha, patinadora impenitente de 11 anos, é também uma obesa embaraçosamente inapresentável, com uma fixação doentia pela comida....
Um texto que se apresenta portanto, com fragilidades lógicas e debilidades na sequênciação da sua linha condutora, estranhamente óbvias e que requer por isso um esforço adicional dos actores para que se torne credível.
Um tipo de peça como esta é sem dúvida uma peça que exige muito dos actores.
Quatro actores em palco, em diálogo pernamente, que precisam de um excelente texto para que tudo valha a pena.
Se forem óptimos, talvez até nos consigam fazer esquecer algumas debilidades do argumento e dos diálogos. Infelizmente não foi o caso!
Sendo uma peça a quatro vozes, um resultado final equilibrado passaria também pelo equilíbrio das respectivas qualidades interpretativas. Também não é o caso! Apesar de todos terem mostrado uma entrega enorme ao seu trabalho!

António Capelo vai melhorando ao longo da peça, mas o seu débito do texto é quase sempre monocórdico. Se nos estivesse a recitar a lista telefónica, decerto que não precisaria fazer diferente. Tem em compensação, uma boa presença física e gestual, imprescindível para o seu papel e, sem dúvida, um cuidado enorme com a sua dicção.

Orlando Costa, mais convincente, mas em muitos momentos com uma má dicção e escusadamente excessivo na projecção de voz e nos gestos.

Custódia Galego, com o papel mais apagado, em muitos momentos quase que parecia pedir desculpa por estar ali! Melhor que nas falas (algo monocórdica também) deu óptimas contra-cenas.

Luísa Cruz, a mais completa, também com um início algo imperfeito, melhorou rapidamente e deu-nos a melhor das quatro interpretações da noite. Revelou-se sem dúvida ser um excelente animal de palco. Na colocação da voz, no desenvoltura do gesto, no registo certo, na postura física. Um nome a reter…

Muito boa a cenografia. Quinta personagem desta peça, o cenário revelou-se muito bem conseguido. Moderno, elegantemente simples, coerente com as personagens. Parabéns a José Barbieri. Mas também a Cristina Costa pelos figurinos acertados para cada uma das personagens, a José Nuno Lima pela iluminação, ora sombria, ora dramática, e a Luis Aly pela sonoplastia.

Apesar dos defeitos apontados, o espectáculo revelou-se digno e quem quiser estar a par do que se vai fazendo em Lisboa, não fará mal em ir até ao Maria Matos. Na noite em que eu estive presente, muitos dos espectadores gostaram e até aplaudiram de pé!

segunda-feira, março 31, 2008

SHE



Para os que pensam que esta canção nasceu para ser banda sonora de um filme de 1999 (Notting Hill) e para os que julgam ser uma criação de Elvis Costelo, aqui está esta belíssima balada cantada pelo seu autor e criador, que a lançou em 1975 no album intitulado TOUS LES VISAGES DE L'AMOUR

Aznavour em Lisboa


Aznavour esteve em Lisboa no mês de Fevereiro. Na altura não deixei aqui qualquer nota sobre o assunto, mas não lhe quero fugir.

Foi uma noite especial. Viu-se ao vivo nesta cidade um dos maiores nomes da canção ligeira do Século XX.

Mataram-se saudades do passado num Pavilhão Atlântico repleto da "toute Lisbonne".

Para recordar ou para descobrir, Aznavour que não parece ter 83 anos, possui uma voz ainda potente e fresca e uma presença em palco notável.

Interpretando cada canção com uma encenação própria, trouxe até Lisboa algumas das suas mais belas criações, em duas horas seguidas de espectáculo, sem direito a "encores".

Uma noite inesquecível, um belo encontro com a história da música.

segunda-feira, janeiro 28, 2008

A semana do Regicídio

O meu bisavô pertencia à Guarda Real, aquando do Regicídio de 1 de Fevereiro de 1908.

Guarda Real que foi surpreendida e não foi capaz de evitar a consumação deste acto, embora tenha de imediato reagido e executado no local os assassinos.

Foi por isso, em vários sentidos, um choque para ele e para todos em sua casa, a morte do Rei D. Carlos e do Príncipe D. Luís Filipe.

A minha avó Sofia, na altura com 8 anos de idade, guardava uma forte recordação desse dia, que se foi consolidando, devido ao muito que o reviveu com os pais e com os irmãos mais velhos.

Essas memórias foram-se mantendo e foram-me depois passadas e a curiosidade do que para muitos é apenas mais um momento histórico tem para mim uma dimensão afectiva muito especial.

Talvez por isso, tivesse nascido em mim a vontade de conhecer a verdadeira natureza desse acto terrível, tendo acabado por descobrir que ele em nada contribuiu para a melhoria do que quer que fosse neste País. Pelo contrário! Foi um assassinato estúpido e bárbaro cometido por fanáticos políticos de vistas muito curtas. Nada mais!

Em Portugal é, desde sempre, muito complicado, conviver com ideias diferentes. Quer as elites, quer o Povo em geral têm muita dificuldade em respeitar opiniões adversas, têm muita dificuldade em conviver pacificamente com opositores.

Um adversário político bom não é um adversário político morto! Não é um inimigo a abater!

Seria muito proveitoso, à semelhança do que se faz em países civilizados, que se habituasse as crianças desde muito pequenas a realizar debates de ideias. A serem confrontadas com ideias diferentes das suas. A serem obrigadas a responder pacífica e racionalmente a argumentos contrários aos seus.

Todos nós já vimos quer em pequenos círculos de amigos, quer mesmo na Televisão, situações em que a discussão de argumentos contrários é feita exaltadamente, levando frequentemente ao insulto pessoal.

Esse barbarismo levou, em 1908, D. Carlos e D. Luís Filipe à morte.

Esperemos que se venham a retirar todas as lições deste acontecimento.

Espero também que nesta passagem dos 100 anos deste acontecimento, ele seja evocado com a dignidade que ele merece e sem o erro primário de mencionar os nomes dos assassinos.

Estou curioso, relativamente ao que a comunicação social irá fazer a este respeito.



sábado, janeiro 05, 2008

Palácio da Ajuda

Aconselho vivamente uma visita ao Palácio da Ajuda em Lisboa.

Aí poderá encontrar cortinas a cair de podres, mobiliário envelhecido e mal tratado, paredes forradas a tecido esfarrapado, fios electricos e de telefone visiveis na decoração oitecentista e um perfeito ar de abandono e de decadência.

Se gosta de se sentir num país de terceiro mundo, de ter motivos visiveis e palpáveis para se envergonhar de ser português, não deixe de ver este monumento nacional.

Já foi um palácio real, agora é um monumento à incompetência e ao atraso deste pobre país.

Passarão no próximo dia um de Fevereiro cem anos sobre o regicídio... Parece contudo que a matança da nossa história tem continuado ao longo das últimas décadas... Vá ao Palácio da Ajuda e testemunhe ao vivo um crime à nossa memória colectiva...

quinta-feira, setembro 27, 2007

ONTEM - UMA HISTÓRIA DA SIC

Ontem, a SIC - Notícias, pediu a Sanatana Lopes que se deslocasse aos seus estúdios para dar um depoimento sobre a situação do segundo partido português, o PSD.

Ontem, a meio desse depoimento, a pivot da SIC interrompeu a entrevista com Santana Lopes para fossem transmitidas imagens em directo da chegada ao aeroporto da Portela, do treinador de futebol José Mourinho.

Ontem, Santana Lopes fez aquilo que muitos, incluindo ele próprio, já deveriam ter feito à muito tempo, sempre que este tipo de coisas acontece: levantar-se da cadeira e ir embora.

Ontem, a Direcção de Informação, pela pena de Ricardo Costa, emitiu um comunicado dizendo:

A SIC entende que não faltou ao respeito a Pedro Santana Lopes e que a chegada de José Mourinho não era um elemento perturbador de uma entrevista para a qual tínhamos previsto cerca de 30 minutos.

A SIC Notícias é, seguramente, a televisão portuguesa que mais importância dá à política nacional. A atitude desproporcionada de Pedro Santana Lopes não altera a nossa linha editorial.

Ontem, a SIC demonstrou mais uma vez, que os seus responsáveis, nem sequer têm consciência da enormidade que praticou... da falta de senso, de civismo e de educação que evidenciou...

Ontem, a SIC demonstrou a que nível se situam os seus critérios editoriais, qual o conceito que têm de notícia e de actualidade e qual o respeito que possuem pelos seus convidados e telespectadores.

Infelizmente o que se passou ontem na SIC não teve nada de inédito ou de original... Há muito tempo que se desceu abaixo do grau zero da decência nos programas informativos na Televisão Portuguesa e, por isso mesmo, espanta-me muito a surpresa de Santana Lopes...

Interrupções e agressividade excessiva em entrevistas, cortes inopinados de transmissões e de comentários, têm sido democráticamente distribuídos pelos jornalistas televisivos a políticos, artistas e cidadãos comuns.

Talvez a atitude de Santana não fosse uma atitude assim tão espontânea quanto isso, foi no entanto a atitude que a SIC merecia... Só falta agora, que nós os telespectadores, lhe sigamos o exemplo...

O mais curioso e irónico disto tudo, é que esta situação patética envolveu a que é, para mim, a melhor preparada, a mais serena e mais equilibrada pivot da TV portuguesa dos últimos anos... e o político mais trapalhão e demagogo que alguma vez esteve à frente deste país....

Que pena Ana Lourenço!!!

segunda-feira, julho 23, 2007

Comidas


Vou iniciar neste espaço algo que tinha em mente desde o princípio.

Abordar o tema gastronomia.

Lisboa está viva, surgem cada vez mais e melhores restaurantes nesta cidade.
Come-se cada vez melhor nesta capital. Os chefs estão cada vez mais criativos e a cozinha de autor parece tornar-se numa moda que veio para ficar.

Contudo come-se também cada vez mais caro…

Estive à poucas semanas na Alemanha e na Áustria, onde os preços são idênticos ou mesmo mais baixos para o mesmo nível restaurativo.

O que revela a gula absurda dos nossos empresários.

Estamos em tempo de férias, a praia convida, o peixe torna-se mais apetecido e antes de iniciar uma série de crónicas dedicadas aos restaurantes, vou desde já recomendar aos que se deslocam de norte para sul, como aos que se deslocam de sul para norte, que parem na praia do Pego no Carvalhal, ao sul de Tróia e deliciem-se no AQUI HÁ PEIXE!

Tem site próprio e um peixe fresco magnífico que grelhado ou cozinhado com sabedoria lhe poderá dar uma refeição magnífica.

Telefone primeiro, pois está quase sempre cheio.

domingo, maio 06, 2007

o candidato





Na passada semana foi tempo de ir ao teatro Tivoli ver a peça “Sua Excelência O Candidato”.

Apresentada como “uma peça sobre os bastidores da politicagem brasileira, expondo a verdadeira face do poder”, afinal a peça revelou-se como um simples enredo de boulevard, divertido mas sem a profundidade que era publicitada.

Apresentado Gianecchini como interprete central da peça, afinal o actor não foi o foco nem o motor do divertimento que esta peça nos traz.

O conflito central envolve um jovem candidato a um cargo público, Orlando (Reynaldo Gianecchini), cuja amante, Laura (Lara Cordlola) é esposa de Ezequiel (Paulo Coronato), o chefe político que será responsável pela sua escolha.

Junte-se a isso a mãe solteira Marli (Roseli Silva), que depois de dez anos procura o pai da criança, o possível candidato.

Para culminar, acrescente-se um assessor bajulador, Atos (Norival Rizzo), um mordomo-travesti, Eurípedes (Wilson de Santos) e um japonês, Kagashima (Massayuki Yamamoto), líder sindical dos hortifruticultores de Cotia.

Ora é exactamente à volta das personagens do mordomo Euripedes e do assessor Atos que se desenvolvem todas as contradições, confusões, coincidências e enganos de que esta comédia é tecida. E é exactamente do talento dos respectivos actores que o sucesso desta peça vive. Em particular do magnífico Wilson dos Santos.

De facto quer Santos quer Rizzo são óptimos e destacam-se de toda a restante companhia, que apesar de desempenhos correctos, são completamente ofuscados por aqueles seus dois colegas.
Faço uma ressalva relativamente a Yamamoto cujo desempenho, ou por inabilidade sua ou por opção erradíssima do encenador tem um desempenho num registo completamente desfazado de todas as restantes interpretações.

Facto curioso foi verificar que boa parte da assistência era feminina e que não se inibiu de demonstrar que mais do que ver uma peça de teatro foi ver Gianecchini!

Gianecchini fez, no palco, o que lhe competia, bem feitinho… mas sem rasgos… Fora do palco foi o chamariz para uma peça que, talvez sem ele não tivesse nem metade do publico que encheu durante a semana lisboeta o Tivoli.

Do Brasil já nos chegaram coisas mais interessantes… No entanto quem assistiu à peça não deu o tempo por perdido. O riso e a diversão também fazem falta.


Sarko et Sego

Sarko a gagné, Sego a perdu.

Le candidat de l'UMP est élu président de la République

On esperait déjà ça! Et ce soir on voie la joie de ceux que ont gagné autant que l’entusiasme de ceux qui ont perdu!

Au même temps que des milliers crient Victoire dans la Concorde, des autres milliers a la Bastille crient Sarko c’est facho!

On vera ce que ça signifie!

La fin des 35 heures c’est promis! C'est un erreur pour la France! Et c'est un signe trés negatif pour le reste du monde!

L’avance pour l’Europe sans referendum c’est promis! Si ça sera fait ce sera un erreur d’ethique que eloignera plus des citoyens de la politque e de l’Europe.

Mais la verité c’est que Sarkozy a dit tout ce qu’il pense faire! Sur les retraites, sur les fonctionaires, sur le system public de santé! La priorité sera sur le developement des entreprises, sera sur les chifres, sur les statistiques! On aura pas des surprises! Et pour moi ça c’est le plus positif de la campagne e de l’atitud du futur President de la France.

Le future de la France et de l’Europe a monté sur a nouveau degrée ce dimanche….Mais en voyant les partisans de la gauche, on voie que si la bataille est perdu, la guerre ne será pas encore fini…le troisiéme tour a dejá commencé!

terça-feira, abril 24, 2007

O valor da arte








O Washington Post publicou na imprensa americana, o DN na imprensa portuguesa e Daniel Ferreira fê-lo na nossa blogosfera, escrevendo o que agora transcrevo e que, para além da curiosidade do facto, merece uma séria reflexão


"Numa experiência inédita, Joshua Bell, um dos mais famosos violinistas do Mundo, tocou incógnito durante 45 minutos, numa estação de metro de Washington, de manhã, em hora de ponta, despertando pouca ou nenhuma atenção.


A provocatória iniciativa foi da responsabilidade do jornal "Washington Post", que pretendeu lançar um debate sobre arte, beleza e contextos. Ninguém reparou também que o violinista tocava com um Stradivarius de 1713 - que vale 3,5 milhões de dólares.


Três dias antes, Bell tinha tocado no Symphony Hall de Boston, onde os melhores lugares custam 100 dólares, mas na estação de metro foi ostensivamente ignorado pela maioria.


A excepção foram as crianças, que, inevitavelmente, e perante a oposição do pai ou da mãe, queriam parar para escutar Bell, algo que, diz o jornal, indicará que todos nascemos com poesia e esta é depois, lentamente, sufocada dentro de todos nós.


"Foi estranho ser ignorado"Bell, que é uma espécie de 'sex symbol' da clássica, vestido de jeans, t-shirt e boné de basebol, interpretou "Chaconne", de Bach, que é, na sua opinião, "uma das maiores peças musicais de sempre, mas também um dos grandes sucessos da história". Executou ainda "Ave Maria", de Schubert, e "Estrellita", de Manuel Ponce - mas a indiferença foi quase total.


Esse facto, aparentemente, não impressionou os utentes do metro. "Foi uma sensação muito estranha ver que as pessoas me ignoravam", disse Bell, habituado ao aplauso. "Num concerto, fico irritado se alguém tosse ou se um telemóvel toca. Mas no metro as minhas expectativas diminuíram. Fiquei agradecido pelo mínimo reconhecimento, mesmo um simples olhar", acrescentou.


O sucedido motiva o debate foi este um caso de "pérolas a porcos"? É a beleza um facto objectivo que se pode medir ou tão-só uma opinião?


Mark Leitahuse, director da Galeria Nacional de Arte, não se surpreende: "A arte tem de estar em contexto". E dá um exemplo: "Se tirarmos uma pintura famosa de um museu e a colocarmos num restaurante, ninguém a notará".


Para outros, como o escritor John Lane, a experiência indica a "perda da capacidade de se apreciar a beleza". O escritor disse ao "Washington Post" que isto não significa que "as pessoas não tenham a capacidade de compreender a beleza, mas sim que ela deixou de ser relevante"."


Querendo saber mais sobre este jovem violinista que já nos visitou em 2001, aconselho a visita ao seu site, onde se pode escutar excertos das suas gravações:

http://www.joshuabell.com/

Visite, vale a pena

quarta-feira, abril 18, 2007

A preto e branco

Hoje trago até aqui a minha visão de um outro espectáculo teatral:

A Dúvida, de John Patrick Shanley. Em cena até 6 de Maio no Teatro Maria Matos.

O texto transporta-nos aos anos anos 60, dentro de uma escola católica da ordem das irmãs de caridade, situada no bairro do Bronx . Quatro personagens – um padre, a madre superiora, uma freira e a mãe de um aluno – envolvem-se numa trama pautada pela incerteza e intolerância, desencadeando uma série de conflitos e situações-limite.

A polêmica em torno do abuso do único menino negro da escola, por um dos padres, constitui o pano de fundo desta peça.

Uma peça a preto e branco!

Os cenários, as vestes dos protagonistas e a própria cor da pele das personagens foram os elementos semioticos que o autor (e encenadora) nos ofereceram com inteligência e bom gosto, para transmitir o confronto ideológico entre o progressismo e o conservadorismo, a ingenuidade e a experiência, a pureza e a astúcia, o Bem e o Mal.

Deste ponto de vista o espectáculo é artística e esteticamente coerente e conseguido.

Não conheço o texto original, nem a outra versão em língua portuguesa escrita pela Beatriz Segall. Talvez esse conhecimento pudesse dissipar-me algumas dúvidas essenciais sobre o texto.

Confesso que, normalmente, encaro textos como o desta peça, em que existe um tipo de dialética simplista a partir de personagens que se encontram nos extremos do pensamento, como pouco criativos.

Mas, a verdade é que com a própria construção dos diálogos, o autor consegue fazer o publico relativizar as posições dos dois contendores (irmã Aloysius e padre Flynn) colocando-o numa espécie de expectativa neutral de ver suceder, à pureza cromática das cores opostas, uma variedade de tons intermédios de compromisso e sabedoria.

Não me espanta pois, que o texto tenha ganho o Pullitzer e a peça o Tony.

Trata-se portanto de um espectáculo que vive do texto e portanto da respectiva representação. Merece pois bons actores. Teve Eunice Muñoz e Diogo Infante.

Pareceu-me terem tido um trabalho razoável. Serviram a peça, mas sinceramente não deslumbraram.

Eunice com as habituais dificuldades de dicção, manteve o seu registo habitual e já visto noutros papéis.

Diogo, por seu lado, se é certo que foi capaz de vestir a pele de um homem surpreendido e acossado por uma terrível acusação, não conseguiu convincentemente acrescentar a essa pele a do eclesiástico colocado nessa mesma situação…

Eunice e Diogo deram-nos, de facto, um confronto entre uma senhora idosa e um homem relativamente jovem, ambos vestidos de religiosos...mas... faltou-lhes a subtileza (eventualmente por culpa da encenadora)... o golpe de asa que nos transmitisse, um confronto entre uma freira directora de um colégio e um padre professor…

Os sinais, ou foram exclusivamente exteriores, ou se existiram, foram demasiado ténues para a transmisssão de toda a idiossincrasia do conteúdo psicológico das personagens. No entanto, repito, os actores serviram a peça… e o público, no qual me incluo, saiu da sala razoavelmente satisfeito.

Diz o Autor a “dúvida” – diagnosticada inicialmente como um sinal de fraqueza – surge como um verdadeiro elemento transformador do ser humano, ao exigir mais coragem do que convicção.

Diz ainda que “Quando uma pessoa tem sua certeza abalada é sinal de que ela está diante de um crescimento. A aparente sensação de estar num caminho errado é, na verdade, saudade do conforto do que se conhece. A vida começa a acontecer quando se quebram os velhos hábitos mentais e a dúvida vem à tona, como uma oportunidade de reentrar no presente”,

Ah...Uma última palavra para a música deste espectáculo: Um original magnifico de Bernardo Sassetti, que brevemente irá ser editado em disco. Discreta e simultaneamente poderosa e sobretudo muito bela. Como teria que ser….

terça-feira, abril 10, 2007

Música no Coração

Fui ver o musical produzido por Filipe La Féria.
Bom pretexto para voltar ao Blog.
O que dizer do que vi?
Digo que ficou um sentimento de frustração!
E já nem refiro a fraca qualidade do espectáculo, refiro a dissolução da magia que esta obra comporta e que transpareceu sempre que a tinha visto, ou ouvido.
Uma magia que vinha pela música excepcional, pela ambiência, pelas interpretações, pelo apuro do canto, pela beleza de Salzburg, pelas grandiosas montanhas que Robert Wise tão bem soube filmar.
Mas frustração porquê? Claro que não estava à espera de ver no palco Julie Andrews ou Mary Martin.
Claro que não estava à espera de ter a Broadway ou o West End nas Portas de Santo Antão.Então o que esperava?Esperava não ver uma récita de amadores, cuja qualidade artistica se resume a cantar afinadamente.
Anabela, que nessa noite foi a protagonista, esteve bem nas canções, mas a sua representação revela uma completa falta de vocação para a arte de Talma. Não consegue ser minimamente convincente… Foi sempre a Anabela mascarada de Maria…
Carlos Quintas, o moreno Von Trapp parecia querer despachar o texto em grande velocidade.
Joel Branco, o Max Detweiler de serviço idem, idem… num tom revisteiro que não percebo a que propósito ali foi metido.
Vera Mónica, a Baronesa Elsa Schroeder e a sua pobre peruca loura, parecia mais longe da sofisticada Eleanor Parker do que de uma qualquer matrona do Intendente. Sempre em over-acting, não conseguiu em nenhum momento dar-nos a figura distante e elegante da aristocrata vienense deslocada nno meio provinciano de Salzburgo.
O mordomo e os dois oxigenados criados da casa, saricoteavam-se mais à laia de animadores do Trumps do que de serviçais de uma casa senhorial.
A Liesl portuguesa de tão novinha, parecia uma nervosa vítima dos avanços pedófilos de um Rolf relativamente consistente.
O desequilíbrio entre os dois era tão gritante, que as suas insuficiências de representação e de canto, tornaram-se quase patéticas quando chegaram ao tema "16 quase 17"
Será que La Féria não sabe dirigir actores? Será que lhe basta ter no palco pessoas que apresentem um texto, e não que o representem....
E quem teria feito a adaptação das canções?.... Depois de duas bem conseguidas ("As coisas que eu gosto" e "Do Re Mi") deve-se ter cansado e nunca mais conseguiu uma métrica ajustada e a sonoridade adequada.
O que terá levado La Féria a não ter utilizado nenhuma das versões anteriores?Apenas o não ter que repartir direitos de autor? E a qualidade artística, onde ficou?Frustação.... É claro que sim... Este é um musical de referência... que merecia mais e melhor!
Foi tudo mau?... Claro que não!... Lia Altavila (magnifica no Climb every mountain), Helena Rocha (apesar de parecer mais ela própria do que a Governanta) e boa parte da cenografia.
Quanto a esta apenas um reparo para a solução que foi escolhida para a noite de Baile. Pôr os convidados a dançar num corredor... ainda que com espelhos... é no mínimo, disparatado. Mas enfim... foi uma solução fácil e económica. Triste também!
Um espectáculo muito fraco..., com músicas fabulosas e maioritariamente bem cantadas....E tão só.
Vi, fiquei desapontado e não aconselho.

quarta-feira, janeiro 03, 2007

DOIS ANOS DEPOIS



















































































Nate Berkus




Princesa Ubolratana



Mikaela


Dia 26 de Dezembro completaram-se dois anos que aconteceu o Tsunami que devastou a costa do Índico e vitimou centenas de milhares de pessoas.

Um desastre desta dimensão, decerto jamais será esquecido. Nem a distância nem o tempo tornam menos presente a memória dos dramas e dos milagres que então aconteceram e que hoje faço questão de vir aqui recordar.

Dramas e milagres que têm rostos.

Rostos dos que desapareceram, mas também dos que sobreviveram, carregando consigo a memória de uma experiência pessoal terrível e em muitos casos de uma saudade arrasadora dos que então partiram.

Milagres como o da pequena Micaela de 5 anos, que sem saber nadar consegui manter-se à tona da água, enquanto a sua mãe desaparecia engolida por uma vaga gigantesca.

Dramas como o da princesa real tailandesa que viu o seu filho a ser tragado pelas águas enquanto salvava o filho de um turista americano de ter a mesma sorte.

Dramas e milagres que produziram cadeias de solidariedade internacional, provocadas tanto pela comoção universal que este acontecimento originou, como por tragédias pessoais, como a da estrela da televisão americana Nate Berkus que com o seu parceiro, o fotografo Fernando Bengoechea, conseguiu superar a primeira vaga, mas que viu depois o seu companheiro desaparecer no turbilhão do segundo avanço da maré.

Para milhões de pessoas, nada mais voltará a ser como dantes.

Para milhões de pessoas, a alegria de um momento, transformou-se em horror segundos depois.

Pessoas como nós, desaparecidos e sobreviventes de uma tragédia que hoje completa dois anos nas nossas memórias

terça-feira, dezembro 19, 2006

Lembranças e Memórias - Mirene Cardinalli

Faz hoje precisamente 37 anos que desapareceu Mirene Cardinalli.

Nesta epoca natalícia em que lembranças significa menos memória do que embrulhos vistosos, surge-me esta saudosa recordação de uma voz magnífica que teve tão pouco tempo para ser ouvida.

Mas o que tem qualidade nunca morre.

E fica sempre na recordação de alguém.

domingo, outubro 22, 2006

PEQUENOS GRANDES GESTOS

O Instituto Português de Oncologia e a Liga Portuguesa Contra o Cancro têm tido ao longo dos anos um trabalho notável, quer pela dedicação dos seus profissionais, quer pelo empenho generoso de muitos voluntários.

Com os seus esforços têm conseguido transformar dias amargos e dificeis, em dias de esperança, para milhares e milhares de pessoas.

Junto, em seguida, um apelo que foi publicado por Daniel Ferreira e pelo Portugal Diário:

O Instituto Português de Oncologia (IPO) está a angariar filmes VHS para os doentes da unidade de transplantes que estão em isolamento. “São crianças e adultos que precisam de um transplante de medula e de estar ocupados durante o tempo de internamento”, explicou ao Portugal Diário a Enfermeira responsável pela unidade, Elsa Oliveira.

A “falta de stocks" torna necessária a ajuda da população : “Precisamos de filmes para as pessoas mais desfavorecidas que não têm possibilidade de os trazer. Algumas crianças trazem os seus próprios filmes e brinquedos mas depois quando têm alta levam-nos”, acrescenta.

O IPO aceita todos os géneros de filmes, mas a preferência vai para a “comédia” : numa altura menos feliz das suas vidas, “um sorriso vai fazer bem a quem passa dias inteiros numa cama de hospital”. Rir é sempre um bom remédio.

As cassetes de vídeo ou DVD's antigos podem ser enviadas para :
Instituto Português de Oncologia de Francisco Gentil
A/C Srª Enfª Elsa Oliveira
Rua Professor Lima Basto
1093 Lisboa Codex

Ou então, informe-se pelo telefone: 217 266 785

quarta-feira, outubro 18, 2006

Sem comentários

Mesmo que a conduta do marido seja censurável, mesmo que este se dê a outros amores, a mulher virtuosa deve reverenciá-lo como a um deus. Durante a infância, uma mulher deve depender de seu pai, ao se casar de seu marido, se este morrer, de seus filhos e se não os tiver, de seu soberano. Uma mulher nunca deve governar a si própria."Leis de Manu (Livro Sagrado da Índia)"

A mulher que se negar ao dever conjugal deverá ser atirada ao rio."Constituição Nacional Suméria (civilização mesopotâmica, século XX a.C."

Quando uma mulher tiver conduta desordenada e deixar de cumprir suas obrigações do lar, o marido pode submetê-la à escravidão. Esta servidão pode, inclusive, ser exercida na casa de um credor de seu marido e, durante o período em que durar, é lícito a ele (ao marido) contrair novo matrimónio"Código de Hamurábi (Constituição Nacional da Babilônia, outorgada pelo rei Hamurábi, que a concebeu sob inspiração divina, século XVII a.C.)"

A mulher deve adorar o homem como a um deus. Toda manhã, por nove vezes consecutivas, deve ajoelhar-se aos pés do marido e, de braços cruzados, perguntar-lhe:- Senhor, que desejais que eu faça?"Zaratustra (filósofo persa, século VII a.C.)"

As mulheres, os escravos e os estrangeiros não são cidadãos."Péricles (político democrata ateniense, século V a.C., um dos mais brilhantes cidadãos da civilização grega)"

A mulher é o que há de mais corrupto e corruptível no mundo."Confúcio (filósofo chinês, século V a.C.)"

A natureza só faz mulheres quando não pode fazer homens. A mulher é, portanto, um homem inferior."Aristóteles (filósofo, guia intelectual e preceptor grego de Alexandre, o Grande, século IV a.C.)"

Que as mulheres estejam caladas nas igrejas, porque não lhes é permitido falar. Se querem ser instruídas sobre algum ponto, interroguem em casa os seus maridos."São Paulo (apóstolo cristão, ano 67 d.C.)"

Os homens são superiores às mulheres porque Alá outorgou-lhes a primazia sobre elas. Portanto, dai aos varões o dobro do que dais às mulheres. Os maridos que sofrerem desobediência de suas mulheres podem castigá-las: deixá-las sós em seus leitos, e até bater nelas. Não se legou ao homem maior calamidade que a mulher."Alcorão (livro sagrado dos muçulmanos, escrito por Maomé no século VI, sob inspiração divina)"

Para a boa ordem da família humana, uns terão que ser governados por outros mais sábios que aqueles; daí a mulher, mais fraca quanto ao vigor da alma e força corporal, estar sujeita por natureza ao homem, em quem a razão predomina."São Tomás de Aquino (teologo, século XIII)"

Inimiga da paz, fonte de inquietação, causa de brigas que destroem toda a tranquilidade, a mulher é o próprio diabo."Petrarca (poeta italiano do Renascimento, século XIV)"

O pior adorno que uma mulher pode querer usar é ser sábia."Lutero (teólogo alemão, reformador protestante, século XVI)"

As crianças, os idiotas, os lunáticos e as mulheres não podem e não têm capacidade para efectuar negócios."Henrique VII (rei da Inglaterra, chefe da Igreja Anglicana, século XVI)"

Enquanto houver homens sensatos sobre a terra, as mulheres letradas morrerão solteiras."Jean-Jacques Rousseau (escritor francês, um dos mentores da Revolução Francesa, século XVIII)"

Todas as mulheres que seduzirem e levarem ao casamento os súbditos de Sua Majestade mediante o uso de perfumes, pinturas, dentes postiços, perucas e recheio nos quadris, incorrem em delito de bruxaria e o casamento fica automaticamente anulado."lei inglesa (do século XVIII)"

A mulher pode ser educada, mas sua mente não é adequada às ciências mais elevadas, à filosofia e algumas das artes."Friederich Hegel (filósofo e historiador alemão do século XIX)"

Quando um homem for repreendido em público por uma mulher, cabe-lhe o direito de derrubá-la com um soco, desferir-lhe um pontapé e partir-lhe o nariz para que assim, desfigurada, não se deixe ver, envergonhada de sua face. E é bem merecido, por dirigir-se ao homem com maldade de linguarejar ousado."Le Ménagier de Paris (Tratado de conduta moral e costumes da França, século XIV)

sábado, outubro 14, 2006

Boas e más surpresas







Outubro é um mês rico em novidades discográficas.

Umas boas, outras nem por isso.

Comecemos por Sarah McLachlan, que com a proximade do Inverno fez sair muito oportunamente uma gravação de músicas de Natal. Na verdade, a vida custa a todos e um disquinho de Natal é sempre uma aposta financeiramente conseguida se o lançamento for feito a tempo e horas.

No entanto artisticamente este disco é uma desilusão, não porque esteja a faltar a voz à moça, mas porque a este disco de Natal falta a ALMA que acrescentaria algo a canções já tantas e tantas vezes ouvidas.

Ouve-se com indeferença.

Sting volta a novamente com um novo álbum, intitulado Songs from the Labyrinth em que interpreta canções de John Dowland, um célebre compositor da era isabelina.

Neste disco em que é excelentemente acompanhado ao alaúde por Edin Karamazov, Sting demonstra que nem todas as boas intenções dão bons resultados.

Na verdade, a sua voz está completamente desadaptada, ao ambiente sonoro que pretende recriar.

Ouve-se com dificuldade, é por isso um disco que, eventualmente só interessará aos fanáticos por Sting e aos coleccionadores.

Depois de duas inesperadas más supresas, uma já esperada boa notícia:

O novo disco de Renee Fleming “Homage – The age of the Diva” – constitui uma revisitação magnífica Puccini, Strauss, Verdi, Janácek, Tchaickovsky, entre outros e ao mesmo tempo uma homenagem às maiores cantoras do inicio do século XX.

Acompanhada pela orquestra do teatro Mariinsky sob a batuta de Valery Gergiev, Renee Fleming oferece-nos este trabalho, executado a todos os níveis com um supremo bom gosto, constituindo uma verdadeira preciosidade a não perder.

sexta-feira, outubro 13, 2006

GRANDES PORTUGUESES

A RTP vai iniciar neste fim-de-semana um programa designado por "GRANDES PORTUGUESES".

Neste programa, através de votação dos telespectadores ir-se-á escolher O MAIOR PORTUGUÊS DE SEMPRE.

No seu site a RTP dá inclusive alguns exemplos de portugueses candidatos ao troféu.

Se não se tratasse de uma Emissora pública, já seria muito mau. Mas passando um programa destes na RTP a situação torna-se ainda mais grave e preocupante, por respeito à nossa História comum, mas também por respeito à inteligência do povo que a sustenta!

Num pais onde o analfabetismo ainda tem um peso muito elevado e onde a escolaridade média é baixíssima, quem tem acesso a um meio tão importante como a televisão, tem uma responsabilidade acrescida, pois está a difundir ideias e conceitos para um público que decerto, os irá tomar como padrão.

A televisão em Portugal é de facto, o principal meio de formação e de divulgação cultural para uma grande percentagem de crianças e de adultos. Por isso, os seus responsáveis não deveriam ter tanta ligeireza nas opções de programação.

Ou será que a Administração da RTP considera aceitável, pôr o Infante D. Henrique a competir com a Rosa Mota?

Será dignificante para este povo que o seu canal oficial de televisão coloque São João de Brito a concorrer com Alfredo Marceneiro?

Será um bom serviço público dizer às pessoas que se podem escolher figuras históricas, como quem escolhe a melhor anedota da noite?

Será um bom serviço público dizer exactamente o oposto do que deveria ser dito, ou seja, que todas as figuras da nossa História, ganharam esse estatuto porque se destacaram, cada um à sua medida, numa obra ou numa atitude que marcou e dignificou a nossa sociedade.

Será um bom serviço público criar uma tabela de preferências históricas por popularidade, quando a Nação a todas deve carinho e respeito POR IGUAL.

Será que na nossa Televisão não se sabe que à História é tão devido o interesse pelo seu conhecimento, como o necessário respeito. E que um nunca pode andar desligado do outro.

O pretexto de divulgação histórica, que é apontado como motivação para a feitura dum programa destes, acaba por ser, face à sua tonteria, um atentado gratuito à inteligência e à paciência deste povo.

O argumento de que a transformação lúdica de assuntos sérios, capta mais espectadores para o conhecimento desses assuntos, só desvirtua a sua essência e desvaloriza o seu conteúdo.

A justificação de que este é um programa, cuja matriz foi criada e experimentada com sucesso na Europa, acaba por colocar, de facto, a História das Nações exactamente ao mesmo nível do Big Brother.

Criar deliberadamente a ideia – porque é disso que se trata – de que, para uma Pátria secular, os nomes mais badalados de hoje têm importância equivalente aos nomes das figuras mais proeminentes do nosso passado colectivo, constitui, a meu ver, uma forma diletante de terrorismo intelectual que atira para o ground zero a nossa cultura e coloca ao nível mais raso do pimba, as nossas referências nacionais.

Por último e já que segundo a própria RTP este será um programa de documentário e espectáculo, deixem-me dizer que só falta que, para além de uma lista de nomes, nos venham propor também critérios valorativos para a classificação que se pede aos telespectadores.

É que, na verdade perante uma História de 9 séculos, e uma mão cheia de figurões da actualidade, é suposto que os votantes utilizem qualquer critério.

Será que a RTP recomendará uma valoração em dez escalões de 1 a 12 pontos, como no Festival da Eurovisão?

Arrepia-me só de pensar que, por esse País fora, nas cadeiras do cabeleireiro haja gente entretida com tabelas de pontuação, do género:

- Ter feito uma descoberta cientifica, ou ganho um prémio literário – 1 ponto

- Ter feito uma descoberta por via marítima, ou ter sido imitado no Chuva de Estrelas – 2 pontos

- Ter sido chefe de estado, chefe de governo ou ter obtido um disco de ouro – 3 pontos.

- Ter o seu nome nos compêndios de história do 1º ciclo ou ter ganho a volta a Portugal – 4 pontos.

- Ter sido governante do PS e ter tomado uma medida socialista – 5 pontos.

- Ter sido Bota de Ouro ou ter visto uma aparição de Nossa Senhora – 6 pontos.

- Ter estado a contas com a Justiça e não ter ganho uma eleição – 7 pontos.

- Ter morrido ao serviço da Pátria ou não ter sido escutado no Processo Casa Pia – 8 pontos.

- Ter feito milagres ou não ter sido entrevistado pelo Manuel Luís Goucha – 10 pontos

- Não ter sido namorado da Elsa Raposo – 12 pontos.

Penso sinceramente que, com estes tristes contributos da nossa RTP, se esteja a perder completamente a noção da relatividade das coisas e do que é importante para uma cultura e para uma civilização.

Num momento em que o presente está difícil e em que somos confrontados com medidas que objectivamente vêm por em causa a qualidade do nosso futuro, só faltava mesmo era que o nosso canal público de televisão, para conquistar audiências, usasse a História do país para transforma-la num espectáculo do absurdo.

Até para o avacalhamento deveria haver limites! Gestores de uma televisão estadual que promovem uma coisa assim, não conhecem limites nenhuns e, por isso mesmo, não podem mais continuar no lugar que agora ocupam.

quinta-feira, outubro 05, 2006

Gulbenkian, noite de 4 de outubro, récita de Anne Sofie von Otter


Tive ontem um sentimento de previlégio, em cada momento do magnifico concerto de Anne Sophie von Otter.

Há sempre qualquer coisa de mágico que os grandes interpretes conguem passar para o público.

Abandonando o registo operático, Anne Sofie apareceu-nos encarnando a sua faceta de cantora de cabaré, transfigurando as antigas canções dos ABBA em melodias ora cheias de sarcasmo, ora plenas de ternura, colocando-as a par das de Weil e de Trenet e elevando-as a um estatuto para muitos (eu incluído) inesperado.

Bilbao Song e Money, Money apareceram assim lado a lado, com a mesma grandeza, a mesma beleza e mesma expressividade.

Revisitou-se Mistinguett e Dietrich, levando-nos pelas memórias e pairando, até mesmo, bem acima delas.

Emocionou-se e emocionou-nos com a belissíma "I walk with you Mama" de Benny Andersson.

Momentos raros na Gulbenkian que colocaram a grande distância o espectáculo de há dois anos da também excelente Ute Lemper.

Mas não fui só eu que gostei, deixo aqui o comentário, hoje emitido pelo DIÁRIO DIGITAL:

Gulbenkian rendeu-se à voz de Anne Sofie von Otter

Uma série de prolongados aplausos e três extras coroaram a actuação da meia-soprano sueca Anne Sofie von Otter em Lisboa, quarta-feira à noite, na abertura da nova temporada de música da Fundação Gulbenkian.

Depois de ter interpretado as vinte canções do programa, acompanhada por um conjunto de nove instrumentistas, Anne Sofie von Otter voltou ao palco três vezes, para cantar mais três temas, um dos quais sem microfone, e ao despedir-s e do público, comentou: «Foi uma noite maravilhosa».

Anne Sofie von Otter, 51 anos, é uma das mais aclamadas cantoras líricas da actualidade e com um reportório que vai da ópera barroca às canções pop.

«É um verdadeiro camaleão, capaz de cantar tudo, da música pré-histórica até aos Beatles», disse o maestro Marc Minkowsky acerca de Anne Sofie von Otter.

Quarta-feira à noite, von Otter cantou várias músicas dos Abba e canções de Kurt Weil, Elvis Costello e Charles Trenet.

O espectáculo, esgotado há várias semanas, chamava-se «I Let The Music Speak», que é também o título do seu último disco.

A nova temporada de música da Gulbenkian, que decorre até Junho de 2007, é uma das mais importantes de sempre, com 128 concertos e um ciclo de piano que trará a Lisboa os principais intérpretes mundiais.
Diário Digital / Lusa
05-10-2006 11:04:00

Em cima fica a capa do próximo disco da von Otter, um disco de Natal, como convém nas semanas que se aproximam, que se for tão bom como o anterior que gravou com melodias natalícias será, decerto, um dos melhores discos do ano!!!

P

A PASSAGEM

Heiner Schmitz
52 anos
tumor cerebral
Passo a transcrever o seguinte press release:

A FACE DA MORTE EM LISBOA

Lisboa recebe, de 3 a 28 de Outubro, no Museu da Água na Mãe d’Água das Amoreiras em Lisboa, uma das mais polémicas exposições fotográficas apresentadas nos últimos anos na Europa.
O fotógrafo alemão Walter Schels e a jornalista Beate Lakotta acompanharam cerca de 24 doentes terminais nos seus últimos momentos de vida. Percorrendo diversos hospitais, onde durante semanas viveram de perto a dor de quem sabe que o fim está perto, surge a exposição Amor-te. Um conjunto de 44 fotografias, a preto e branco, fixam dois momentos de cada doente terminal: uma fotografia ainda em vida e outra logo após a morte.
A exposição AMOR-TE conta-nos as experiências, os medos e as esperanças daquelas pessoas, cujo comovente testemunho permanecerá para sempre através das fotografias de Walter Schels e dos textos da jornalista da revista Der Spiegel, Beate Lakotta.

Esta exposição obriga-nos a confrontar-nos com a dor de um final, com a nossa mortalidade. Se na velhice, esse confronto se torna menos doloroso, quando nos deparamos com a morte de uma criança de 17 meses, tudo é questionado.

A última fotografia, já depois de mortos, é quase como um último suspiro que fica suspenso para sempre num espaço e tempo inomináveis. Uma exposição sobre a morte, cujo apelo é a vida.
Todos os visitantes da exposição Amor-te estão a contribuir para a AMARA – Associação pela Dignidade na Vida e na Morte, que tem como objectivo ajudar pessoas em fase terminal e os seus familiares.
Para mais informações por favor contacte a LAIS DE GUIA:
Rui Pereira – 96 646 00 93
Ana Sacadura – 96 901 53 51
www.amor-te.com

Walter Schels - Fotógrafo
Walter Schels, nascido em 1936 em Landshut, na Baviera, é um artista conhecido pela sua versatilidade. Iniciou a sua carreira como vitrinista, sendo os seus trabalhos conhecidos em Genebra, Barcelona e no Canadá, mas cedo descobriu a sua paixão pela fotografia. Esta paixão levou-o a Nova Iorque, em 1966, para aí se tornar fotógrafo profissional. Em 1970 regressou à Alemanha, onde conheceu um imenso sucesso, trabalhando para revistas de ilustração, moda e tirando fotografias para anúncios publicitários. A partir de 1975, Walter Schels começou a desenvolver uma série de foto-reportagens para a revista Eltern, onde retratou o momento do nascimento de crianças. Este processo fez com que descobrisse o seu fascínio por fotografar rostos, tornando-se deste modo mundialmente conhecido pelas suas fotografias de artistas, políticos e outras figuras proeminentes do mundo cultural e intelectual num panorama internacional. Walter Schels é membro da Free Academy of Arts em Hamburg, Membro Honorário da Alliance of Freelance Photo Designers e entrou no Hasselblad Master no ano de 2005.


Beate Lakotta - Jornalista
Beate Lakotta nasceu em 1965, em Kassel, na Alemanha. Licenciou-se em Literatura Alemã e Ciência Política em Heidelberg. Desde 1999 é redactora da revista alemã DER SPIEGEL, fazendo parte da secção de ciência, onde escreve vários artigos que abordam temas do universo da Medicina e da Psicologia. Beatte Lakotta participou no concurso Schizophrenia Reintegration Award 2001, foi nomeada para o prémio Egon-Erwin-Kisch em 2002 e venceu o Deutscher Sozialpreis Prize em 2004.


PRÉMIOS PARA A EXPOSIÇÃO AMOR-TE

Ao escreverem um artigo em conjunto para a exposição AMOR-TE, publicado na revista DER SPIEGEL em 2003, Walter Schels e Beate Lakotta foram distinguidos com o prémio Hansel-Mieth para a melhor reportagem e receberam também o prémio da Federal Consortium of Hospices’ Honorary Artist’s.
Walter Schels obteve o segundo lugar no World Press Photo de 2004 com os seus retratos, assim como o prémio Lead 2003 e também uma medalha de ouro do Art Directors Club.

O livro Life Before Death. Encounters With The Terminally Ill, publicado pela Deutsche Verlags-Anstalt (dva), recebeu o prémio do melhor livro fotográfico alemão de 2004.


AMARA
Associação pela Dignidade na Vida e na Morte

A AMARA é uma IPSS com fins de Saúde (Nº 01/05, a fls.31 e 31 verso). Foi constituída sob a forma de Associação sem fins lucrativos em 8 de Outubro de 2003.

Embora fundada por uma monja budista, Tsering Paldrön (Emília Teresa Marques Rosa), a AMARA é uma Associação não confessional e apolítica, e todas as suas actividades são abertas a todas as pessoas e instituições, de qualquer origem social, étnica e religiosa.

A AMARA é sócia de:
International Association for Hospice and Palliative Care
Associação Nacional de Cuidados Paliativos
Conselho Nacional para a Promoção do Voluntariado


OBJECTIVOS:

MISSÃO: Ajudar as pessoas em fase terminal de vida, seus familiares e pessoas próximas aconselhando-as e acompanhando-as, por forma a minorar o sofrimento e a proporcionar condições de dignidade na vida e na morte.

DESTINATÁRIOS: Pessoas em fase terminal de vida, seus familiares, amigos, médicos, enfermeiros e outros cuidadores que procurem informação e apoio na Associação.

ACTIVIDADES:

Educação e Formação de alta qualidade para Voluntários e Profissionais
de Saúde que trabalham com doentes em fase terminal de vida.
Apoio voluntário a doentes terminais, seus familiares e pessoas próximas.
Gestão e apoio contínuo dos voluntários que acompanham pessoas em
fase terminal de vida e suas famílias.
Organização de eventos culturais e outras iniciativas para promover e apoiar o voluntariado, realização de publicações que visam desenvolver os Cuidados Paliativos.

segunda-feira, outubro 02, 2006

Parabéns Mr. Bennett

Tony Bennett completou 80 anos no passado mês de Agosto.

Para comemorar essa data, foi gravado um album de duetos com tudo o que é importante na música anglo-norte-americana:

Nele, para além da ainda surpreendente voz de Bennett, teremos as vozes de Bono, Michael Bublé, Elvis Costello, Celine Dion, Dixie Chicks, Juanes, Billy Joel, Diana Krall, k.d. lang, John Legend, Paul McCartney, Tim McGraw, George Michael, Sting, Barbra Streisand, James Taylor and Stevie Wonder.

E ainda o trompetista Chris Botti e violinista Pinchas Zukerman.

O disco foi posto à venda na passada semana em NY e chama-se An American Classic.

Uma pérola a não perder!

sábado, setembro 23, 2006

Ouvi dizer

Ouvi dizer que esta semana teve lugar o 2º congresso COMPROMISSO PORTUGAL.
Tratou-se de uma reunião de gestores e seus assessores, que se realizou, não para falar das empresas privadas em Portugal, das suas ineficiências, da sua falta de visão empresarial, da sua falta de iniciativa!
Não! Realizou-se essencialmente para falar do Estado! E de como o Estado poderia estar ao seu serviço... é claro!
Curiosamente, e ao contrário do que acontece com os congressos partidários, realizou-se esta convenção durante a semana!
Espero que os Senhores Gestores e respectivos assessores tenham metido férias para estar neste evento... Se não, os senhores accionistas vão ficar perplexos por perceber que o novo código de trabalho, que tanto veio contribuir para a competitividade da nossa economia, não está a ser aplicado.
Como se sabe, faltas para participar em congressos, convenções e reuníões são injusticadas e sem direito a retribuição...
Mas deixando aspectos menores... Da convenção sairam, como se esperaria ideias brilhantes... como não poderia deixar de ser Carrapatoso, Mexia, Nogueira Leite lá estiveram para assegurar a qualidade.
Até lá esteve o dr. Relvas (o que signica decerto o beneplácito de Cavaco) para dar um toque institucional à coisa.
Entre as ideias brilhantes saíu uma que acho no mínimo bastante interessante, já que houve quem a achasse empolgante e até apaixonante.
Trata-se da ideia de não aumentar nem promover os funcionários públicos (Nogueira Leite) para os incentivar a rescindir o contrato com o Estado.
Esta seria uma das medidas que poderia levar à migração de 150 a 200 mil funcionários para o sector privado...
Penso que nesta altura a convençáo deve ter rompido em gargalhadas e bravos... pelo excelente sentido de humor.... do senhor Leite.
Refira-se que o ilustre economista não deu qualquer ideia do impacto que esta medida teria na economia e até na Segurança Social... mas isso afinal são meros detalhes irrelevantes!

Pediram-se também reformas na Segurança Social.... ou seja, a entrada em cena do capital financeiro e a descida do IRC.

Esta proposta aliás veio mesmo a propósito, na semana em que se soube que a Banca portuguesa tinha a segunda mais elevada margem da União e que, simultâneamente as taxas de juros pagos aos depositantes eram as mais baixas da U.E.

A propósito e como se vê, a proposta era mais do que justa e economicamente correcta...

Falou-se pois do Estado e dos seus defeitos, de tudo o que ele representa de bloqueador do progresso, dos seus malefícios e perversões.

Na verdade, penso que o Compromisso tem alguma razão...

E por falar nessa razão e num dos paricipantes... Mexia, ex-ministro de Santana e actual Presidente da EDP, ainda com a participação do Estado, contratou Santana para assessor Jurídico... da EDP...

De facto, o Compromisso tem toda a razão, do Estado vêm exemplos muito curiosos...

Tudo isto, é claro, ouvi dizer...

sexta-feira, setembro 22, 2006

Madeleine Peyroux

Grava apenas de tempos a tempos.

Canta os standards mas também compõe (e bem).

Das capas à escolha de reportório, da forma doce e lenta de cantar aos arranjos instrumentais, há um permanente bom gosto e algumas entoações a quererem fazer lembrar (ou mesmo a imitar) Billie…

Os esses sibilados, o tempo, a cadência tudo nos remete para algo já ouvido, mas ainda decerto irresistível e fascinante.

Chama-se Madeleine Peyroux nasceu nos Estados Unidos, viveu em Paris (nos seus discos faz sempre questão de incluir uma canção francesa), é já considerada como uma das melhores entre as melhores e tem uma agenda recheada de digressões.

Recomendo o seu novo disco HALF THE PERFECT WORLD pela curiosidade desta voz e também por toda a ambiência sonora que, nalguns momentos, consegue ser magnifica.

Entretanto a cantora visitar-nos-á num concerto único, no CCB a 18 de Novembro, uma sala talvez grande demais para o estilo intimista desta artista.

Mas mesmo assim, por mim, não irei perder!

quinta-feira, setembro 21, 2006

O academismo, as intenções, as manipulações, as confuções e a dignidade das funções

Excertos da palestra
"Fé, Razão e a Universidade: Memórias e Reflexões" de Bento XVI
na Universidade de Regensburg.

"A universidade também tinha muito orgulho nas suas duas faculdades de teologia. Este profundo sentido de coerência no universo da razão não foi perturbado nem mesmo quando se soube que um colega tinha dito que havia algo estranho com a nossa universidade: duas faculdades que se ocupavam de uma coisa que não existia - Deus.
Mesmo perante um cepticismo tão radical, continua a ser necessário e razoável colocar a questão de Deus através do uso da razão, e fazê-lo no contexto da tradição da fé cristã: isto, dentro da universidade como um todo, era aceite sem discussão. (…)
"Lembrei-me recentemente disto quando li a parte editada pelo professor Theodore Khoury (Münster) do diálogo que o douto imperador Bizantino Manuel II Paleólogo (...) teve com um persa culto sobre cristianismo e islão e sobre a verdade de ambas as religiões. (...) Gostaria de abordar apenas um ponto - marginal, neste diálogo - que me cativou, relacionado com o tema da fé e da razão (...)
Na sétima controvérsia (...), o imperador aborda o tema do "jihad" (a guerra santa). O imperador deveria saber que a sura 2-256 diz: "Não há nenhum constrangimento em matéria de fé." Segundo os especialistas, é uma das primeiras suras, datando da época em que Maomé estava ainda sem poder e ameaçado.
Mas o imperador conhecia também naturalmente os mandamentos sobre a guerra santa contidos (...) no Alcorão. Sem se deter nos detalhes, como a diferença de tratamento entre "crentes" e "infiéis", ele coloca ao seu interlocutor, de um modo surpreendentemente abrupto para nós, a questão central da relação entre religião e violência.
Ele diz: "Mostra-me então o que Maomé trouxe de novo. Não encontrarás senão coisas demoníacas e desumanas, tal como o mandamento de difundir pela espada a fé que ele pregava."
O imperador, depois de se expressar tão fortemente, explicou por que é absurdo difundir a fé pela violência. Uma tal violência é contrária à natureza de Deus e à natureza da alma: «Deus», disse ele, «não gosta do sangue e agir de modo irracional é contrário à natureza de Deus.
A fé é fruto da alma e não do corpo. Aquele que quer levar alguém à fé deve ser capaz de falar bem e pensar justamente sem violência nem ameaças. Para convencer uma alma razoável não temos necessidade do seu braço, nem de armas, nem de nenhum meio pelo qual podemos ameaçar qualquer um de morte...»
A frase decisiva nesta argumentação contra a conversão pela violência é: "Agir de modo irracional é contrário à natureza de Deus." O editor, Theodore Khoury, observa: "Para o imperador, um bizantino educado na filosofia grega, esta posição é evidente. Ao contrário, para a doutrina muçulmana, Deus é absolutamente transcendente. A sua vontade não está ligada a nenhuma das nossas categorias, nem mesmo a da razão."
Khoury cita um trabalho do islamólogo francês Arnaldez, que sublinha que Ibn Hazn foi ao ponto de explicar que Deus não está sequer ligado à sua própria palavra e que nada o obrigaria a revelar-nos a sua verdade. (...)
Será a convicção de que agir irracionalmente contradiz a natureza de Deus uma mera ideia grega, ou será ela sempre e intrinsecamente verdadeira? Creio que aqui podemos ver a profunda harmonia entre o que é grego no melhor sentido da palavra e o entendimento bíblico da fé em Deus. (...)
"A intenção aqui não é de ser reducionista ou negativamente crítico, mas de aumentar nosso conceito de razão e suas aplicações. Só assim nós nos tornamos capazes daquele diálogo genuíno entre culturas e religiões que é tão urgentemente necessário hoje. (…)
No mundo ocidental é amplamente aceite que apenas a razão positivista e as formas de filosofia baseadas nela são universalmente válidas. Mesmo assim, as culturas religiosas profundas encaram isso como essa exclusão do divino da universalidade da razão como um ataque às suas convicções mais profundas.
A razão que é surda ao divino e que relega a religião ao patamar das subculturas é incapaz de ingressar no diálogo das culturas. (…)«Não agir racionalmente, não agir com o logos, é contrário à natureza de Deus», disse Manuel II (...). É a este grande logos, a esta amplitude da razão que convidamos os nossos parceiros no diálogo de culturas.
Redescobri-la constantemente é o grande desafio da Universidade."
(a partir de Daniel Oliveira em ARRASTÂO)

Este excerto, tal como tem sido afirmado pelo Vaticano, revela que as frases que ficaram conhecidas através dos meios de comunicação social estavam obviamente fora de contexto.

Acho no entanto surpreendente que tenha existido tanta ingenuidade. Tão grande quanto o posterior esforço do Vaticano em explicar o que realmente se passou.

Ao contrário do que Daniel Oliveira refere no seu escrito, entendo que o Papa pode agir como um académico. E se calhar até deve!

Poderá pôr em causa algum do prudente pragmatismo que compete ao Sumo Pontífice. Ganha no entanto em coerência e honestidade intelectual.

No entanto, uma coisa é certa, estas atitudes têm um custo. E neste caso o custo foi afastar, pelo menos temporariamente, o Papa do seu papel natural de mediador de conflitos.

Talvez no entanto seja bom e saudável libertar o Bispo de Roma dum papel de diplomata, com a inevitável carga de hipocrisia que ele sempre acarreta.

A função fica mais digna...

Resta agora interrogarmo-nos a quem aproveitou tudo isto, toda esta manipulação ideológica!

Enquanto a religião for sendo suficiente para distrair os povos do mundo islâmico dos reais problemas das suas sociedades, o clima de agressividade em relação ao Ocidente, vai continuar a aumentar.

Temos de estar preparados para isso!

Resta-nos a ajuda de Deus!

Que a do Papa já não vai servir para nada