terça-feira, dezembro 19, 2006

Lembranças e Memórias - Mirene Cardinalli

Faz hoje precisamente 37 anos que desapareceu Mirene Cardinalli.

Nesta epoca natalícia em que lembranças significa menos memória do que embrulhos vistosos, surge-me esta saudosa recordação de uma voz magnífica que teve tão pouco tempo para ser ouvida.

Mas o que tem qualidade nunca morre.

E fica sempre na recordação de alguém.

domingo, outubro 22, 2006

PEQUENOS GRANDES GESTOS

O Instituto Português de Oncologia e a Liga Portuguesa Contra o Cancro têm tido ao longo dos anos um trabalho notável, quer pela dedicação dos seus profissionais, quer pelo empenho generoso de muitos voluntários.

Com os seus esforços têm conseguido transformar dias amargos e dificeis, em dias de esperança, para milhares e milhares de pessoas.

Junto, em seguida, um apelo que foi publicado por Daniel Ferreira e pelo Portugal Diário:

O Instituto Português de Oncologia (IPO) está a angariar filmes VHS para os doentes da unidade de transplantes que estão em isolamento. “São crianças e adultos que precisam de um transplante de medula e de estar ocupados durante o tempo de internamento”, explicou ao Portugal Diário a Enfermeira responsável pela unidade, Elsa Oliveira.

A “falta de stocks" torna necessária a ajuda da população : “Precisamos de filmes para as pessoas mais desfavorecidas que não têm possibilidade de os trazer. Algumas crianças trazem os seus próprios filmes e brinquedos mas depois quando têm alta levam-nos”, acrescenta.

O IPO aceita todos os géneros de filmes, mas a preferência vai para a “comédia” : numa altura menos feliz das suas vidas, “um sorriso vai fazer bem a quem passa dias inteiros numa cama de hospital”. Rir é sempre um bom remédio.

As cassetes de vídeo ou DVD's antigos podem ser enviadas para :
Instituto Português de Oncologia de Francisco Gentil
A/C Srª Enfª Elsa Oliveira
Rua Professor Lima Basto
1093 Lisboa Codex

Ou então, informe-se pelo telefone: 217 266 785

quarta-feira, outubro 18, 2006

Sem comentários

Mesmo que a conduta do marido seja censurável, mesmo que este se dê a outros amores, a mulher virtuosa deve reverenciá-lo como a um deus. Durante a infância, uma mulher deve depender de seu pai, ao se casar de seu marido, se este morrer, de seus filhos e se não os tiver, de seu soberano. Uma mulher nunca deve governar a si própria."Leis de Manu (Livro Sagrado da Índia)"

A mulher que se negar ao dever conjugal deverá ser atirada ao rio."Constituição Nacional Suméria (civilização mesopotâmica, século XX a.C."

Quando uma mulher tiver conduta desordenada e deixar de cumprir suas obrigações do lar, o marido pode submetê-la à escravidão. Esta servidão pode, inclusive, ser exercida na casa de um credor de seu marido e, durante o período em que durar, é lícito a ele (ao marido) contrair novo matrimónio"Código de Hamurábi (Constituição Nacional da Babilônia, outorgada pelo rei Hamurábi, que a concebeu sob inspiração divina, século XVII a.C.)"

A mulher deve adorar o homem como a um deus. Toda manhã, por nove vezes consecutivas, deve ajoelhar-se aos pés do marido e, de braços cruzados, perguntar-lhe:- Senhor, que desejais que eu faça?"Zaratustra (filósofo persa, século VII a.C.)"

As mulheres, os escravos e os estrangeiros não são cidadãos."Péricles (político democrata ateniense, século V a.C., um dos mais brilhantes cidadãos da civilização grega)"

A mulher é o que há de mais corrupto e corruptível no mundo."Confúcio (filósofo chinês, século V a.C.)"

A natureza só faz mulheres quando não pode fazer homens. A mulher é, portanto, um homem inferior."Aristóteles (filósofo, guia intelectual e preceptor grego de Alexandre, o Grande, século IV a.C.)"

Que as mulheres estejam caladas nas igrejas, porque não lhes é permitido falar. Se querem ser instruídas sobre algum ponto, interroguem em casa os seus maridos."São Paulo (apóstolo cristão, ano 67 d.C.)"

Os homens são superiores às mulheres porque Alá outorgou-lhes a primazia sobre elas. Portanto, dai aos varões o dobro do que dais às mulheres. Os maridos que sofrerem desobediência de suas mulheres podem castigá-las: deixá-las sós em seus leitos, e até bater nelas. Não se legou ao homem maior calamidade que a mulher."Alcorão (livro sagrado dos muçulmanos, escrito por Maomé no século VI, sob inspiração divina)"

Para a boa ordem da família humana, uns terão que ser governados por outros mais sábios que aqueles; daí a mulher, mais fraca quanto ao vigor da alma e força corporal, estar sujeita por natureza ao homem, em quem a razão predomina."São Tomás de Aquino (teologo, século XIII)"

Inimiga da paz, fonte de inquietação, causa de brigas que destroem toda a tranquilidade, a mulher é o próprio diabo."Petrarca (poeta italiano do Renascimento, século XIV)"

O pior adorno que uma mulher pode querer usar é ser sábia."Lutero (teólogo alemão, reformador protestante, século XVI)"

As crianças, os idiotas, os lunáticos e as mulheres não podem e não têm capacidade para efectuar negócios."Henrique VII (rei da Inglaterra, chefe da Igreja Anglicana, século XVI)"

Enquanto houver homens sensatos sobre a terra, as mulheres letradas morrerão solteiras."Jean-Jacques Rousseau (escritor francês, um dos mentores da Revolução Francesa, século XVIII)"

Todas as mulheres que seduzirem e levarem ao casamento os súbditos de Sua Majestade mediante o uso de perfumes, pinturas, dentes postiços, perucas e recheio nos quadris, incorrem em delito de bruxaria e o casamento fica automaticamente anulado."lei inglesa (do século XVIII)"

A mulher pode ser educada, mas sua mente não é adequada às ciências mais elevadas, à filosofia e algumas das artes."Friederich Hegel (filósofo e historiador alemão do século XIX)"

Quando um homem for repreendido em público por uma mulher, cabe-lhe o direito de derrubá-la com um soco, desferir-lhe um pontapé e partir-lhe o nariz para que assim, desfigurada, não se deixe ver, envergonhada de sua face. E é bem merecido, por dirigir-se ao homem com maldade de linguarejar ousado."Le Ménagier de Paris (Tratado de conduta moral e costumes da França, século XIV)

sábado, outubro 14, 2006

Boas e más surpresas







Outubro é um mês rico em novidades discográficas.

Umas boas, outras nem por isso.

Comecemos por Sarah McLachlan, que com a proximade do Inverno fez sair muito oportunamente uma gravação de músicas de Natal. Na verdade, a vida custa a todos e um disquinho de Natal é sempre uma aposta financeiramente conseguida se o lançamento for feito a tempo e horas.

No entanto artisticamente este disco é uma desilusão, não porque esteja a faltar a voz à moça, mas porque a este disco de Natal falta a ALMA que acrescentaria algo a canções já tantas e tantas vezes ouvidas.

Ouve-se com indeferença.

Sting volta a novamente com um novo álbum, intitulado Songs from the Labyrinth em que interpreta canções de John Dowland, um célebre compositor da era isabelina.

Neste disco em que é excelentemente acompanhado ao alaúde por Edin Karamazov, Sting demonstra que nem todas as boas intenções dão bons resultados.

Na verdade, a sua voz está completamente desadaptada, ao ambiente sonoro que pretende recriar.

Ouve-se com dificuldade, é por isso um disco que, eventualmente só interessará aos fanáticos por Sting e aos coleccionadores.

Depois de duas inesperadas más supresas, uma já esperada boa notícia:

O novo disco de Renee Fleming “Homage – The age of the Diva” – constitui uma revisitação magnífica Puccini, Strauss, Verdi, Janácek, Tchaickovsky, entre outros e ao mesmo tempo uma homenagem às maiores cantoras do inicio do século XX.

Acompanhada pela orquestra do teatro Mariinsky sob a batuta de Valery Gergiev, Renee Fleming oferece-nos este trabalho, executado a todos os níveis com um supremo bom gosto, constituindo uma verdadeira preciosidade a não perder.

sexta-feira, outubro 13, 2006

GRANDES PORTUGUESES

A RTP vai iniciar neste fim-de-semana um programa designado por "GRANDES PORTUGUESES".

Neste programa, através de votação dos telespectadores ir-se-á escolher O MAIOR PORTUGUÊS DE SEMPRE.

No seu site a RTP dá inclusive alguns exemplos de portugueses candidatos ao troféu.

Se não se tratasse de uma Emissora pública, já seria muito mau. Mas passando um programa destes na RTP a situação torna-se ainda mais grave e preocupante, por respeito à nossa História comum, mas também por respeito à inteligência do povo que a sustenta!

Num pais onde o analfabetismo ainda tem um peso muito elevado e onde a escolaridade média é baixíssima, quem tem acesso a um meio tão importante como a televisão, tem uma responsabilidade acrescida, pois está a difundir ideias e conceitos para um público que decerto, os irá tomar como padrão.

A televisão em Portugal é de facto, o principal meio de formação e de divulgação cultural para uma grande percentagem de crianças e de adultos. Por isso, os seus responsáveis não deveriam ter tanta ligeireza nas opções de programação.

Ou será que a Administração da RTP considera aceitável, pôr o Infante D. Henrique a competir com a Rosa Mota?

Será dignificante para este povo que o seu canal oficial de televisão coloque São João de Brito a concorrer com Alfredo Marceneiro?

Será um bom serviço público dizer às pessoas que se podem escolher figuras históricas, como quem escolhe a melhor anedota da noite?

Será um bom serviço público dizer exactamente o oposto do que deveria ser dito, ou seja, que todas as figuras da nossa História, ganharam esse estatuto porque se destacaram, cada um à sua medida, numa obra ou numa atitude que marcou e dignificou a nossa sociedade.

Será um bom serviço público criar uma tabela de preferências históricas por popularidade, quando a Nação a todas deve carinho e respeito POR IGUAL.

Será que na nossa Televisão não se sabe que à História é tão devido o interesse pelo seu conhecimento, como o necessário respeito. E que um nunca pode andar desligado do outro.

O pretexto de divulgação histórica, que é apontado como motivação para a feitura dum programa destes, acaba por ser, face à sua tonteria, um atentado gratuito à inteligência e à paciência deste povo.

O argumento de que a transformação lúdica de assuntos sérios, capta mais espectadores para o conhecimento desses assuntos, só desvirtua a sua essência e desvaloriza o seu conteúdo.

A justificação de que este é um programa, cuja matriz foi criada e experimentada com sucesso na Europa, acaba por colocar, de facto, a História das Nações exactamente ao mesmo nível do Big Brother.

Criar deliberadamente a ideia – porque é disso que se trata – de que, para uma Pátria secular, os nomes mais badalados de hoje têm importância equivalente aos nomes das figuras mais proeminentes do nosso passado colectivo, constitui, a meu ver, uma forma diletante de terrorismo intelectual que atira para o ground zero a nossa cultura e coloca ao nível mais raso do pimba, as nossas referências nacionais.

Por último e já que segundo a própria RTP este será um programa de documentário e espectáculo, deixem-me dizer que só falta que, para além de uma lista de nomes, nos venham propor também critérios valorativos para a classificação que se pede aos telespectadores.

É que, na verdade perante uma História de 9 séculos, e uma mão cheia de figurões da actualidade, é suposto que os votantes utilizem qualquer critério.

Será que a RTP recomendará uma valoração em dez escalões de 1 a 12 pontos, como no Festival da Eurovisão?

Arrepia-me só de pensar que, por esse País fora, nas cadeiras do cabeleireiro haja gente entretida com tabelas de pontuação, do género:

- Ter feito uma descoberta cientifica, ou ganho um prémio literário – 1 ponto

- Ter feito uma descoberta por via marítima, ou ter sido imitado no Chuva de Estrelas – 2 pontos

- Ter sido chefe de estado, chefe de governo ou ter obtido um disco de ouro – 3 pontos.

- Ter o seu nome nos compêndios de história do 1º ciclo ou ter ganho a volta a Portugal – 4 pontos.

- Ter sido governante do PS e ter tomado uma medida socialista – 5 pontos.

- Ter sido Bota de Ouro ou ter visto uma aparição de Nossa Senhora – 6 pontos.

- Ter estado a contas com a Justiça e não ter ganho uma eleição – 7 pontos.

- Ter morrido ao serviço da Pátria ou não ter sido escutado no Processo Casa Pia – 8 pontos.

- Ter feito milagres ou não ter sido entrevistado pelo Manuel Luís Goucha – 10 pontos

- Não ter sido namorado da Elsa Raposo – 12 pontos.

Penso sinceramente que, com estes tristes contributos da nossa RTP, se esteja a perder completamente a noção da relatividade das coisas e do que é importante para uma cultura e para uma civilização.

Num momento em que o presente está difícil e em que somos confrontados com medidas que objectivamente vêm por em causa a qualidade do nosso futuro, só faltava mesmo era que o nosso canal público de televisão, para conquistar audiências, usasse a História do país para transforma-la num espectáculo do absurdo.

Até para o avacalhamento deveria haver limites! Gestores de uma televisão estadual que promovem uma coisa assim, não conhecem limites nenhuns e, por isso mesmo, não podem mais continuar no lugar que agora ocupam.

quinta-feira, outubro 05, 2006

Gulbenkian, noite de 4 de outubro, récita de Anne Sofie von Otter


Tive ontem um sentimento de previlégio, em cada momento do magnifico concerto de Anne Sophie von Otter.

Há sempre qualquer coisa de mágico que os grandes interpretes conguem passar para o público.

Abandonando o registo operático, Anne Sofie apareceu-nos encarnando a sua faceta de cantora de cabaré, transfigurando as antigas canções dos ABBA em melodias ora cheias de sarcasmo, ora plenas de ternura, colocando-as a par das de Weil e de Trenet e elevando-as a um estatuto para muitos (eu incluído) inesperado.

Bilbao Song e Money, Money apareceram assim lado a lado, com a mesma grandeza, a mesma beleza e mesma expressividade.

Revisitou-se Mistinguett e Dietrich, levando-nos pelas memórias e pairando, até mesmo, bem acima delas.

Emocionou-se e emocionou-nos com a belissíma "I walk with you Mama" de Benny Andersson.

Momentos raros na Gulbenkian que colocaram a grande distância o espectáculo de há dois anos da também excelente Ute Lemper.

Mas não fui só eu que gostei, deixo aqui o comentário, hoje emitido pelo DIÁRIO DIGITAL:

Gulbenkian rendeu-se à voz de Anne Sofie von Otter

Uma série de prolongados aplausos e três extras coroaram a actuação da meia-soprano sueca Anne Sofie von Otter em Lisboa, quarta-feira à noite, na abertura da nova temporada de música da Fundação Gulbenkian.

Depois de ter interpretado as vinte canções do programa, acompanhada por um conjunto de nove instrumentistas, Anne Sofie von Otter voltou ao palco três vezes, para cantar mais três temas, um dos quais sem microfone, e ao despedir-s e do público, comentou: «Foi uma noite maravilhosa».

Anne Sofie von Otter, 51 anos, é uma das mais aclamadas cantoras líricas da actualidade e com um reportório que vai da ópera barroca às canções pop.

«É um verdadeiro camaleão, capaz de cantar tudo, da música pré-histórica até aos Beatles», disse o maestro Marc Minkowsky acerca de Anne Sofie von Otter.

Quarta-feira à noite, von Otter cantou várias músicas dos Abba e canções de Kurt Weil, Elvis Costello e Charles Trenet.

O espectáculo, esgotado há várias semanas, chamava-se «I Let The Music Speak», que é também o título do seu último disco.

A nova temporada de música da Gulbenkian, que decorre até Junho de 2007, é uma das mais importantes de sempre, com 128 concertos e um ciclo de piano que trará a Lisboa os principais intérpretes mundiais.
Diário Digital / Lusa
05-10-2006 11:04:00

Em cima fica a capa do próximo disco da von Otter, um disco de Natal, como convém nas semanas que se aproximam, que se for tão bom como o anterior que gravou com melodias natalícias será, decerto, um dos melhores discos do ano!!!

P

A PASSAGEM

Heiner Schmitz
52 anos
tumor cerebral
Passo a transcrever o seguinte press release:

A FACE DA MORTE EM LISBOA

Lisboa recebe, de 3 a 28 de Outubro, no Museu da Água na Mãe d’Água das Amoreiras em Lisboa, uma das mais polémicas exposições fotográficas apresentadas nos últimos anos na Europa.
O fotógrafo alemão Walter Schels e a jornalista Beate Lakotta acompanharam cerca de 24 doentes terminais nos seus últimos momentos de vida. Percorrendo diversos hospitais, onde durante semanas viveram de perto a dor de quem sabe que o fim está perto, surge a exposição Amor-te. Um conjunto de 44 fotografias, a preto e branco, fixam dois momentos de cada doente terminal: uma fotografia ainda em vida e outra logo após a morte.
A exposição AMOR-TE conta-nos as experiências, os medos e as esperanças daquelas pessoas, cujo comovente testemunho permanecerá para sempre através das fotografias de Walter Schels e dos textos da jornalista da revista Der Spiegel, Beate Lakotta.

Esta exposição obriga-nos a confrontar-nos com a dor de um final, com a nossa mortalidade. Se na velhice, esse confronto se torna menos doloroso, quando nos deparamos com a morte de uma criança de 17 meses, tudo é questionado.

A última fotografia, já depois de mortos, é quase como um último suspiro que fica suspenso para sempre num espaço e tempo inomináveis. Uma exposição sobre a morte, cujo apelo é a vida.
Todos os visitantes da exposição Amor-te estão a contribuir para a AMARA – Associação pela Dignidade na Vida e na Morte, que tem como objectivo ajudar pessoas em fase terminal e os seus familiares.
Para mais informações por favor contacte a LAIS DE GUIA:
Rui Pereira – 96 646 00 93
Ana Sacadura – 96 901 53 51
www.amor-te.com

Walter Schels - Fotógrafo
Walter Schels, nascido em 1936 em Landshut, na Baviera, é um artista conhecido pela sua versatilidade. Iniciou a sua carreira como vitrinista, sendo os seus trabalhos conhecidos em Genebra, Barcelona e no Canadá, mas cedo descobriu a sua paixão pela fotografia. Esta paixão levou-o a Nova Iorque, em 1966, para aí se tornar fotógrafo profissional. Em 1970 regressou à Alemanha, onde conheceu um imenso sucesso, trabalhando para revistas de ilustração, moda e tirando fotografias para anúncios publicitários. A partir de 1975, Walter Schels começou a desenvolver uma série de foto-reportagens para a revista Eltern, onde retratou o momento do nascimento de crianças. Este processo fez com que descobrisse o seu fascínio por fotografar rostos, tornando-se deste modo mundialmente conhecido pelas suas fotografias de artistas, políticos e outras figuras proeminentes do mundo cultural e intelectual num panorama internacional. Walter Schels é membro da Free Academy of Arts em Hamburg, Membro Honorário da Alliance of Freelance Photo Designers e entrou no Hasselblad Master no ano de 2005.


Beate Lakotta - Jornalista
Beate Lakotta nasceu em 1965, em Kassel, na Alemanha. Licenciou-se em Literatura Alemã e Ciência Política em Heidelberg. Desde 1999 é redactora da revista alemã DER SPIEGEL, fazendo parte da secção de ciência, onde escreve vários artigos que abordam temas do universo da Medicina e da Psicologia. Beatte Lakotta participou no concurso Schizophrenia Reintegration Award 2001, foi nomeada para o prémio Egon-Erwin-Kisch em 2002 e venceu o Deutscher Sozialpreis Prize em 2004.


PRÉMIOS PARA A EXPOSIÇÃO AMOR-TE

Ao escreverem um artigo em conjunto para a exposição AMOR-TE, publicado na revista DER SPIEGEL em 2003, Walter Schels e Beate Lakotta foram distinguidos com o prémio Hansel-Mieth para a melhor reportagem e receberam também o prémio da Federal Consortium of Hospices’ Honorary Artist’s.
Walter Schels obteve o segundo lugar no World Press Photo de 2004 com os seus retratos, assim como o prémio Lead 2003 e também uma medalha de ouro do Art Directors Club.

O livro Life Before Death. Encounters With The Terminally Ill, publicado pela Deutsche Verlags-Anstalt (dva), recebeu o prémio do melhor livro fotográfico alemão de 2004.


AMARA
Associação pela Dignidade na Vida e na Morte

A AMARA é uma IPSS com fins de Saúde (Nº 01/05, a fls.31 e 31 verso). Foi constituída sob a forma de Associação sem fins lucrativos em 8 de Outubro de 2003.

Embora fundada por uma monja budista, Tsering Paldrön (Emília Teresa Marques Rosa), a AMARA é uma Associação não confessional e apolítica, e todas as suas actividades são abertas a todas as pessoas e instituições, de qualquer origem social, étnica e religiosa.

A AMARA é sócia de:
International Association for Hospice and Palliative Care
Associação Nacional de Cuidados Paliativos
Conselho Nacional para a Promoção do Voluntariado


OBJECTIVOS:

MISSÃO: Ajudar as pessoas em fase terminal de vida, seus familiares e pessoas próximas aconselhando-as e acompanhando-as, por forma a minorar o sofrimento e a proporcionar condições de dignidade na vida e na morte.

DESTINATÁRIOS: Pessoas em fase terminal de vida, seus familiares, amigos, médicos, enfermeiros e outros cuidadores que procurem informação e apoio na Associação.

ACTIVIDADES:

Educação e Formação de alta qualidade para Voluntários e Profissionais
de Saúde que trabalham com doentes em fase terminal de vida.
Apoio voluntário a doentes terminais, seus familiares e pessoas próximas.
Gestão e apoio contínuo dos voluntários que acompanham pessoas em
fase terminal de vida e suas famílias.
Organização de eventos culturais e outras iniciativas para promover e apoiar o voluntariado, realização de publicações que visam desenvolver os Cuidados Paliativos.

segunda-feira, outubro 02, 2006

Parabéns Mr. Bennett

Tony Bennett completou 80 anos no passado mês de Agosto.

Para comemorar essa data, foi gravado um album de duetos com tudo o que é importante na música anglo-norte-americana:

Nele, para além da ainda surpreendente voz de Bennett, teremos as vozes de Bono, Michael Bublé, Elvis Costello, Celine Dion, Dixie Chicks, Juanes, Billy Joel, Diana Krall, k.d. lang, John Legend, Paul McCartney, Tim McGraw, George Michael, Sting, Barbra Streisand, James Taylor and Stevie Wonder.

E ainda o trompetista Chris Botti e violinista Pinchas Zukerman.

O disco foi posto à venda na passada semana em NY e chama-se An American Classic.

Uma pérola a não perder!

sábado, setembro 23, 2006

Ouvi dizer

Ouvi dizer que esta semana teve lugar o 2º congresso COMPROMISSO PORTUGAL.
Tratou-se de uma reunião de gestores e seus assessores, que se realizou, não para falar das empresas privadas em Portugal, das suas ineficiências, da sua falta de visão empresarial, da sua falta de iniciativa!
Não! Realizou-se essencialmente para falar do Estado! E de como o Estado poderia estar ao seu serviço... é claro!
Curiosamente, e ao contrário do que acontece com os congressos partidários, realizou-se esta convenção durante a semana!
Espero que os Senhores Gestores e respectivos assessores tenham metido férias para estar neste evento... Se não, os senhores accionistas vão ficar perplexos por perceber que o novo código de trabalho, que tanto veio contribuir para a competitividade da nossa economia, não está a ser aplicado.
Como se sabe, faltas para participar em congressos, convenções e reuníões são injusticadas e sem direito a retribuição...
Mas deixando aspectos menores... Da convenção sairam, como se esperaria ideias brilhantes... como não poderia deixar de ser Carrapatoso, Mexia, Nogueira Leite lá estiveram para assegurar a qualidade.
Até lá esteve o dr. Relvas (o que signica decerto o beneplácito de Cavaco) para dar um toque institucional à coisa.
Entre as ideias brilhantes saíu uma que acho no mínimo bastante interessante, já que houve quem a achasse empolgante e até apaixonante.
Trata-se da ideia de não aumentar nem promover os funcionários públicos (Nogueira Leite) para os incentivar a rescindir o contrato com o Estado.
Esta seria uma das medidas que poderia levar à migração de 150 a 200 mil funcionários para o sector privado...
Penso que nesta altura a convençáo deve ter rompido em gargalhadas e bravos... pelo excelente sentido de humor.... do senhor Leite.
Refira-se que o ilustre economista não deu qualquer ideia do impacto que esta medida teria na economia e até na Segurança Social... mas isso afinal são meros detalhes irrelevantes!

Pediram-se também reformas na Segurança Social.... ou seja, a entrada em cena do capital financeiro e a descida do IRC.

Esta proposta aliás veio mesmo a propósito, na semana em que se soube que a Banca portuguesa tinha a segunda mais elevada margem da União e que, simultâneamente as taxas de juros pagos aos depositantes eram as mais baixas da U.E.

A propósito e como se vê, a proposta era mais do que justa e economicamente correcta...

Falou-se pois do Estado e dos seus defeitos, de tudo o que ele representa de bloqueador do progresso, dos seus malefícios e perversões.

Na verdade, penso que o Compromisso tem alguma razão...

E por falar nessa razão e num dos paricipantes... Mexia, ex-ministro de Santana e actual Presidente da EDP, ainda com a participação do Estado, contratou Santana para assessor Jurídico... da EDP...

De facto, o Compromisso tem toda a razão, do Estado vêm exemplos muito curiosos...

Tudo isto, é claro, ouvi dizer...

sexta-feira, setembro 22, 2006

Madeleine Peyroux

Grava apenas de tempos a tempos.

Canta os standards mas também compõe (e bem).

Das capas à escolha de reportório, da forma doce e lenta de cantar aos arranjos instrumentais, há um permanente bom gosto e algumas entoações a quererem fazer lembrar (ou mesmo a imitar) Billie…

Os esses sibilados, o tempo, a cadência tudo nos remete para algo já ouvido, mas ainda decerto irresistível e fascinante.

Chama-se Madeleine Peyroux nasceu nos Estados Unidos, viveu em Paris (nos seus discos faz sempre questão de incluir uma canção francesa), é já considerada como uma das melhores entre as melhores e tem uma agenda recheada de digressões.

Recomendo o seu novo disco HALF THE PERFECT WORLD pela curiosidade desta voz e também por toda a ambiência sonora que, nalguns momentos, consegue ser magnifica.

Entretanto a cantora visitar-nos-á num concerto único, no CCB a 18 de Novembro, uma sala talvez grande demais para o estilo intimista desta artista.

Mas mesmo assim, por mim, não irei perder!

quinta-feira, setembro 21, 2006

O academismo, as intenções, as manipulações, as confuções e a dignidade das funções

Excertos da palestra
"Fé, Razão e a Universidade: Memórias e Reflexões" de Bento XVI
na Universidade de Regensburg.

"A universidade também tinha muito orgulho nas suas duas faculdades de teologia. Este profundo sentido de coerência no universo da razão não foi perturbado nem mesmo quando se soube que um colega tinha dito que havia algo estranho com a nossa universidade: duas faculdades que se ocupavam de uma coisa que não existia - Deus.
Mesmo perante um cepticismo tão radical, continua a ser necessário e razoável colocar a questão de Deus através do uso da razão, e fazê-lo no contexto da tradição da fé cristã: isto, dentro da universidade como um todo, era aceite sem discussão. (…)
"Lembrei-me recentemente disto quando li a parte editada pelo professor Theodore Khoury (Münster) do diálogo que o douto imperador Bizantino Manuel II Paleólogo (...) teve com um persa culto sobre cristianismo e islão e sobre a verdade de ambas as religiões. (...) Gostaria de abordar apenas um ponto - marginal, neste diálogo - que me cativou, relacionado com o tema da fé e da razão (...)
Na sétima controvérsia (...), o imperador aborda o tema do "jihad" (a guerra santa). O imperador deveria saber que a sura 2-256 diz: "Não há nenhum constrangimento em matéria de fé." Segundo os especialistas, é uma das primeiras suras, datando da época em que Maomé estava ainda sem poder e ameaçado.
Mas o imperador conhecia também naturalmente os mandamentos sobre a guerra santa contidos (...) no Alcorão. Sem se deter nos detalhes, como a diferença de tratamento entre "crentes" e "infiéis", ele coloca ao seu interlocutor, de um modo surpreendentemente abrupto para nós, a questão central da relação entre religião e violência.
Ele diz: "Mostra-me então o que Maomé trouxe de novo. Não encontrarás senão coisas demoníacas e desumanas, tal como o mandamento de difundir pela espada a fé que ele pregava."
O imperador, depois de se expressar tão fortemente, explicou por que é absurdo difundir a fé pela violência. Uma tal violência é contrária à natureza de Deus e à natureza da alma: «Deus», disse ele, «não gosta do sangue e agir de modo irracional é contrário à natureza de Deus.
A fé é fruto da alma e não do corpo. Aquele que quer levar alguém à fé deve ser capaz de falar bem e pensar justamente sem violência nem ameaças. Para convencer uma alma razoável não temos necessidade do seu braço, nem de armas, nem de nenhum meio pelo qual podemos ameaçar qualquer um de morte...»
A frase decisiva nesta argumentação contra a conversão pela violência é: "Agir de modo irracional é contrário à natureza de Deus." O editor, Theodore Khoury, observa: "Para o imperador, um bizantino educado na filosofia grega, esta posição é evidente. Ao contrário, para a doutrina muçulmana, Deus é absolutamente transcendente. A sua vontade não está ligada a nenhuma das nossas categorias, nem mesmo a da razão."
Khoury cita um trabalho do islamólogo francês Arnaldez, que sublinha que Ibn Hazn foi ao ponto de explicar que Deus não está sequer ligado à sua própria palavra e que nada o obrigaria a revelar-nos a sua verdade. (...)
Será a convicção de que agir irracionalmente contradiz a natureza de Deus uma mera ideia grega, ou será ela sempre e intrinsecamente verdadeira? Creio que aqui podemos ver a profunda harmonia entre o que é grego no melhor sentido da palavra e o entendimento bíblico da fé em Deus. (...)
"A intenção aqui não é de ser reducionista ou negativamente crítico, mas de aumentar nosso conceito de razão e suas aplicações. Só assim nós nos tornamos capazes daquele diálogo genuíno entre culturas e religiões que é tão urgentemente necessário hoje. (…)
No mundo ocidental é amplamente aceite que apenas a razão positivista e as formas de filosofia baseadas nela são universalmente válidas. Mesmo assim, as culturas religiosas profundas encaram isso como essa exclusão do divino da universalidade da razão como um ataque às suas convicções mais profundas.
A razão que é surda ao divino e que relega a religião ao patamar das subculturas é incapaz de ingressar no diálogo das culturas. (…)«Não agir racionalmente, não agir com o logos, é contrário à natureza de Deus», disse Manuel II (...). É a este grande logos, a esta amplitude da razão que convidamos os nossos parceiros no diálogo de culturas.
Redescobri-la constantemente é o grande desafio da Universidade."
(a partir de Daniel Oliveira em ARRASTÂO)

Este excerto, tal como tem sido afirmado pelo Vaticano, revela que as frases que ficaram conhecidas através dos meios de comunicação social estavam obviamente fora de contexto.

Acho no entanto surpreendente que tenha existido tanta ingenuidade. Tão grande quanto o posterior esforço do Vaticano em explicar o que realmente se passou.

Ao contrário do que Daniel Oliveira refere no seu escrito, entendo que o Papa pode agir como um académico. E se calhar até deve!

Poderá pôr em causa algum do prudente pragmatismo que compete ao Sumo Pontífice. Ganha no entanto em coerência e honestidade intelectual.

No entanto, uma coisa é certa, estas atitudes têm um custo. E neste caso o custo foi afastar, pelo menos temporariamente, o Papa do seu papel natural de mediador de conflitos.

Talvez no entanto seja bom e saudável libertar o Bispo de Roma dum papel de diplomata, com a inevitável carga de hipocrisia que ele sempre acarreta.

A função fica mais digna...

Resta agora interrogarmo-nos a quem aproveitou tudo isto, toda esta manipulação ideológica!

Enquanto a religião for sendo suficiente para distrair os povos do mundo islâmico dos reais problemas das suas sociedades, o clima de agressividade em relação ao Ocidente, vai continuar a aumentar.

Temos de estar preparados para isso!

Resta-nos a ajuda de Deus!

Que a do Papa já não vai servir para nada

Nova temporada - A DERROTA DO SILÊNCIO

Anne Sophie Von Otter

Inicia-se no próximo dia 4 de Outubro uma nova temporada na Gulbenkian. Inicia-se mais precisamente com um espectáculo do ciclo de canto com uma das melhores cantoras líricas da actualidade, a meio-soprano Anne Sophie Von Otter.

Infelizmente para os mais desatentos já é tarde para adquirirem bilhetes. Estão esgotados já há semanas, pelo que não poderão assistir à sua revisitação de Brecht, mas também de Charles Trenet e de... os ABBA... pois é....

Ora esta nova temporada vai trazer-nos magnificos cantores e solistas, de que a seu tempo falarei. Hoje, no entanto, já que estamos muito próximos da sua abertura, gostaria de deixar um alerta, muito particular:

Passo a explicar:

Sempre que vou a um concerto, fico convencido de que o público português é um dos mais constipados do mundo. As tosses, as gosmas e outros grunhidos mais ou menos surdos e roucos tornaram-se quase uma normalidade, nomeadamente na mudança de andamento, o que é um dos actos mais cretinos que se pode ter numa récita.

No entanto e apesar disso tenho sido um priveligiado. Tenho ouvido histórias patéticas de mau comportamento do público que me deixam arrepiado, felizmente não estive pessoalmente presente... mas poderia ter acontecido... deixo aqui uma delas em que me deixou deveras impressionado.

Ocorreu no ano passado e passo a transcrever um excerto do texto do jornalista Eurico de Barros, do Diário de Notícias de 12 de março de 2005, intitulado

A DERROTA DO SILÊNCIO:


"Lisboa, Teatro São Luiz, noite de quinta-feira. Um telemóvel toca logo no início do recital do pianista português Artur Pizarro e é sonoramente atendido. O músico pára a execução da peça e retoma-a logo a seguir. Mais adiante, torna a ouvir-se outro toque, mas desta vez Pizarro não pára. A seguir ao intervalo, soa outro telemóvel, longamente, porque o proprietário nem se digna desligá-lo. Artur Pizarro deixa de tocar e diz à criatura "Atenda, que eu paro. Mas saia". E pega nas partituras, levanta-se e vai-se embora. Há burburinho na sala e é anunciado que o pianista não regressará. O dono do telemóvel que estragou a noite a Pizarro e ao público do São Luiz dirige-se à bilheteira para exigir o dinheiro de volta, porque o recital foi interrompido..."

Sem outros comentários, aproveito para recordar que também Artur Pizarro estará na Gulbenkian nos próximos dias 1 e 2 de Fevereiro, oferecendo-nos a sua interpretação de Tchaickovsky, numa récita com o seguinte programa:

ORQUESTRA GULBENKIAN

CRISTIAN MANDEAL (maestro)

ARTUR PIZARRO (piano)

Mikhaïl GlinkaAbertura da ópera Ruslan e Ludmilla

Piotr Ilitch TchaikovskyConcerto para Piano Nº 1, em Si bemol maior, op.23

Max RegerVariações e Fuga sobre um tema de Mozart, op.132

Sobre Artur Pizarro, para além da história triste já referida, gostaria de deixar algumas das referências internacionais que revelam o prestigio e a consagração deste jovem pianista português:

'Pizarro performs prodigies in getting around these unfamiliar scores with hair-raising aplomb and the utmost conviction' (Piano International)
'Goza, además, de una toma sonora espléndida' (Scherzo, Spain)
'A marvellously recorded programme … a joy to listen to' (Gramophone)
'Pizarro gives the music exactly the full-bodied treatment [the piece] requires. A fine, satisfying disc, well worth exploring' (Fanfare, USA)
'To hear Pizarro is always a pleasure … lyrical phrasing wrapped in one of the most entrancing and expressive pianissimos of any pianist' (International Record Review)


quarta-feira, setembro 20, 2006

domingo, setembro 17, 2006

Hildgard

Foto de Bingen

Passam hoje 827 anos da morte de Hildegard de Bingen. Uma mulher diferente, de inteligência, cultura e sabedoria excepcionais, cuja vida e obra chegaram até aos nossos dias.
Escritora, compositora, visionária, religiosa, mas por vezes em forte confronto com a Igreja, atingiu um estatuto social que raramente as mulheres tiveram na Época medieval.
Embora oficialmente o seu processo de cananozição não tenha chegado ao fim, a devoção popular por esta figura histórica é tão grande que a partir do Século XVI começou a ser designada por Santa.
Para os amantes da polifonia é imprescindível ouvir a sua obra, ficando aqui um excerto de "O Virtus Sapientiae"

http://humanneuro.physiol.umu.se/GW/5mp3/O_Virtus_Sapientiae5.mp3

Com ele ter-se-á uma pequenina amostra de música... verdadeiramente celestial!

Para melhor conhecer a sua vida (uma biografia um pouco ficcionada, digamos assim) aconselho vivamente o livro da escritora americana Joan Ohanneson chamado Música Escarlate.

Como disse dela Maria Teresa Horta " Para uns era uma Santa, mas para outros uma verdadeira praga. Tolerância e ameaça ao mesmo tempo". Alguém a revisitar... ou a descobrir.



sábado, setembro 16, 2006

O MÉTODO DA REFORMA


Quando falamos de Reforma da Segurança Social estamos a falar de quê?

Em primeiro lugar, estamos a falar de algo de uma seriedade tal que merece todo o respeito e cuidado no seu tratamento. Estamos a falar da segurança do nosso futuro!

Devido exactamente ao respeito e ao cuidado que merece esta matéria, qualquer Reforma da Segurança Social, deve estar para além de qualquer maioria conjuntural e deveria ser algo mais abrangente e mais sólido!
Nessa medida, entendo perfeitamente a afirmação do Presidente da República, de que é necessário que não se fique na situação de que, por cada vez que muda o Governo, se alterem as perspectivas de futuro da Segurança Social.
No entanto, existe já uma base mínima, relativamente à qual, qualquer força política tem que assegurar respeito! É a definida pela Constituição! Mas será que chega?
Penso que não! Pelo que se vê hoje em dia, um conjunto de expectativas que os cidadãos possuem face às leis que estão em vigor, pode vir a ser completamente espezinhado por um Governo se assim lhe "der na telha".
Mas aí, está exactamente o papel de intervenção do Presidente da República, através da persuasão e até mesmo do veto, para não deixar que isso aconteça!
Por isso, em meu entender, em matéria que comporta tantas diferenças ideológicas, não serão os partidos que deverão passar por cima das suas próprias identidades em favor de um novo projecto de Segurança Social comum, deverá ser o Presidente a zelar para que as alterações que surjam, venham sempre em benefício dos cidadãos e se mantenha a decência na gestão do Sistema existente!
E isto significa que o Presidente da República deve agir como guardião deste Templo, impedindo tanto a retirada de direitos por economicismo, como a sua atribuição por simples oportunismo eleitoral!
No entanto, e para além do papel presidencial , deveria existir um mecanismo constitucional que nos salvaguardasse das sucessivas tropelias governamentais, e para isso, os partidos deveriam, de facto, entender-se.
De acordo com as expressões mais comummente ouvidas aos responsáveis políticos, ao falarmos de Reforma do Sistema estamos a falar de “garantir a sustentabilidade futura do Sistema de Segurança Social”.

De uma forma mais abreviada, o que eles querem dizer é que se pretende um ajustamento das saídas de fluxos de financeiros às respectivas entradas. O que quer dizer que infelizmente, não estamos a falar de direitos sociais, estamos, apenas e só, a falar de gestão financeira!

Ou, ainda de uma forma mais directa, o que esses responsáveis querem dizer com essas expressões metafóricas, é que se irão cortar benefícios, já que a questão da Reforma da Segurança Social, surge apenas porque parece faltar dinheiro para os manter ao nível a que estão!

Bom, sendo assim, há algumas perguntas que inevitavelmente surgem e que esses responsáveis deveriam responder:

1 - Qual é o patamar mínimo de benefícios que o Sistema Público deve garantir?

2 - E o que deve ser definido primeiro? Esse nível de benefícios ou os mecanismos financeiros para os obter?

3 - Será que Governo e Oposição entendem que os benefícios que a Segurança Social atribui aos portugueses são excessivos e que por isso devem ser reduzidos?

4 - Ou será que apenas são cortados porque há poucos meios, independentemente de se poder considerar um aumento do esforço nacional para que esses benefícios se mantenham?

5 - Não deveriam os actuais responsáveis políticos, dizer com clareza qual padrão mínimo de benefícios que propõem, como adequado a uma sociedade justa e feliz?

6 - Será que, para os actuais responsáveis, a definição de um patamar mínimo é um princípio inegociável, ou é uma mera proposta, susceptível até de negociação, com quem entende que esse mínimo ainda deve ser reduzido?

7 - Será que o Conselho de Concertação Social, composto por patrões e sindicalistas, pode substituir a decisão dos cidadãos, que maioritariamente são trabalhadores por conta de outrem não sindicalizados?

9 - Não seria obrigação de todos os partidos políticos apresentar-nos as suas propostas, de forma a ser-nos colocado à consideração um conjunto de hipóteses, ou alternativas para que nos pronunciássemos?

Confesso, que a mim, pessoalmente, me assusta a ideia de uma velhice empobrecida e de um final de vida sem meios para aproveitar minimamente os anos que me faltarem!

Assusta-me a ideia de após uma vida de trabalho, ter um tempo de escassez, numa fase da vida em que mais precisarei de apoio!

Assusta-me que essa fase da minha vida esteja a ser decidida, partindo-se de um pressuposto económico-financeiro e não de um pressuposto social!

Assusta-me que esta “Reforma” esteja a ser pensada e tratada por uma classe política que tem tratamento privilegiado em termos de Segurança Social e que em muitos casos já tem o seu problema pessoal resolvido, ao fim de 12 anos de actividade!

Assusta-me que a irresponsabilidade, que nos trouxe à situação actual, prossiga e nunca mais tenhamos garantia de coisa nenhuma, relativamente ao nosso futuro!
Chegados ao ponto em que há uma sensação generalizada de incerteza, quanto ao futuro das nossas reformas, em que não se sabe se dentro de 5 anos não voltaremos a estar confrontados com nova necessidade de reformulação dos mecanismos que as regulam, eu desejaria que aparecessem propostas politicas claras e consistentes.
Prospostas alternativas, com bases técnicas fiáveis, validadas devidamente (pelo B.P. ou por comissão técnica presidencial, p.e.) e a sua apresentação a Referendo.

Penso sinceramente que no estado em que as coisas chegaram, esta é uma questão que tem que ser apreciada e decidida pelos cidadãos, por todos nós!
E pese embora a responsabilidade política de que estão investidos todos os Governos para fazer Reformas, quando essas Reformas se começam a suceder, em zigue-zag, aparecendo umas após outras com sentidos contraditórios, quando aquilo que deveria ser absolutamente seguro, se torna obviamente incerto , talvez seja tempo de se dizer aos Governos, que eles terão que fazer a gestão, mas que a decisão é nossa. Sempre nossa!

Nós é que somos os donos da quinta, os Governos são apenas os caseiros, e quando eles, um após outro, começam irresponsavelmente a pensar e a actuar como se a propriedade fosse deles, o melhor é deixarmos de ser absentistas e tomarmos as rédeas do poder nas nossas mãos, pois caso contrário, corremos o sério risco de ficarmos sem a nossa propriedade e sem o nosso futuro!
Sem essa exigência da nossa parte, acabaremos por deixar aos nossos filhos e netos a terrível imagem histórica de uma geração de fracos, que foi incapaz de manter a herança de direitos e conquistas que gerações anteriores já haviam alcançado!

quinta-feira, setembro 14, 2006

O Espelho da Nação


Na página oficial da Marinha Portuguesa encontra-se uma explicação, resumida em vários pontos, da importância das Forças Armadas para Portugal.

http://www.marinha.pt/Marinha/PT/Extra/FAQs/Geral/Qual_importancia_FA_para+_Portugal.htm

Um deles, passo a transcrever:

«São um elemento fundamental de negociação e pressão na esfera diplomática actual, com reflexos muito importantes do posicionamento nacional no contexto Europeu e Internacional, com enormes reflexos político-económicos. Uma vez que são o "espelho da Nação", desenvolvem, assim, um importante papel no estabelecimento e manutenção das relações internacionais.»

Ora vem isto a propósito de se saber que os militares portugueses no Kosovo estão a ser alvo de investigações devido a insubordinação, saídas nocturnas não autorizadas, alcoolismo e recebimento de luvas na aquisição de materiais.

Pois bem, aqui temos a prova provada de que os nossos militares são mesmo o Espelho da Nação!

quarta-feira, setembro 13, 2006

Chove hoje em Lisboa


Chove hoje em Lisboa!

Esta foto de 1981, mostra crianças do Lesoto, ansiosas por água! Sequiosas e possivelmente famintas!

As zonas deserticas não são uma novidade em África. E não podemos dizer que todas elas se devam ao consumo de hidrocarbonetos!

No entanto as condições de seca vêm-se agravando de ano para ano naquele continente.

A fome e a morte fazem parte do dia a dia de populações esquecidas e desenraízadas do mundo de hoje que lhes traz apenas as consequencias de um desenvolvimento que não é o seu.

Tal como como é dito em "UMA VERDADE INCONVENIENTE", é preciso MUDAR JÁ!
E isso passa tanto pela moderação no uso de combustíveis fósseis, como pela proibição da importação de madeiras exóticas!

Essa mudança pode ser pedida aos Governos e às Instituições! Mas também pode começar por nós próprios, preferindo o transporte público não poluente, recusando a compra de mognos, sendo racionais no consumo da água...

Em Lisboa chove e a nossa preocupação hoje volta-se para um regresso a casa, eventualmente molhado e mais lento, devido aos problemas de transito!

Ao mesmo tempo no Lesoto continua a seca e a ausência de futuro para as crianças, pois de acordo com as estatisticas, mais de metade das crianças que vimos na foto não terá sequer chegado à idade adulta!

Chove hoje em Lisboa!

terça-feira, setembro 12, 2006

Uma verdade inconveniente


A partir de hoje poderemos ver também em Portugal o documentário "Uma verdade inconveniente", apresentado por Al Gore.
O homem que diz de si próprio que já foi "o próximo presidente norte-americano", e a quem os seus inimigos políticos chamam o "homem ozono" ou o "feijão verde", tem-se empenhado nos últimos quatro anos numa cruzada em favor da conscienlização dos efeitos da poluição no ambiente.
Esta opção de vida, não terá sido apenas uma retirada a favor da sua natural vocação de defensor das causas ambientais. Na verdade ela faz parte igualmente de uma preparação para uma eventual candidatura presidencial em 2008.
Um sinal disso mesmo, que nos pode dar já pistas para umas previsíveis primárias do campo Democrático, é que a própria senhora Clinton começou a marcar terreno, nas matérias ambientais, tendo já começado a fazer, ela própria, conferências sobre a matéria (tão bem preparadas e interessantes, quão venenosas para Gore).
Mas com objectivos mais ou menos difusos, o importante é que a mensagem relativa aos efeitos do aquecimento global comece finalmente a passar, e por isso o senhor Gore está naturalmente de parabéns.
Em Lisboa pode ser visto no Amoreiras e no Porto no Norte Shopping.
Para já uma pequena apresentação em

segunda-feira, setembro 11, 2006

Em nome de Deus?

11 de Setembro


"Coração orgulhoso, tens pressa de confessar tua derrota
e adiar para outro século a felicidade coletiva.
Aceitar a chuva, a guerra, o desemprego e a injusta distribuição
porque não podes, sozinho, dinamitar a ilha de Manhattan."
Carlos Drummond de Andrade, 1938.

domingo, setembro 10, 2006

10 de Setembro de 2006

Esta é a minha estreia como "bloguista".

Neste blog desejaria que coubesse tudo! Tal como na vida!

Por isso todos os amigos são bem vindos! Os antigos e os que quiserem aparecer...

Música, política, viagens... São exemplos de assuntos que pretendo abordar.

Música, no meu papel de simples ouvinte.

Política, no meu papel de simples cidadão.

Viagens, na condensação das minhas alegrias e descobertas, feitas ao longo destes meus 50 anos de vida.

Bem vindos pois.

Um abraço