sábado, setembro 23, 2006

Ouvi dizer

Ouvi dizer que esta semana teve lugar o 2º congresso COMPROMISSO PORTUGAL.
Tratou-se de uma reunião de gestores e seus assessores, que se realizou, não para falar das empresas privadas em Portugal, das suas ineficiências, da sua falta de visão empresarial, da sua falta de iniciativa!
Não! Realizou-se essencialmente para falar do Estado! E de como o Estado poderia estar ao seu serviço... é claro!
Curiosamente, e ao contrário do que acontece com os congressos partidários, realizou-se esta convenção durante a semana!
Espero que os Senhores Gestores e respectivos assessores tenham metido férias para estar neste evento... Se não, os senhores accionistas vão ficar perplexos por perceber que o novo código de trabalho, que tanto veio contribuir para a competitividade da nossa economia, não está a ser aplicado.
Como se sabe, faltas para participar em congressos, convenções e reuníões são injusticadas e sem direito a retribuição...
Mas deixando aspectos menores... Da convenção sairam, como se esperaria ideias brilhantes... como não poderia deixar de ser Carrapatoso, Mexia, Nogueira Leite lá estiveram para assegurar a qualidade.
Até lá esteve o dr. Relvas (o que signica decerto o beneplácito de Cavaco) para dar um toque institucional à coisa.
Entre as ideias brilhantes saíu uma que acho no mínimo bastante interessante, já que houve quem a achasse empolgante e até apaixonante.
Trata-se da ideia de não aumentar nem promover os funcionários públicos (Nogueira Leite) para os incentivar a rescindir o contrato com o Estado.
Esta seria uma das medidas que poderia levar à migração de 150 a 200 mil funcionários para o sector privado...
Penso que nesta altura a convençáo deve ter rompido em gargalhadas e bravos... pelo excelente sentido de humor.... do senhor Leite.
Refira-se que o ilustre economista não deu qualquer ideia do impacto que esta medida teria na economia e até na Segurança Social... mas isso afinal são meros detalhes irrelevantes!

Pediram-se também reformas na Segurança Social.... ou seja, a entrada em cena do capital financeiro e a descida do IRC.

Esta proposta aliás veio mesmo a propósito, na semana em que se soube que a Banca portuguesa tinha a segunda mais elevada margem da União e que, simultâneamente as taxas de juros pagos aos depositantes eram as mais baixas da U.E.

A propósito e como se vê, a proposta era mais do que justa e economicamente correcta...

Falou-se pois do Estado e dos seus defeitos, de tudo o que ele representa de bloqueador do progresso, dos seus malefícios e perversões.

Na verdade, penso que o Compromisso tem alguma razão...

E por falar nessa razão e num dos paricipantes... Mexia, ex-ministro de Santana e actual Presidente da EDP, ainda com a participação do Estado, contratou Santana para assessor Jurídico... da EDP...

De facto, o Compromisso tem toda a razão, do Estado vêm exemplos muito curiosos...

Tudo isto, é claro, ouvi dizer...

sexta-feira, setembro 22, 2006

Madeleine Peyroux

Grava apenas de tempos a tempos.

Canta os standards mas também compõe (e bem).

Das capas à escolha de reportório, da forma doce e lenta de cantar aos arranjos instrumentais, há um permanente bom gosto e algumas entoações a quererem fazer lembrar (ou mesmo a imitar) Billie…

Os esses sibilados, o tempo, a cadência tudo nos remete para algo já ouvido, mas ainda decerto irresistível e fascinante.

Chama-se Madeleine Peyroux nasceu nos Estados Unidos, viveu em Paris (nos seus discos faz sempre questão de incluir uma canção francesa), é já considerada como uma das melhores entre as melhores e tem uma agenda recheada de digressões.

Recomendo o seu novo disco HALF THE PERFECT WORLD pela curiosidade desta voz e também por toda a ambiência sonora que, nalguns momentos, consegue ser magnifica.

Entretanto a cantora visitar-nos-á num concerto único, no CCB a 18 de Novembro, uma sala talvez grande demais para o estilo intimista desta artista.

Mas mesmo assim, por mim, não irei perder!

quinta-feira, setembro 21, 2006

O academismo, as intenções, as manipulações, as confuções e a dignidade das funções

Excertos da palestra
"Fé, Razão e a Universidade: Memórias e Reflexões" de Bento XVI
na Universidade de Regensburg.

"A universidade também tinha muito orgulho nas suas duas faculdades de teologia. Este profundo sentido de coerência no universo da razão não foi perturbado nem mesmo quando se soube que um colega tinha dito que havia algo estranho com a nossa universidade: duas faculdades que se ocupavam de uma coisa que não existia - Deus.
Mesmo perante um cepticismo tão radical, continua a ser necessário e razoável colocar a questão de Deus através do uso da razão, e fazê-lo no contexto da tradição da fé cristã: isto, dentro da universidade como um todo, era aceite sem discussão. (…)
"Lembrei-me recentemente disto quando li a parte editada pelo professor Theodore Khoury (Münster) do diálogo que o douto imperador Bizantino Manuel II Paleólogo (...) teve com um persa culto sobre cristianismo e islão e sobre a verdade de ambas as religiões. (...) Gostaria de abordar apenas um ponto - marginal, neste diálogo - que me cativou, relacionado com o tema da fé e da razão (...)
Na sétima controvérsia (...), o imperador aborda o tema do "jihad" (a guerra santa). O imperador deveria saber que a sura 2-256 diz: "Não há nenhum constrangimento em matéria de fé." Segundo os especialistas, é uma das primeiras suras, datando da época em que Maomé estava ainda sem poder e ameaçado.
Mas o imperador conhecia também naturalmente os mandamentos sobre a guerra santa contidos (...) no Alcorão. Sem se deter nos detalhes, como a diferença de tratamento entre "crentes" e "infiéis", ele coloca ao seu interlocutor, de um modo surpreendentemente abrupto para nós, a questão central da relação entre religião e violência.
Ele diz: "Mostra-me então o que Maomé trouxe de novo. Não encontrarás senão coisas demoníacas e desumanas, tal como o mandamento de difundir pela espada a fé que ele pregava."
O imperador, depois de se expressar tão fortemente, explicou por que é absurdo difundir a fé pela violência. Uma tal violência é contrária à natureza de Deus e à natureza da alma: «Deus», disse ele, «não gosta do sangue e agir de modo irracional é contrário à natureza de Deus.
A fé é fruto da alma e não do corpo. Aquele que quer levar alguém à fé deve ser capaz de falar bem e pensar justamente sem violência nem ameaças. Para convencer uma alma razoável não temos necessidade do seu braço, nem de armas, nem de nenhum meio pelo qual podemos ameaçar qualquer um de morte...»
A frase decisiva nesta argumentação contra a conversão pela violência é: "Agir de modo irracional é contrário à natureza de Deus." O editor, Theodore Khoury, observa: "Para o imperador, um bizantino educado na filosofia grega, esta posição é evidente. Ao contrário, para a doutrina muçulmana, Deus é absolutamente transcendente. A sua vontade não está ligada a nenhuma das nossas categorias, nem mesmo a da razão."
Khoury cita um trabalho do islamólogo francês Arnaldez, que sublinha que Ibn Hazn foi ao ponto de explicar que Deus não está sequer ligado à sua própria palavra e que nada o obrigaria a revelar-nos a sua verdade. (...)
Será a convicção de que agir irracionalmente contradiz a natureza de Deus uma mera ideia grega, ou será ela sempre e intrinsecamente verdadeira? Creio que aqui podemos ver a profunda harmonia entre o que é grego no melhor sentido da palavra e o entendimento bíblico da fé em Deus. (...)
"A intenção aqui não é de ser reducionista ou negativamente crítico, mas de aumentar nosso conceito de razão e suas aplicações. Só assim nós nos tornamos capazes daquele diálogo genuíno entre culturas e religiões que é tão urgentemente necessário hoje. (…)
No mundo ocidental é amplamente aceite que apenas a razão positivista e as formas de filosofia baseadas nela são universalmente válidas. Mesmo assim, as culturas religiosas profundas encaram isso como essa exclusão do divino da universalidade da razão como um ataque às suas convicções mais profundas.
A razão que é surda ao divino e que relega a religião ao patamar das subculturas é incapaz de ingressar no diálogo das culturas. (…)«Não agir racionalmente, não agir com o logos, é contrário à natureza de Deus», disse Manuel II (...). É a este grande logos, a esta amplitude da razão que convidamos os nossos parceiros no diálogo de culturas.
Redescobri-la constantemente é o grande desafio da Universidade."
(a partir de Daniel Oliveira em ARRASTÂO)

Este excerto, tal como tem sido afirmado pelo Vaticano, revela que as frases que ficaram conhecidas através dos meios de comunicação social estavam obviamente fora de contexto.

Acho no entanto surpreendente que tenha existido tanta ingenuidade. Tão grande quanto o posterior esforço do Vaticano em explicar o que realmente se passou.

Ao contrário do que Daniel Oliveira refere no seu escrito, entendo que o Papa pode agir como um académico. E se calhar até deve!

Poderá pôr em causa algum do prudente pragmatismo que compete ao Sumo Pontífice. Ganha no entanto em coerência e honestidade intelectual.

No entanto, uma coisa é certa, estas atitudes têm um custo. E neste caso o custo foi afastar, pelo menos temporariamente, o Papa do seu papel natural de mediador de conflitos.

Talvez no entanto seja bom e saudável libertar o Bispo de Roma dum papel de diplomata, com a inevitável carga de hipocrisia que ele sempre acarreta.

A função fica mais digna...

Resta agora interrogarmo-nos a quem aproveitou tudo isto, toda esta manipulação ideológica!

Enquanto a religião for sendo suficiente para distrair os povos do mundo islâmico dos reais problemas das suas sociedades, o clima de agressividade em relação ao Ocidente, vai continuar a aumentar.

Temos de estar preparados para isso!

Resta-nos a ajuda de Deus!

Que a do Papa já não vai servir para nada

Nova temporada - A DERROTA DO SILÊNCIO

Anne Sophie Von Otter

Inicia-se no próximo dia 4 de Outubro uma nova temporada na Gulbenkian. Inicia-se mais precisamente com um espectáculo do ciclo de canto com uma das melhores cantoras líricas da actualidade, a meio-soprano Anne Sophie Von Otter.

Infelizmente para os mais desatentos já é tarde para adquirirem bilhetes. Estão esgotados já há semanas, pelo que não poderão assistir à sua revisitação de Brecht, mas também de Charles Trenet e de... os ABBA... pois é....

Ora esta nova temporada vai trazer-nos magnificos cantores e solistas, de que a seu tempo falarei. Hoje, no entanto, já que estamos muito próximos da sua abertura, gostaria de deixar um alerta, muito particular:

Passo a explicar:

Sempre que vou a um concerto, fico convencido de que o público português é um dos mais constipados do mundo. As tosses, as gosmas e outros grunhidos mais ou menos surdos e roucos tornaram-se quase uma normalidade, nomeadamente na mudança de andamento, o que é um dos actos mais cretinos que se pode ter numa récita.

No entanto e apesar disso tenho sido um priveligiado. Tenho ouvido histórias patéticas de mau comportamento do público que me deixam arrepiado, felizmente não estive pessoalmente presente... mas poderia ter acontecido... deixo aqui uma delas em que me deixou deveras impressionado.

Ocorreu no ano passado e passo a transcrever um excerto do texto do jornalista Eurico de Barros, do Diário de Notícias de 12 de março de 2005, intitulado

A DERROTA DO SILÊNCIO:


"Lisboa, Teatro São Luiz, noite de quinta-feira. Um telemóvel toca logo no início do recital do pianista português Artur Pizarro e é sonoramente atendido. O músico pára a execução da peça e retoma-a logo a seguir. Mais adiante, torna a ouvir-se outro toque, mas desta vez Pizarro não pára. A seguir ao intervalo, soa outro telemóvel, longamente, porque o proprietário nem se digna desligá-lo. Artur Pizarro deixa de tocar e diz à criatura "Atenda, que eu paro. Mas saia". E pega nas partituras, levanta-se e vai-se embora. Há burburinho na sala e é anunciado que o pianista não regressará. O dono do telemóvel que estragou a noite a Pizarro e ao público do São Luiz dirige-se à bilheteira para exigir o dinheiro de volta, porque o recital foi interrompido..."

Sem outros comentários, aproveito para recordar que também Artur Pizarro estará na Gulbenkian nos próximos dias 1 e 2 de Fevereiro, oferecendo-nos a sua interpretação de Tchaickovsky, numa récita com o seguinte programa:

ORQUESTRA GULBENKIAN

CRISTIAN MANDEAL (maestro)

ARTUR PIZARRO (piano)

Mikhaïl GlinkaAbertura da ópera Ruslan e Ludmilla

Piotr Ilitch TchaikovskyConcerto para Piano Nº 1, em Si bemol maior, op.23

Max RegerVariações e Fuga sobre um tema de Mozart, op.132

Sobre Artur Pizarro, para além da história triste já referida, gostaria de deixar algumas das referências internacionais que revelam o prestigio e a consagração deste jovem pianista português:

'Pizarro performs prodigies in getting around these unfamiliar scores with hair-raising aplomb and the utmost conviction' (Piano International)
'Goza, además, de una toma sonora espléndida' (Scherzo, Spain)
'A marvellously recorded programme … a joy to listen to' (Gramophone)
'Pizarro gives the music exactly the full-bodied treatment [the piece] requires. A fine, satisfying disc, well worth exploring' (Fanfare, USA)
'To hear Pizarro is always a pleasure … lyrical phrasing wrapped in one of the most entrancing and expressive pianissimos of any pianist' (International Record Review)


quarta-feira, setembro 20, 2006

domingo, setembro 17, 2006

Hildgard

Foto de Bingen

Passam hoje 827 anos da morte de Hildegard de Bingen. Uma mulher diferente, de inteligência, cultura e sabedoria excepcionais, cuja vida e obra chegaram até aos nossos dias.
Escritora, compositora, visionária, religiosa, mas por vezes em forte confronto com a Igreja, atingiu um estatuto social que raramente as mulheres tiveram na Época medieval.
Embora oficialmente o seu processo de cananozição não tenha chegado ao fim, a devoção popular por esta figura histórica é tão grande que a partir do Século XVI começou a ser designada por Santa.
Para os amantes da polifonia é imprescindível ouvir a sua obra, ficando aqui um excerto de "O Virtus Sapientiae"

http://humanneuro.physiol.umu.se/GW/5mp3/O_Virtus_Sapientiae5.mp3

Com ele ter-se-á uma pequenina amostra de música... verdadeiramente celestial!

Para melhor conhecer a sua vida (uma biografia um pouco ficcionada, digamos assim) aconselho vivamente o livro da escritora americana Joan Ohanneson chamado Música Escarlate.

Como disse dela Maria Teresa Horta " Para uns era uma Santa, mas para outros uma verdadeira praga. Tolerância e ameaça ao mesmo tempo". Alguém a revisitar... ou a descobrir.



sábado, setembro 16, 2006

O MÉTODO DA REFORMA


Quando falamos de Reforma da Segurança Social estamos a falar de quê?

Em primeiro lugar, estamos a falar de algo de uma seriedade tal que merece todo o respeito e cuidado no seu tratamento. Estamos a falar da segurança do nosso futuro!

Devido exactamente ao respeito e ao cuidado que merece esta matéria, qualquer Reforma da Segurança Social, deve estar para além de qualquer maioria conjuntural e deveria ser algo mais abrangente e mais sólido!
Nessa medida, entendo perfeitamente a afirmação do Presidente da República, de que é necessário que não se fique na situação de que, por cada vez que muda o Governo, se alterem as perspectivas de futuro da Segurança Social.
No entanto, existe já uma base mínima, relativamente à qual, qualquer força política tem que assegurar respeito! É a definida pela Constituição! Mas será que chega?
Penso que não! Pelo que se vê hoje em dia, um conjunto de expectativas que os cidadãos possuem face às leis que estão em vigor, pode vir a ser completamente espezinhado por um Governo se assim lhe "der na telha".
Mas aí, está exactamente o papel de intervenção do Presidente da República, através da persuasão e até mesmo do veto, para não deixar que isso aconteça!
Por isso, em meu entender, em matéria que comporta tantas diferenças ideológicas, não serão os partidos que deverão passar por cima das suas próprias identidades em favor de um novo projecto de Segurança Social comum, deverá ser o Presidente a zelar para que as alterações que surjam, venham sempre em benefício dos cidadãos e se mantenha a decência na gestão do Sistema existente!
E isto significa que o Presidente da República deve agir como guardião deste Templo, impedindo tanto a retirada de direitos por economicismo, como a sua atribuição por simples oportunismo eleitoral!
No entanto, e para além do papel presidencial , deveria existir um mecanismo constitucional que nos salvaguardasse das sucessivas tropelias governamentais, e para isso, os partidos deveriam, de facto, entender-se.
De acordo com as expressões mais comummente ouvidas aos responsáveis políticos, ao falarmos de Reforma do Sistema estamos a falar de “garantir a sustentabilidade futura do Sistema de Segurança Social”.

De uma forma mais abreviada, o que eles querem dizer é que se pretende um ajustamento das saídas de fluxos de financeiros às respectivas entradas. O que quer dizer que infelizmente, não estamos a falar de direitos sociais, estamos, apenas e só, a falar de gestão financeira!

Ou, ainda de uma forma mais directa, o que esses responsáveis querem dizer com essas expressões metafóricas, é que se irão cortar benefícios, já que a questão da Reforma da Segurança Social, surge apenas porque parece faltar dinheiro para os manter ao nível a que estão!

Bom, sendo assim, há algumas perguntas que inevitavelmente surgem e que esses responsáveis deveriam responder:

1 - Qual é o patamar mínimo de benefícios que o Sistema Público deve garantir?

2 - E o que deve ser definido primeiro? Esse nível de benefícios ou os mecanismos financeiros para os obter?

3 - Será que Governo e Oposição entendem que os benefícios que a Segurança Social atribui aos portugueses são excessivos e que por isso devem ser reduzidos?

4 - Ou será que apenas são cortados porque há poucos meios, independentemente de se poder considerar um aumento do esforço nacional para que esses benefícios se mantenham?

5 - Não deveriam os actuais responsáveis políticos, dizer com clareza qual padrão mínimo de benefícios que propõem, como adequado a uma sociedade justa e feliz?

6 - Será que, para os actuais responsáveis, a definição de um patamar mínimo é um princípio inegociável, ou é uma mera proposta, susceptível até de negociação, com quem entende que esse mínimo ainda deve ser reduzido?

7 - Será que o Conselho de Concertação Social, composto por patrões e sindicalistas, pode substituir a decisão dos cidadãos, que maioritariamente são trabalhadores por conta de outrem não sindicalizados?

9 - Não seria obrigação de todos os partidos políticos apresentar-nos as suas propostas, de forma a ser-nos colocado à consideração um conjunto de hipóteses, ou alternativas para que nos pronunciássemos?

Confesso, que a mim, pessoalmente, me assusta a ideia de uma velhice empobrecida e de um final de vida sem meios para aproveitar minimamente os anos que me faltarem!

Assusta-me a ideia de após uma vida de trabalho, ter um tempo de escassez, numa fase da vida em que mais precisarei de apoio!

Assusta-me que essa fase da minha vida esteja a ser decidida, partindo-se de um pressuposto económico-financeiro e não de um pressuposto social!

Assusta-me que esta “Reforma” esteja a ser pensada e tratada por uma classe política que tem tratamento privilegiado em termos de Segurança Social e que em muitos casos já tem o seu problema pessoal resolvido, ao fim de 12 anos de actividade!

Assusta-me que a irresponsabilidade, que nos trouxe à situação actual, prossiga e nunca mais tenhamos garantia de coisa nenhuma, relativamente ao nosso futuro!
Chegados ao ponto em que há uma sensação generalizada de incerteza, quanto ao futuro das nossas reformas, em que não se sabe se dentro de 5 anos não voltaremos a estar confrontados com nova necessidade de reformulação dos mecanismos que as regulam, eu desejaria que aparecessem propostas politicas claras e consistentes.
Prospostas alternativas, com bases técnicas fiáveis, validadas devidamente (pelo B.P. ou por comissão técnica presidencial, p.e.) e a sua apresentação a Referendo.

Penso sinceramente que no estado em que as coisas chegaram, esta é uma questão que tem que ser apreciada e decidida pelos cidadãos, por todos nós!
E pese embora a responsabilidade política de que estão investidos todos os Governos para fazer Reformas, quando essas Reformas se começam a suceder, em zigue-zag, aparecendo umas após outras com sentidos contraditórios, quando aquilo que deveria ser absolutamente seguro, se torna obviamente incerto , talvez seja tempo de se dizer aos Governos, que eles terão que fazer a gestão, mas que a decisão é nossa. Sempre nossa!

Nós é que somos os donos da quinta, os Governos são apenas os caseiros, e quando eles, um após outro, começam irresponsavelmente a pensar e a actuar como se a propriedade fosse deles, o melhor é deixarmos de ser absentistas e tomarmos as rédeas do poder nas nossas mãos, pois caso contrário, corremos o sério risco de ficarmos sem a nossa propriedade e sem o nosso futuro!
Sem essa exigência da nossa parte, acabaremos por deixar aos nossos filhos e netos a terrível imagem histórica de uma geração de fracos, que foi incapaz de manter a herança de direitos e conquistas que gerações anteriores já haviam alcançado!

quinta-feira, setembro 14, 2006

O Espelho da Nação


Na página oficial da Marinha Portuguesa encontra-se uma explicação, resumida em vários pontos, da importância das Forças Armadas para Portugal.

http://www.marinha.pt/Marinha/PT/Extra/FAQs/Geral/Qual_importancia_FA_para+_Portugal.htm

Um deles, passo a transcrever:

«São um elemento fundamental de negociação e pressão na esfera diplomática actual, com reflexos muito importantes do posicionamento nacional no contexto Europeu e Internacional, com enormes reflexos político-económicos. Uma vez que são o "espelho da Nação", desenvolvem, assim, um importante papel no estabelecimento e manutenção das relações internacionais.»

Ora vem isto a propósito de se saber que os militares portugueses no Kosovo estão a ser alvo de investigações devido a insubordinação, saídas nocturnas não autorizadas, alcoolismo e recebimento de luvas na aquisição de materiais.

Pois bem, aqui temos a prova provada de que os nossos militares são mesmo o Espelho da Nação!

quarta-feira, setembro 13, 2006

Chove hoje em Lisboa


Chove hoje em Lisboa!

Esta foto de 1981, mostra crianças do Lesoto, ansiosas por água! Sequiosas e possivelmente famintas!

As zonas deserticas não são uma novidade em África. E não podemos dizer que todas elas se devam ao consumo de hidrocarbonetos!

No entanto as condições de seca vêm-se agravando de ano para ano naquele continente.

A fome e a morte fazem parte do dia a dia de populações esquecidas e desenraízadas do mundo de hoje que lhes traz apenas as consequencias de um desenvolvimento que não é o seu.

Tal como como é dito em "UMA VERDADE INCONVENIENTE", é preciso MUDAR JÁ!
E isso passa tanto pela moderação no uso de combustíveis fósseis, como pela proibição da importação de madeiras exóticas!

Essa mudança pode ser pedida aos Governos e às Instituições! Mas também pode começar por nós próprios, preferindo o transporte público não poluente, recusando a compra de mognos, sendo racionais no consumo da água...

Em Lisboa chove e a nossa preocupação hoje volta-se para um regresso a casa, eventualmente molhado e mais lento, devido aos problemas de transito!

Ao mesmo tempo no Lesoto continua a seca e a ausência de futuro para as crianças, pois de acordo com as estatisticas, mais de metade das crianças que vimos na foto não terá sequer chegado à idade adulta!

Chove hoje em Lisboa!

terça-feira, setembro 12, 2006

Uma verdade inconveniente


A partir de hoje poderemos ver também em Portugal o documentário "Uma verdade inconveniente", apresentado por Al Gore.
O homem que diz de si próprio que já foi "o próximo presidente norte-americano", e a quem os seus inimigos políticos chamam o "homem ozono" ou o "feijão verde", tem-se empenhado nos últimos quatro anos numa cruzada em favor da conscienlização dos efeitos da poluição no ambiente.
Esta opção de vida, não terá sido apenas uma retirada a favor da sua natural vocação de defensor das causas ambientais. Na verdade ela faz parte igualmente de uma preparação para uma eventual candidatura presidencial em 2008.
Um sinal disso mesmo, que nos pode dar já pistas para umas previsíveis primárias do campo Democrático, é que a própria senhora Clinton começou a marcar terreno, nas matérias ambientais, tendo já começado a fazer, ela própria, conferências sobre a matéria (tão bem preparadas e interessantes, quão venenosas para Gore).
Mas com objectivos mais ou menos difusos, o importante é que a mensagem relativa aos efeitos do aquecimento global comece finalmente a passar, e por isso o senhor Gore está naturalmente de parabéns.
Em Lisboa pode ser visto no Amoreiras e no Porto no Norte Shopping.
Para já uma pequena apresentação em

segunda-feira, setembro 11, 2006

Em nome de Deus?

11 de Setembro


"Coração orgulhoso, tens pressa de confessar tua derrota
e adiar para outro século a felicidade coletiva.
Aceitar a chuva, a guerra, o desemprego e a injusta distribuição
porque não podes, sozinho, dinamitar a ilha de Manhattan."
Carlos Drummond de Andrade, 1938.

domingo, setembro 10, 2006

10 de Setembro de 2006

Esta é a minha estreia como "bloguista".

Neste blog desejaria que coubesse tudo! Tal como na vida!

Por isso todos os amigos são bem vindos! Os antigos e os que quiserem aparecer...

Música, política, viagens... São exemplos de assuntos que pretendo abordar.

Música, no meu papel de simples ouvinte.

Política, no meu papel de simples cidadão.

Viagens, na condensação das minhas alegrias e descobertas, feitas ao longo destes meus 50 anos de vida.

Bem vindos pois.

Um abraço